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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Jan18

PALAVRAS

Maria João Brito de Sousa

 

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PALAVRAS





Eu gosto de palavras que se enlaçam

Em frases simples, ou versos floridos,

Desde que, entrelaçadas, satisfaçam

Os ritmos que lhes sejam requeridos,



Quer nuas e selvagens quando passam,

Quer com mantos opacos por vestidos,

Que nas voltas que dêem, se se abraçam,

Falem tanto à razão quanto aos sentidos.



Colho-as ao fim da tarde, ou bem cedinho,

Conforme o propicie o descaminho

Por onde me conduzam tempo e espaço



E a elas me confio enquanto possa

Lembrar que, quando fui menina e moça,

Quase ousei desistir das que hoje abraço.





Maria João Brito de Sousa – 18.01.2018 -18.12h

 

04
Jan18

NÃO MAIS QUE UM DEDAL...

Maria João Brito de Sousa

DEDAL.jpg

 

NÃO MAIS QUE UM DEDAL...



Hoje sou poeta que, em tempos passados,

Teve outros cuidados... mas vi-me incompleta;

Sem rumo, nem meta pr`ós passos já dados,

Vi-os naufragados sem causa concreta



E, usando a caneta, chorei meus pecados

Tão sobrestimados... tudo isto era treta

E a vida, uma recta sem fuga pr`ós lados

Que estavam selados. Tornei-me obsoleta.



Era natural, ou assim o pensava

Porque me castrava. Nunca fora escrava!

Eu sempre o negava, mas pensava mal



Porque era, afinal, o que era... e deixava.

O tempo passava e a vida mostrava;

Pouco me sobrava. Não mais que um dedal...





Maria João Brito de Sousa – 04.12.2018 – (por volta das 8.00h)





Trabalho inspirado no soneto SOBRE MIM DISSERTO de MEA.

 

29
Nov17

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - VIDA

Maria João Brito de Sousa

Bosão de Higgs.jpg

É LÁ NESSE LUGAR QUE A VIDA HIBERNA

 

Lá no alto onde o tempo se calou

Onde há nuvens que choram sem querer

Pra onde a lua foi e não voltou

E há estrelas acabadas de nascer…..

 

Lá no alto onde o tempo já brilhou

Quando o sol lá nasceu sem se esconder

Lá onde o azul do céu se misturou

Com as cinzas das estrelas a morrer

 

Fica o lugar mais belo, mais sereno

Onde a paz é maior o vento ameno

E a luz, eu direi mesmo que é eterna

 

Onde o sonho renasce e permanece

Quando a idade já nos entardece

…É lá nesse lugar que a vida hiberna!

 

MEA

28/11/2017

 

******

 

TAMBÉM NESSE LUGAR NASCE A POESIA

 

 

“Lá no alto onde o tempo se calou”

E os astros pulsam ao sabor do espanto

Cadências de um quasar que começou

Há milhões de anos sem que o desencanto,

 

“Lá no alto onde o tempo já brilhou”,

O impedisse de ir espraiando um manto

Sobre o vazio de um espaço que inundou

De química, primeiro, e... depois tanto,

 

 

“Fica o lugar mais belo, mais sereno”

De todos os locais que um ser terreno

Pode engendrar, se sonha e fantasia;

 

“Onde o sonho renasce e permanece”,

Cresce o Homem que ainda desconhece

Quanto de si é Ciência... e Poesia.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 29.11.2017 – 18.10h

 



 

 

23
Nov17

CHUVA

Maria João Brito de Sousa

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Mais três tímidos pingos se juntaram

Aos três primeiros, hoje anunciados,

E, bem depressa, mil outros tombaram,

Pois já cai chuva a rodos nos telhados,



Nos canteiros do buxo que ensoparam,

Nos vidros das janelas, salpicados,

Nas gentes que aqui passam, ou passaram,

Sob chapéus-de-chuva improvisados...



Bendita sejas tu, que dessedentas!

Bendita, pelo bem que representas

Para a terra sequiosa e para a vida!



Chorando sobre a crosta, a reinventas,

A cobres de verdura e a sustentas,

Ó chuva, tão sonhada, quão fugida!





Maria João Brito de Sousa – 23.11.2017 – 16.34h



NOTA – Na sequência do soneto “Só Três Pingos...” de Maria da Encarnação Alexandre.







 

 

11
Ago17

DEPOIS DA MARÉ-CHEIA...

Maria João Brito de Sousa

maré cheia maré vazia.jpg

 



Que faço de um poema que não pinto,

Nem burilo, polindo-lhe as arestas?

Que faço ao que me escapa pelas frestas,

Daquilo que não vejo ou que não sinto?



Que faço, já que eu própria me desminto

Pois vou desperdiçando em mornas sestas

As horas de criar, quando em giestas

Podendo transmutar-me, o nem consinto?



Ah, toda a minha vida andei correndo

E agora repouso, compreendo...

Mas pudesse eu correr como corria



E garanto que, ainda que morrendo,

Seria mais veloz, menos doendo

Depois da maré-cheia, outra, vazia...



Maria João Brito de Sousa – 11.08.2017 – 11.40h

 

10
Mar16

GLOSANDO FLORBELA (17)

Maria João Brito de Sousa

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A VIDA



É vão o amor, o ódio, ou o desdém;
Inútil o desejo e o sentimento...
Lançar um grande amor aos pés d'alguém
O mesmo é que lançar flores ao vento!

Todos somos no mundo "Pedro Sem",
Uma alegria é feita dum tormento,
Um riso é sempre o eco dum lamento,
Sabe-se lá um beijo donde vem!

A mais nobre ilusão morre... desfaz-se...
Uma saudade morta em nós renasce
Que no mesmo momento é já perdida...

Amar-te a vida inteira eu não podia...
A gente esquece sempre o bem dum dia.
Que queres, ó meu Amor, se é isto a Vida!...



Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

 

 

... E A MINHA...



"É vão o amor, o ódio, ou o desdém"

E esvaem-se as paixões mais exaltantes

Na própria combustão do que as mantém

Acesas como chamas rutilantes...



"Todos somos no mundo ´Pedro Sem`"

Que exalta as suas naus já vacilantes

Pr`a logo descobrir que, sem vintém,

Tudo voltava a ser como era dantes...



"A mais nobre ilusão morre... desfaz-se..."

E a realidade, essa, compraz-se

Lembrando o quanto pôde ser fatal...



"Amar-te a vida inteira eu não podia";

Traída a dimensão da poesia,

Foi a mim que eu deixei de ser leal...





Maria João Brito de Sousa - 06.02.2016 - 14.31h

 

30
Ago15

FÓRMULA

Maria João Brito de Sousa

Arca de Noé 2.jpg

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)



E anima-se a matéria criativa

até ao ponto exacto e necessário

para que nasça, enfim, matéria viva

do que, antes, parecera o seu contrário



E cresce, a cada dia mais activa,

não pára de fluir de modo vário

na direcção daquilo que a motiva

pr`a desaguar, por fim, no seu estuário...



Digo, porém, que não será cativa

da força de algum ponto estatutário,

nem verga à reprimenda punitiva,



Porque é pertença do mais rico erário

duma Arca que flutua e que anda à d`riva

no rio do nosso humano imaginário.





Maria João Brito de Sousa - 29.08.2015 - 17.56h





NOTA - Esta Fórmula, ou como lhe entendam chamar, aplica-se às línguas - todas elas! -, mas não só...

 

 

 

 

05
Jun15

ESTE MEU MAR II

Maria João Brito de Sousa

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(Soneto em decassílabo heróico)

 

Ó vagas do meu mar, loucas marés
que ao longo de uma vida me perderam,
ó jangadas de espuma, ó vãs galés
de uns sonhos que em poema aconteceram,

 

Não sei se ainda estou sobre os meus pés
se vos evoco e lembro que estiveram
ao leme desta barca, ou no convés
de um sonho que bem poucos conheceram

 

Mas, livre ou brutalmente aprisionada,
o amanhã que o diga. Eu calo agora
por hoje, ou para sempre, a voz magoada

 

Que me comanda a vida a toda a hora
e a cada instante insiste em ser cantada,
mesmo quando empurrada borda fora...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 05.06.1015 -16.16h

 

Imagem retirada do Google

 

02
Mai15

SONETO COM EFEITOS SECUNDÁRIOS

Maria João Brito de Sousa

Manuel Ribeiro de Pavia.jpg

 

(Em verso heróico)

 

Da mesmíssima massa em que sois feitos,
por percorrer-me a carne um sangue igual,
assumo como vós certos defeitos
que expresso num poema acidental

 

Tenho, decerto, humanos preconceitos,
infimos medos que disfarço mal,
gestos azedos, duros, imperfeitos,
que se me escapam sem que eu dê por tal,

 

Mas... como todos vós, tenho direitos;
venha o que venha, do que é virtual,
piso os atalhos, muito embora estreitos,

 

Que ousei escolher sem previsão geral
do que sabemos serem os efeitos
de amar-se a vida e ser-se, assim, mortal.

 

 


Maria João Brito de Sousa – 02.05.2015 -19.48h

 

 

 

 

Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia

 

31
Mai12

... E SOLTA-SE O SONETO

Maria João Brito de Sousa

 

… e solta-se um soneto alvoroçado
Da estranha compulsão do gesto breve
Que cresce de um anseio exacerbado
Nos insensatos dedos de quem escreve.

Traduz um sonho só, deixa de lado
O jugo do silêncio em que prescreve
E ao ver-se desse jugo libertado
Diz, por vezes, bem mais do que o que deve.

Tem pouco espaço pr`a dizer-se inteiro
Mas, habilmente, custe o que custar,
Num nada se constrói teimosamente;

Pode ser temerário, aventureiro,
Ou simples, incorpóreo eco lunar,
Mas que não seja escrito inutilmente!




Maria João Brito de Sousa – 31.05.2012 -16.51h

 

 

 

 

Imagem das Ilhas Galápagos retirada da net


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