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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
01
Out21

O REPICAR DOS SINOS

Maria João Brito de Sousa

Picasso.jpg

O REPICAR DOS SINOS
*


Às vezes, ao longe, nos dias mais claros,

Oiço esses teus sinos celebrando a vida,

Noutros, o silêncio dos dias avaros

Impõe-se à toada quase emudecida.
*


Se um corpo atingido por estranhos disparos

Se curva dorido e lambe a sua f`rida,

Geme castigado, teme os desamparos,

Já nem escuta os sinos, procura é guarida...
*


Assim acontece com musas, também;

Quando estão magoadas não ouvem ninguém,

Fecham-se em si próprias até, sei lá quando,
*


Com harpas, com flautas ou com violinos,

Correrem pra nós. Repicam os sinos

Que abafam as mágoas que nos vão sobrando!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 20.09.2021 - 17.00h

*

Trabalho inspirado no soneto, também em verso hendecassilábico, "Tocarei os Sinos" da autoria de MEA

*

Imagem - Tela de Pablo Picasso

14
Fev21

PERGUNTO AOS PARDAIS...

Maria João Brito de Sousa

PERGUNTO AOS PARDAIS.jpg

PERGUNTO AOS PARDAIS...
*

 

"Se nem sequer tenho a sua liberdade",

Roubam-me a vontade que tão só mantenho

Quando este desenho das mãos se me evade

Tal como a saudade dos tempos de antanho...
*


Que normal tão estranho! Será de verdade?

Que impalpável grade sem cor nem tamanho

Cobre este rebanho, esta humanidade

Morta de ansiedade que agora acompanho
*


Como se fosse anho? A vós que voais,

Por não poder mais, perguntarei agora

E não vou embora sem que respondais;
*


Vós, simples pardais, voareis por quem chora

Os dias de outrora que vós nem lembrais?

- Queres saber demais!, esclarece-me a demora.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 12.02.21 - 20.00h

*

Soneto criado a partir do último verso do soneto PÁSSAROS da autoria de Joaquim Sustelo.

03
Fev21

MULHER

Maria João Brito de Sousa

M. R. de Pavia.jpg

MULHER
*


Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos

Trazendo nos olhos sorrisos e penas...

Como esta há centenas, encontram-se aos molhos

Por entre os restolhos, louras e morenas.
*

Marias e helenas que contornam escolhos,

Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas,

São como açucenas; a chave e ferrolhos

Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas
*


Derrubam empenas, são donas das ruas,

Das marés, das luas... Em todos os astros

Ergueram os mastros das coisas mais suas
*


E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos

Nos muros dos castros, no chão das faluas

E até no que intuas dos seus corpos gastos.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h
***

Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.

02
Out20

TECENDO MEMÓRIAS

Maria João Brito de Sousa

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TECENDO MEMÓRIAS
*


Touquinha de renda e botinhas de lã,

Bem mais que uma irmã, vi nela uma prenda

Que sem encomenda chegara bem sã

E certa manhã se me dera em of`renda.
*

 

A quem não entenda ternura tão sã

Ou a julgue vã e a não compreenda,

Peço que suspenda a versãozinha chã

Da eterna maçã concebida pra venda;
*

 

Pode ser merenda prá minha memória,

Mas é outra a história desta tecedeira,

Velha fiandeira da causa ilusória

*

 

Que fia sem glória e de uma outra maneira

Cinzas de lareira numa trajectória

Tão contraditória quanto verdadeira.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 02.10.2020 - 12.00h

 

IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

14
Set17

MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0013.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Do vento que sopra, da proa que afunda,

Do mastro partido, do leme encravado,

De ouvir os gemidos do velho costado

Da barca que oscila, bojuda, rotunda,

 

Na crista da onda, no mar em que abunda

Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,

Escondido na espuma, submerso, acoitado

Em zona que a Barca julgava profunda...

 

De tudo me lembro, se bem que já esteja,

No tempo passado, submerso também

E seja esta imagem longínqua o que eu veja

 

Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,

Apenas a sombra que passa e festeja

Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.01.2017 - 10.52h

 

 

Ao meu avô poeta, António de Sousa

14
Ago17

CALEIDOSCÓPIO

Maria João Brito de Sousa

CALEIDOSCÓPIO.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)



Nasci sendo parte de outro cinescópio;

Desde os meus primeiros momentos de vida

Via, em cada letra, um caleidoscópio

E a frase sorria de tão colorida...



Só sentido faço deste modo impróprio

E só me concentro quando diluída,

Mas nunca me digam; - Foi consumo de ópio...

Pois desta maneira fui nada e parida!



Sei ser muito humana, mas não sei se sei

Explicar subtilezas que só eu distingo...

Talvez o consiga, depois o verei,



Caso sobre ainda uma gota, um pingo,

Disto que, em verdade, sempre vos contei...

Chamam-me aldrabona? Nem assim me vingo!

 



Maria João Brito de Sousa – 14.08.2017 – 13.59h

 

 

NOTA - Estas letras e dígitos não apresentam as cores com que eu mentalmente os vejo. 

 

13
Jun17

INFILTRAÇÔES

Maria João Brito de Sousa

Infiltrações-Nas-Paredes-Lajes-e-Telhados-Como-A

 

(porque a brincar, a brincar, se dizem algumas indesmentíveis verdades sobre os ínvios caminhos das grandes infiltrações...)

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

 

Já chove e goteja na minha cozinha!

Dispenso-lhe, azinha, coisa que a proteja...

Um balde? Que seja! Mantenho-a sequinha,

sem uma gotinha, nem estragos... que eu veja...

 

Mas, por muito lesta que eu seja, vizinha,

sempre uma gotinha me escapa e rasteja,

se infiltra e graceja... ninguém adivinha

que, ao longe, se aninha nas zonas que eleja

 

E, dia após dia, vai-se acumulando,

mais gotas juntando, fazendo razia;

Por sempre ínvia via se esgueira, infiltrando...

 

Pouco adiantando, vos garantiria

que vos saberia dizer como e quando,

mas, nem me escutando... por que é que o diria?

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.05.2016 - 13. 18h

09
Mar17

CORAGEM...

Maria João Brito de Sousa

coragem.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Coragem? Que é dela se, manipulada,

Me sinto sondada, moldada, invadida

No que à minha vida concerne e, num nada,

Me vejo humilhada, presa e sem saída?

 

Calo a voz dorida, e assim, controlada,

Em vez de indomada carne aberta em f`rida,

Desisto, vencida qual chama apagada,

Da que foi gerada nos pastos da vida...

 

Esta, de sumida, soa-me abafada,

Ou desafinada e é triste e vencida

Que mal é ouvida quando amordaçada

 

Por mão precavida. Solto-a sussurrada,

Em vez de, exaltada, protestar esvaída

Na força antes tida e ora feita em nada...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.03.2017 - 16.13h

 

Imagem retirada do Google

 

13
Jan17

MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0013.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Do vento que sopra, da proa que afunda,

Do mastro partido, do leme encravado,

De ouvir os gemidos do velho costado

Da barca que oscila, bojuda, rotunda,

 

Na crista da onda, no mar em que abunda

Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,

Escondido na espuma, submerso, acoitado

Em zona que a Barca julgava profunda...

 

De tudo me lembro, se bem que já esteja,

No tempo passado, submerso também

E seja esta imagem longínqua o que eu veja

 

Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,

Apenas a sombra que passa e festeja

Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.01.2017 - 10.52h

 

 

Ao meu avô poeta, António de Sousa

13
Nov15

MEU PINHEIRO MANSO, MEU FIGUINHO-LAMPO...

Maria João Brito de Sousa

FIGUEIRA.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico)

 

 

Meu celeiro farto, meu pinheiro manso

Que choras se parto, calo ou me desdigo,

Meu pinheiro amigo, meu seguro abrigo

Onde, havendo p`rigo, me escondo e descanso

 

De um bulício antigo que nem sempre alcanço;

Porta sem postigo, falta sem castigo,

Figueira onde o figo sabe que o bendigo

Por ser só comigo que dança, se eu danço

 

Doce figo lampo que uma mãe-figueira

Me of`receu trigueira, lesta, rotineira

E que ao dar-se inteira se me foi tornando

 

Materno alimento, carne, irmã ceifeira

De espiga engendrada nesta fértil leira

Tão mais derradeira quão mais vai faltando.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 12.03.2015

 

 

 

(Soneto em reedição, ligeiramente modificado - À minha morada)

 

 

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