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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
28
Jul22

SONETO TARDIO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

SONETO TARDIO

 

*

Mergulhei no sonho das alegorias

Já que de energias e sons me componho,

E o tempo é risonho se der garantias

De enfrentar fobias sem medo ao medonho.

*

 

Hoje pressuponho que, ao longo dos dias,

De conchas vazias, apenas, disponho...

Que mais me proponho quando, horas tardias,

Em vez de harmonias, encontro bisonho

*

 

Um tempo a que oponho sons e melodias?

Sim, houve avarias, mas não me envergonho

Das coisas que sonho. Se roubas fatias

*

 

Dessas fantasias de mel e medronho,

Depressa reponho quantas me desvias

Que entre as sombras frias me adentro e me exponho.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2019 – 21.16h

 

soneto tardio (1).jpg

01
Jul22

QUEM ISTO EM SI SENTE

Maria João Brito de Sousa

- oEIRAS, eVENTO NAS PALMEIRAS, POESIA, 2021 (1).jpg

QUEM ISTO EM SI SENTE
*

 

Nós que cultuamos as sonoridades

E expomos verdades nos versos que ousamos,

Que nos desnudamos de culpa e vaidades

Derrubando as grades contra as quais chocamos,
*

 

Nós que aqui nos damos em espanto e vontades

Nas cumplicidades de quanto sonhamos,

Saudáveis, insanos, com ou sem saudades,

Nos campos, cidades ou onde estejamos,
*

 

Nós, os que criamos compulsivamente

Roçando a tangente dos limites nossos

Com nervos e ossos que, subitamente,
*

 

Crescem qual semente e nos tornam colossos

Que em vez de destroços voltam a ser gente...

Quem isto em si sente, pode quanto eu posso!
*

 

Mª João Brito de Sousa

01.07.2022 - 14.30h
***

Aos poetas em geral e aos sonetistas, em particular.

30
Jun22

ABRAM ALAS!

Maria João Brito de Sousa

abram alas (1).jpg

ABRAM ALAS!
*

 


"De gestos sem graça ou de traços grosseiros"

Não quero, garanto, ser perpetradora

E tão pouco quero versos embusteiros

Que apenas galopem à força de espora
*

 


Desdenho os encómios que são traiçoeiros,

Qual gato escondido c`o rabo de fora

Mas cultivo os cactos, embora em canteiros,

Que comigo trouxe das matas de outrora...
*

 


Se glórias não quero prás C´roas que teço,

É certo que gosto que as leiam, confesso,

Embora sozinha nem tente engendrá-las
*

 


Mas se acaso entendo virar do avesso

Poema que eu queira findar no começo,

Ao génio da Musa recorro: Abram alas!
*

 


Mª João Brito de Sousa

30.06.2022 - 13.00h
***


Poema concebido a partir do último verso do soneto NÃO QUERO, de MEA (Maria Encarnação Alexandre) 

30
Mai22

CRONOLOGIA

Maria João Brito de Sousa

chronology (1).jpg

CRONOLOGIA
*

 

"Sem lugar seguro ou presença de abraço"

Morre enfim o laço que enlaça o futuro

Ao bater num muro que se ergue no espaço,

No final de um traço tão curto quão duro
*

 


Sempre assim foi, juro!, e se me embaraço

No caminho lasso de um percurso obscuro,

É porque procuro saber por que o faço,

Por que, passo a passo, mais me ergo e me curo
*

 


Quando tanto aturo para andar por cá...

Mas se ao deus-dará espalho os meus "tesouros"

Por cristãos ou mouros servidores de Alá,
*

 


Quer vá, quer não vá ouvir desaforos,

Só lhes deixo esporos. São tudo o que dá

Este meu chão já despojado de toros...
*

 

 

Mª João Brito de Sousa

29.05.2022 - 13.40h
***

 

Soneto criado a partir do último verso do soneto FOLHA DE TEMPO de MEA

23
Mai22

NUNCA DESENCANTES UM SAPO! Reedição

Maria João Brito de Sousa

 

não beijes o sapo.jpg

NUNCA DESENCANTES UM SAPO!
*


Quebra-se a magia do beijo assombrado

Que magicamente faz, do sapo, humano...

Quanta angústia emerge, quanto desengano

Pra quem fora um simples sapo descuidado!
*

 

Vá lá! Nunca beijes um sapo encantado!

Lembra-te que podes causar-lhe tal dano

Que o pobre batráquio, de bichito ufano,

Passe a ser humano. Coitado, coitado!
*

 

Pobre desse sapo que estando inocente

De culpa, de intriga, de ódio e de traição,

Se torna consciente das falhas que tem
*

 

Quando, por um beijo, se transforma em gente

E perde inocência. Que desilusão...

Tu, quando o beijaste, sabia-lo bem!
*

 

Maria João Brito de Sousa

19.06.2008 - 08.53h

***

 

Reformulado

01
Out21

O REPICAR DOS SINOS

Maria João Brito de Sousa

Picasso.jpg

O REPICAR DOS SINOS
*


Às vezes, ao longe, nos dias mais claros,

Oiço esses teus sinos celebrando a vida,

Noutros, o silêncio dos dias avaros

Impõe-se à toada quase emudecida.
*


Se um corpo atingido por estranhos disparos

Se curva dorido e lambe a sua f`rida,

Geme castigado, teme os desamparos,

Já nem escuta os sinos, procura é guarida...
*


Assim acontece com musas, também;

Quando estão magoadas não ouvem ninguém,

Fecham-se em si próprias até, sei lá quando,
*


Com harpas, com flautas ou com violinos,

Correrem pra nós. Repicam os sinos

Que abafam as mágoas que nos vão sobrando!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 20.09.2021 - 17.00h

*

Trabalho inspirado no soneto, também em verso hendecassilábico, "Tocarei os Sinos" da autoria de MEA

*

Imagem - Tela de Pablo Picasso

14
Fev21

PERGUNTO AOS PARDAIS...

Maria João Brito de Sousa

PERGUNTO AOS PARDAIS.jpg

PERGUNTO AOS PARDAIS...
*

 

"Se nem sequer tenho a sua liberdade",

Roubam-me a vontade que tão só mantenho

Quando este desenho das mãos se me evade

Tal como a saudade dos tempos de antanho...
*


Que normal tão estranho! Será de verdade?

Que impalpável grade sem cor nem tamanho

Cobre este rebanho, esta humanidade

Morta de ansiedade que agora acompanho
*


Como se fosse anho? A vós que voais,

Por não poder mais, perguntarei agora

E não vou embora sem que respondais;
*


Vós, simples pardais, voareis por quem chora

Os dias de outrora que vós nem lembrais?

- Queres saber demais!, esclarece-me a demora.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 12.02.21 - 20.00h

*

Soneto criado a partir do último verso do soneto PÁSSAROS da autoria de Joaquim Sustelo.

03
Fev21

MULHER

Maria João Brito de Sousa

M. R. de Pavia.jpg

MULHER
*


Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos

Trazendo nos olhos sorrisos e penas...

Como esta há centenas, encontram-se aos molhos

Por entre os restolhos, louras e morenas.
*

Marias e helenas que contornam escolhos,

Com ou sem piolhos, virtuosas, obscenas,

São como açucenas; a chave e ferrolhos

Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas
*


Derrubam empenas, são donas das ruas,

Das marés, das luas... Em todos os astros

Ergueram os mastros das coisas mais suas
*


E sempre assim, nuas, deixaram seus rastos

Nos muros dos castros, no chão das faluas

E até no que intuas dos seus corpos gastos.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 03.02.2021 - 14.04h
***

Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.

02
Out20

TECENDO MEMÓRIAS

Maria João Brito de Sousa

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TECENDO MEMÓRIAS
*


Touquinha de renda e botinhas de lã,

Bem mais que uma irmã, vi nela uma prenda

Que sem encomenda chegara bem sã

E certa manhã se me dera em of`renda.
*

 

A quem não entenda ternura tão sã

Ou a julgue vã e a não compreenda,

Peço que suspenda a versãozinha chã

Da eterna maçã concebida pra venda;
*

 

Pode ser merenda prá minha memória,

Mas é outra a história desta tecedeira,

Velha fiandeira da causa ilusória

*

 

Que fia sem glória e de uma outra maneira

Cinzas de lareira numa trajectória

Tão contraditória quanto verdadeira.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 02.10.2020 - 12.00h

 

IMAGEM - "Le Berceau", Berthe Morisot

14
Set17

MEMÓRIA(S) DO NÁUFRAGO-PERFEITO

Maria João Brito de Sousa

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MEMÓRIAS

DE UM

NÁUFRAGO PERFEITO
*

 

Do vento que sopra, da proa que afunda,

Do mastro partido, do leme encravado,

De ouvir os gemidos do velho costado

Da barca que oscila, bojuda, rotunda,
*

 

Na crista da onda, no mar em que abunda

Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,

Escondido na espuma, submerso, acoitado

Em água que a Barca julgava profunda...
*

 

De tudo me lembro, se bem que já esteja,

No tempo passado, submerso também

E seja esta imagem longínqua o que eu veja
*

Da Barca que afunda nos sonhos de alguém,

Apenas a sombra que passa e festeja

Não ser verdadeira, nem ser de ninguém.
*

 


Maria João Brito de Sousa

11.01.2017 - 10.52h

***
(Soneto em verso hendecassilábico)

 

Ao meu avô poeta, António de Sousa

 

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