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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Dez11

SEI LÁ QUANDO....

Maria João Brito de Sousa

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É de longe que venho. O que eu vivi!

 

Quantos prados eivados de ribeiras,

 

Quantos penhascos, quantas ribanceiras

 

E quanto esconso vale eu não corri

 

 

 

E o que passou correndo e que nem vi,

 

Na pressa de correr? Entre carreiras,

 

Se perdem forças, se ganham canseiras,

 

Se esquece tanto quanto eu já esqueci.

 

 

 

Às vezes muito tarde, noite afora,

 

Esperando a madrugada, como agora,

 

De pálpebras cerradas, mas sonhando,

 

 

 

Outras vezes de dia, a qualquer hora,

 

Grafando a irreverência da demora

 

Nalgum  quase insondável “sei lá quando”…

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 13.12.2011 – 21.16h

 

 

 

Imagem de um dos megalitos da Ilha de Páscoa, retirada da internet

 

10
Dez11

RETRATO DE MANADA ATRAVESSANDO UMA ESTRADA ou NOVOS SENTIDOS PARA VELHAS ESTRADAS

Maria João Brito de Sousa

Mui paulatinamente, uns três ou quatro,

Irão adiantando a caminhada

Usando da prudência e do recato

Comum à persistência da manada...

 

Passaram já as águas de um regato,

Estão perto de uma via alcatroada

E alguns já vão pisando a velha estrada

Assim que alguém lhes tira este retrato...

 

Os carros, que são poucos, vão parando

E os cascos vão cobrindo o duro asfalto

Conforme a via inteira vai ficando

 

Recoberta de dorsos coloridos,

Como se a natureza, em suave assalto,

Tentasse dar à estrada outros sentidos...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 10.12.2011 - 14.49h

 

 

Imagem "descoberta" na net

06
Dez11

ALENTEJO II

Maria João Brito de Sousa

Ó terra de oiro antigo e céu sem fim

Pontilhada de verde e de castanho,

Eu quero-te sem prazo e sem tamanho

Com este querer maior que existe em mim

 

Terra de ervas e flores, como um jardim

Espraiando-se orgulhoso em chão de antanho

E onde o corpo móvel de um rebanho

Nos surge e se nos deixa ver, assim.

 

Que o teu povo magoado te acrescente

Os laços sempre férteis da semente

E possa eternizar-te no seu  "cante "

 

Que a tua voz se eleve eternamente,

Que sempre seja livre a tua gente

E que haja em ti fartura a cada instante!

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa  06.12.2011 - 15.21h

 

Reformulado a 22.11.2015

 

 

Imagem do Alentejo, retirada da internet

20
Nov11

SONETO A UMA MARIA SEM CAMISA

Maria João Brito de Sousa

… e quando, um dia, o mar vier beijar

A luz desse luar que te ilumina

E se afundar, depois, na areia fina

Das praias desenhadas, só de olhar,

 

Não terá sido em vão esse cantar

Que ecoa em ti, que desde pequenina

Entoas no dobrar de cada esquina

Das ruas que pudeste visitar

 

Porque soubeste, em ti, salvaguardar

O estranho encantamento da menina

E, ultrapassando a mágoa que te mina,

 

Pudeste, em consciência, não vergar,

Mantendo-te intocada e feminina

No sopro original que assim te anima

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 20.11.2011 – 16.00h

12
Nov11

CANSEI-ME...

Maria João Brito de Sousa

Cansei-me de pedir-te ao tempo irado…

Cansei-me de chamar-te e, se chamei,

Foi soprando palavras que nem sei

Se o tempo as entendeu, se as pôs de lado…

 

Chegaste, enfim, mas longe do cuidado

De cuidares deste quanto me cansei,

Quiseste impor-me o esforço de outra lei

Ao meu corpo poema-emancipado...

 

Não terei, hoje, a força pr`a mudar-te

E escrever-te é melhor que desprezar-te

Depois de tanto inútil chamamento,

 

Mas há-de vir o dia em que chamar-te

Não mais será preciso e condenar-te

Não fará mais sentido que um lamento...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.11.2011 – 13.41h

22
Out11

O ABRAÇO DA LUZ DO MEU POENTE

Maria João Brito de Sousa

Dei-te um mar inocente e virginal,

Mas telúrico e quase incandescente,

A brotar desse anseio universal

De ser muito mais mar do que era gente

 

E nesse mar selvagem, sensual,

Da onda mais revolta e mais urgente,

Não soubeste deixar-me outro sinal

Pr`além do gene instável da semente…

 

De quanto mergulhaste, vertical,

Assim que o sol, a pino, se fez quente,

Perdeu-se-te a mensagem, no final,

 

E, enquanto o sol se põe, mesmo à tangente,

Eu crio, noutro mar mais ficcional,

Cada raio de luz do meu poente...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 22.10.2011 – 15.00h 

 

 

16
Out11

UM TUMULTO A SUBIR DAS PROFUNDEZAS

Maria João Brito de Sousa

 

 

Hoje, nem bem, nem mal, nem coisa alguma…

Nem o silêncio impôs a reflexão,

Nem um murmúrio só, dizendo "não"

Às minhas mãos cerradas como bruma

 

E dispersa-me a onda nesta espuma

Como se, ao ser negada uma razão,

Tudo se reduzisse à dimensão

Das lutas que se perdem, uma a uma…

 

Hoje… nem bem, nem mal! Ninguém diria

Que ontem saiu à rua a rebeldia

Vestida com as cores de mil certezas,

 

Porque hoje, ao acordar, nada se ouvia

(... mas, quem estivesse atento, sentiria

um tumulto a subir das profundezas…)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.10.2011 – 16.32h

 

 

10
Out11

SONETO A UM VERSO QUE FICOU POR ESCREVER

Maria João Brito de Sousa

 

 

Usado e gasto ou novo e displicente,

Tenho-te aqui, neste onde que nem sei,

No poema em que te prendo, esse imprudente

Que te irá dar bem mais do que eu te dei,

 

Mas perco-te depois, num gesto urgente

Em que abro mão daquilo que engendrei,

E vendo-te voar – quem me desmente? –

Descubro que não mais te encontrarei...

 

Quem és, quem és, se nem mesmo eu souber

Prender-te nos meus braços de mulher

Dando uma voz à voz que tu não tens?

 

Serás verso que teima em se perder,

Ou talvez sejas tudo o que eu quiser

Por mais que eu nunca saiba de onde vens...

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 10.10.2011 – 21.11h

 

 

 

Imagem retirada da Internet, via Google

04
Out11

COM A VOZ QUE TRAZEMOS NAS MÃOS

Maria João Brito de Sousa

Nestes punhos magoados que se cerram

Por causas bem mais fortes do que a dor,

Eu trago estas palavras que se elevam

Como as de outro qualquer trabalhador

 

E, se morrer sem voz porque me enterram

Tentando refrear o meu ardor,

Jamais terei traído os que delegam

A voz na voz de quem lhes dá valor!

 

Ah, nunca mais o medo a meias-vozes!

Nunca mais submissão aos tais algozes

Que estão escavando abismos financeiros

 

Entre um punhado de bem “recheados”,

E os restantes milhões de injustiçados

Que o capital transforma em prisioneiros!

 

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.10.2011 – 02.18h

 

 

IMAGEM DA MANIFESTAÇÃO DA CGTP DE 1 DE OUTUBRO DE 2011, retirada da net, via Google

29
Jul11

MEMÓRIAS DE UMA FLOR À BEIRA MAR

Maria João Brito de Sousa

 

Floriram meus amores em plaga incerta

Quando um botão de cravo, a despontar,

Irrompeu pelas dunas de luar

Do dealbar da minha descoberta

 

Eu debruçada e já janela aberta

Sobre aquilo que estava por chegar,

Relembro, dessa praia, o mesmo mar

Que me induzira em tão premente alerta

 

Pois, no desabrochar de cada flor,

Há um tempo de riso e outro de dor,

Um para receber, outro pr`a  dar;

 

Um tempo só de pétalas e cor

E outro de recordar um velho amor

A que nem mesmo a flor soube escapar.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 29.07.2011 – 16.24h

 

 

 

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