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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
25
Nov22

SE A NAVALHA NOS FALHA, OSCILA E CAI - Reedição

Maria João Brito de Sousa

se a navalha nos falha....jpg

SE A NAVALHA NOS FALHA, OSCILA E CAI
*


Se, no fio da navalha caminhando,

A navalha nos falha, oscila e cai,

Sem um suporte, tudo se nos vai

E sem asas, nem chão vamos ficando...
*


A que nos agarramos se, oscilando,

Até o gume, de repente, trai

Aquilo que nos nega e que subtrai

Ao pouco que antes fomos avançando?
*


A própria Musa, desasada fica,

A corda, retesada, já não estica

E os versos, um a um, caem também
*


Da tal pauta invisível que os prendia

Ao fio duma navalha que os servia

E que não serve agora a mais ninguém.
*

 


Maria João Brito de Sousa

11.01.2019 – 12.16h
***

 

24
Nov22

OBITUÁRIO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

obituário.jpeg

OBITUÁRIO
*

 

Morri, segundo fonte oficial...

A (a)creditada folha assim me informa

Num breve obituário de jornal

De pequena tiragem, como é norma.
*

 

Esfrego os olhos! Duvido! É natural

Que apesar de não estar em grande forma,

Me revolte e entenda que está mal

Morrer sem ter gozado da reforma
*

 

Leio de novo. Não, não era um erro,

Podia ler-se a data do enterro:

"Rebéubéu, zaz-traz-paz, tantos de tal".
*

 

Sem pressas, cerro um olho. Ao outro o cerro...

Contudo, o meu cadáver, mesmo perro,

Ergue-se e escreve o verso terminal.
*
 


Maria João Brito de Sousa

17.07.2018 – 15.46h
***

23
Nov22

CATIVEIRO

Maria João Brito de Sousa

Cativeiro.jpg

CATIVEIRO
*


Como meridiano-de-mulher

Na divisão do Ser em hemisférios,

Sou o imponderável dos mistérios

Que explica o seu mistério a quem quiser
*

 

Falo a quem me entender, a quem souber

Dentro de si achar outros impérios,

Se farto das prisões e cemitérios

A que a futilidade os quis prender
*


Falar-vos-ei de um tempo-antes-do-tempo

Bem como dos futuros-infinitos

Que ainda estão por vir no mundo inteiro
*

 

E de um maior, mais justo entendimento...

 Tudo quanto se ler nestes escritos

Nasceu da liberdade em cativeiro.
*

Maria João Brito de Sousa

14.05.2008 - 02.53h
***

(Poema ligeiramente reformulado)

09
Nov22

O CAPITAL

Maria João Brito de Sousa

capital.jpeg

O CAPITAL
*


Poemas que vos dizem quanto sei

Em versos que vos falam do que penso

E que vão descrevendo o contra-senso

Dessa temeridade em que me dei
*

Descritivo fiscal de quanto herdei

Livre de selo, imposto e emolumentos,

Será pena remível por tormentos

Mas sem taxas impostas pela lei
*


Minha vasta fortuna legarei

E enquanto vou escrevendo o testamento

Crescem-me os bens além do que sonhei
*


É na soma dos versos que engendrei,

Aqui legalizada em documento,

Que cresce o capital que acumulei!
*

 

Maria João Brito de Sousa


In Poeta Porque Deus Quer,

Autores Editora, 2009
***

(Reformulado)

05
Nov22

PERFIL - Reedição

Maria João Brito de Sousa

ÉDIPO - 1999.jpeg

PERFIL - Reedição
*


Não recorda o que fez. O que não fez

Ficou escrito nas horas de outros dias,

Perdido nas ingénuas fantasias

De um tempo em que vivia de porquês...
*

De mais nada se lembra... Só, talvez,

Das desoras remotas e tardias,

Em que o moviam estranhas ousadias

E em que vivia, num só dia, um mês
*

Parte sem o saber. Esse é, decerto,

O fruto que plantou no chão deserto

Em que o seu dia a dia se tornou...
*

Na perspectiva holística do ser,

Decerto se lembrou de o não colher,

Mas de o esquecer de vez, não se lembrou.
*

 

Mª João Brito de Sousa

Janeiro 2010
***

(poema reformulado)

02
Nov22

AO LONGO DE MIM

Maria João Brito de Sousa

1972 A (1).jpg

AO LONGO DE MIM
*

Nesse tanto de mim que te ofereci
No breve/longo instante em que fui tua,
E, filha de ninguém, irmã da lua,
De mim me despojei pra ser em ti
*

Foi ao longo de mim que recebi
O que de ti nasceu em mim que, nua,
Calava a solidão imensa e crua
Das horas de encantar que em ti perdi
*

E se ao longo de mim nunca encontraste
Quanto havia de meu pr`além de mim
Porquanto te afastaste do meu eu
*

Vê que ao longo de mim também mudaste
E se não me encontraste até ao fim
Foi porque procuraste um fim só teu.
*


Maria João Brito de Sousa

Outubro 2009
***

(Poema reformulado)

01
Nov22

A GESTAÇÃO DO POEMA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Mátria (1).jpg

A GESTAÇÃO DO POEMA - Reedição
*


Onde o soneto ferve, o verso é brando:
Suavemente desliza em rota (in)certa
Tal qual fora encontrada a porta aberta
Da prisão que ao tolhê-lo o foi domando
*

Ninguém lhe tente impor voz de comando
Que só a ele cabia estar alerta
Ao partir, decidido, à descoberta
De não se sabe o quê, nem como ou quando
*

Suavemente partiu… mas foi ficando
E só sei que o criei porque é criando
Que entendo que o que fiz valeu a pena
*

E que acredito, nunca acreditando,
Poder chegar além do que, sonhando,
Alcancei na vertigem de um poema.
*


Maria João Brito de Sousa

09.07.2012 – 18.48h
*

(soneto ligeiramente reformulado)
***

31
Out22

(COM)PASSOS COM PÉ

Maria João Brito de Sousa

15350438_1404734159551194_2443628043079546835_n.jpg

(COM)PASSOS COM  PÉ
*


Meu canto é livre e corre mais que o vento,

Que a música não prende, antes liberta

Essa força a que alguns chamam talento

E outros chamam Musa ou chama incerta
*


Pode o compasso ser mais turbulento,

Ou ir pé-ante-pé à descoberta

De um som que o encha de contentamento

E da cadência exacta que o desperta
*


Pra que a ideia flua e não tropece

Nas armadilhas que a linguagem tece,

Tem de ser o ouvido o seu maestro
*


E assim toca a orquestra a sinfonia

Que uma ideia componha em sintonia

Com algo a que eu, teimosa, apodo de Estro.
*


Mª João Brito de Sousa

31.10.2022 - 10.45h
***

20
Out22

PUDESSE EU SER O MAR

Maria João Brito de Sousa

Eu a nadar em Tomar, Hotel dos Templários (2).jpg

PUDESSE EU SER O MAR
*


Pudesse eu ser o mar em que navega

A minha Musa errática e distante,

Ou no mar naufragar seguindo avante,

Alcançar quanto a Musa me não nega...
*


Pudesse eu ver, conquanto estando cega,

Ao longe a minha Musa navegante

E estando surda ouvir o som cantante

Da partitura que hoje se me nega
*


Mas, vendo, nem sinal da Musa vejo

E, ouvindo, tudo o que oiço é o meu Tejo

A perder-se no mar onde eu, perdida,
*


Tento avistar ou Musa, ou partitura,

E nada encontro, tanta é a lonjura,

Tal a imensidão do mar da Vida...
*


Mª João Brito de Sousa

20.10.2022 - 12.00h
***
***

19
Out22

A MENTIRA

Maria João Brito de Sousa

ferreiro (2).gif

Imagem retirada daqui

 

A MENTIRA
*


Levo à bigorna o ferro incandescente

Da palavra mentira. A fundição

Que a fez chegar ao ponto de fusão

Tornou-a numa massa incandescente
*


Mas nem fundida se torna inocente

Pois veste a capa da contradição

E insiste em iludir-nos a razão

Ao afirmar sentir o que não sente
*


Que sempre que a mentira se agiganta

E deixa de ser pouca pra ser tanta

Que alastra e contamina a Terra inteira
*


Não há fogo, nem malho, nem bigorna

Que a possam anular, que ela retorna

E consegue passar por verdadeira.
*

 


Mª João Brito de Sousa

19.10.2022 - 10.30h
***

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