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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Mai18

PASSANDO AO LADO

Maria João Brito de Sousa

cachorro-pode-conviver-com-gato.jpg

 

“PASSANDO AO LADO”





E quando mal se dorme porque a dor

Teimou a noite inteira, acrescentou-se

E, conseguindo levar a melhor,

Deixou dentro de nós a dor que trouxe,



Não há espaço pra sonho, ou chão pra flor;

Já nada é espanto, nada é pêra-doce

E tudo, analisado ao pormenor,

Parece um pesadelo. Antes o fosse!



Mas pesa-me, este longo desabafo;

Não tenho a fina lira que tem Safo,

Nem as paixões soberbas de Florbela.



Poeta de aço vivo e já tardia,

Subtraio à dor um pouco de ironia,

Passo-lhe ao lado e... já nem dou por ela!





Maria João Brito de Sousa – 19.05.2018 – 09.08h





 

24
Jan18

UM CANTINHO PARA OS AMIGOS VERDADEIROS

Maria João Brito de Sousa

coração.jpg

 

Cantos não te of`reço que os trago ocupados;

Por todos os lados está já transbordando

Esse órgão sem mando que mos traz guardados,

Mesmo empoeirados, velhos, caducando,



Mas vai-me sobrando lugar noutro lado;

Num tempo passado que fui resgatando

Pensando num quando jamais exp`rimentado,

Um espaço asseado, limpinho, brilhando.



Será um cantinho, mas sobra-lhe espaço,

Abriga um abraço, abriga um carinho,

Serve-te de ninho, mata-te o cansaço...



Of`reço e se o faço, não ficas sozinho;

Há estantes de pinho, de papéis, um maço,

E o resto - tão escasso... - são lençóis de linho.

 



Maria João Brito de Sousa – 24.01.2018 – 12.24h

 

 

NOTA - Soneto escrito a propósito do poema "Soneto Datílico", de Albertino Galvão.

 

09
Out17

SONETO A PRETO E BRANCO

Maria João Brito de Sousa

soneto a preto e branco.jpg

 

Escuridão que te exaltas, arrojada,

no sincelo da carne em que me sou,

mesmo quando de meu não tenho nada,

por mais que nada seja o que te dou,

 

Tens sido sempre a cor da minha estrada

e a noite que os cabelos me enfeitou

quando ao longo da longa caminhada,

nela cresci e o mais me abandonou.

 

Se és ausência de cor, o que me importa?

Serei da mesma cor, que dizem morta,

mas amo a Vida mais do que ninguém

 

E afirmo que nenhuma cor conforta

tanto quanto este negro que recorta

palavras sobre o branco que as contém.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.10.2017 – 12.07h

 

13
Set17

RUAS

Maria João Brito de Sousa

casas em ruinas.jpg

 

(Soneto em verso alexandrino)





Adoro, ao pôr-do-Sol, ver a noite cair

Sobre esta minha rua, esta rua onde moro,

E por sobre a calçada amada ver surgir

Em raios de luar a luz com que a decoro.

 

Amanhã, se acordar, hei-de vê-la a florir!

Há sempre um “se” eu sei, mas nunca, nunca choro,

Tal como nunca sei se irei, ou não, mentir,

Dizendo não pedir, pois nunca nada imploro.

 

Passa a noite a correr. Nem dei por que passasse

Conquanto a sono solto um sonho cavalgasse...

E, quanto à rua amada, amor, vejo-a sem ti,

 

Pois por mais que no sonho ansiosa o procurasse

Não mais vi, nesta rua, abrigo que abrigasse...

Rua da qual gostasse, amor, não mais a vi.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 12.09.2017 – 08.29h







 

12
Set17

A PAUTA INVISÍVEL

Maria João Brito de Sousa

Paz.jpg

 

Pr`a mim, perde o soneto o seu sentido

Se não sintonizar o que escrever

Com algo que sussurra ao meu ouvido

A toada que o faz poema ser,



Portanto nada dou por garantido;

Só criarei se o ritmo o preceder,

Impondo-se, em sentido proibido,

A quanto possa estar-me a acontecer...



Jamais admitirei um desmentido,

A não ser que me venha a arrepender

Caso o verso bloqueie, retraído,



Ou aconteça a pauta emudecer ...

Nesse caso, a razão terei perdido

E nem mais um soneto irá nascer.







Maria João Brito de Sousa – 11.09.2017 – 17.17h

20
Ago17

O CONVITE II

Maria João Brito de Sousa

CONVITE PARA JANTAR.jpg

 

(Soneto de métrica imperfeita/irregular)



Porque chegaste desequilibrado,

Porque partiste sem te equilibrar

E, tropeçando em teu passo apressado,

Me convidaste sem me convidar?



Porque me deste um beijo descuidado,

Porque me amaste sem nunca me amar,

Porque deixaste este cheirinho a fado

E bossa-nova, quase a combinar?



Se foi convite, chegou-me atrasado,

Se foi adeus, esqueceu-se de acenar

E foi-se embora quase envergonhado



Para não ter de ouvir-me perguntar;

Como é que pode alguém, sem ter voltado,

Dar-me esta sensação de por cá estar?

 



Maria João Brito de Sousa – 19.08.2017 – 08.31h

 

 

06
Ago17

UM MOSQUITO NO COPO DO LEITE II (Em setenta e sete palavras)

Maria João Brito de Sousa

mosquitos II.jpg

(em verso heróico)



Olho o copo de leite que aquecera

E emito logo involuntário grito,

Porquanto, nesse copo, acontecera

Boiar um desgraçado dum mosquito!

 



Sem saber por que raio se metera

Esse insecto no leite que ora fito,

Penso: - Quando mosquito assim se esmera,

Fica qualquer humano apoucadito!

 



Em leite, nunca nado... e sou mulher!

Como pode um flebótomo fazer

Tamanha veleidade, ousar assim?

 



Talvez tenha pousado pr`a beber,

Mergulhando depois, sem perceber

Que esse leite era apenas para mim...

 





Maria João Brito de Sousa – 06.08.2017 – 13.10h

 

Imagem retirada do Google

 

08
Jun17

CALADA

Maria João Brito de Sousa

CALADA.jpg

 Não mais me prende o Tejo e nem o mar,

De que ao longe vislumbro um quase nada,

Faz por manter-me alegre ou minorar

As penas de uma morte anunciada.



É tarde. É muito tarde pr`a sonhar

E quando um sonho vai, não sobra nada,

Ou sobra-me, acoplado ao que sobrar,

Este sentir-me presa e derrotada.



No entanto, criei. Se ousei criar,

Se fui rebelde, persistente, ousada,

Tive um tesouro e cabe-me aceitar



Ter sido pela musa abandonada,

Ter já perdido a força pr`a cantar

E a sorte de ir morrendo, assim, calada.





Maria João Brito de Sousa -08.06.2017 - 19.21h

 

17
Mai17

DO FUNDO DE MIM

Maria João Brito de Sousa

Oscar-Bluemner-Death.JPG

 

Mais fundo, neste poço tão sem fundo,

Mergulho a cada dia em que não vivo

E sinto-me, no fundo, um ser cativo

Que vai dizendo adeus à vida, ao mundo.

 

Perdida da palavra – e nela abundo… -,

De quanta poesia hoje me privo,

Resta-me este mal estranho, consumptivo,

Voraz, perverso, vil, nauseabundo…

 

E sonhei eu escrever até ao fim,

Quando, afinal, a morte chega assim,

Pé-ante-pé, esmagando a pouco e pouco

 

Os frutos que medravam no jardim

Que andava a cultivar dentro de mim,

Em vez de, abrupta, desferir-me um soco.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 17.05.2017 – 11.57h

 

Imagem - Tela de Oscar F. Bluemner

21
Abr17

MATÉRIA-PRIMA

Maria João Brito de Sousa

13373039261.jpg

 

Não são de prata fina, ouro-de-lei,

De jade, madre-pérola ou diamante,

Mas da lava insurrecta, inquietante,

Do verbo em que te deste, em que me dei,



Os versos, tantos quantos semeei

No torrão duma urgência, a cada instante

Da premência tão mais desconcertante,

Quão mais distante o tempo em que os plantei.



Não espero o fruto frágil, rendilhado,

Trágico, maneirista ou delicado;

Quero o verbo assumindo o linho puro



Do fruto firme, forte e já trincado,

Da terra, quando a rasga cada arado,

E do trigo dourado e já maduro.





Maria João Brito de Sousa - 21.04.3017 -16.35h








 

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