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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
28
Out22

NA ENXURRADA

Maria João Brito de Sousa

23800107_1760561130635160_2124467080509654599_o.jpgico

NA ENXURRADA
*


Nas veias do tempo, correm vida e morte,

Ambas em desnorte e ao sabor do vento

E ouve-se um lamento, ora suave, ora forte,

Conforme o recorte do seu sofrimento...
*


Arde em fogo lento sem que alguém se importe

Esse que anda à sorte por não ter sustento

E eu que o não fomento, nem lhe sou consorte,

Dar-lhe-ei suporte? Não posso, mas tento
*


Já que me apresento pra representá-lo

Porque de si falo tendo eu quase nada

E se, despojada, não posso ajudá-lo
*


Posso bem escutá-lo e senti-lo, magoada...

Vou na enxurrada, não posso evitá-lo,

Mas porque o não calo, não morro culpada.
*


Mª João Brito de Sousa

28.10.2022 - 10.00h
***

28
Jul22

SONETO TARDIO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

SONETO TARDIO

 

*

Mergulhei no sonho das alegorias

Já que de energias e sons me componho,

E o tempo é risonho se der garantias

De enfrentar fobias sem medo ao medonho.

*

 

Hoje pressuponho que, ao longo dos dias,

De conchas vazias, apenas, disponho...

Que mais me proponho quando, horas tardias,

Em vez de harmonias, encontro bisonho

*

 

Um tempo a que oponho sons e melodias?

Sim, houve avarias, mas não me envergonho

Das coisas que sonho. Se roubas fatias

*

 

Dessas fantasias de mel e medronho,

Depressa reponho quantas me desvias

Que entre as sombras frias me adentro e me exponho.

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 21.05.2019 – 21.16h

 

soneto tardio (1).jpg

01
Jul22

QUEM ISTO EM SI SENTE

Maria João Brito de Sousa

- oEIRAS, eVENTO NAS PALMEIRAS, POESIA, 2021 (1).jpg

QUEM ISTO EM SI SENTE
*

 

Nós que cultuamos as sonoridades

E expomos verdades nos versos que ousamos,

Que nos desnudamos de culpa e vaidades

Derrubando as grades contra as quais chocamos,
*

 

Nós que aqui nos damos em espanto e vontades

Nas cumplicidades de quanto sonhamos,

Saudáveis, insanos, com ou sem saudades,

Nos campos, cidades ou onde estejamos,
*

 

Nós, os que criamos compulsivamente

Roçando a tangente dos limites nossos

Com nervos e ossos que, subitamente,
*

 

Crescem qual semente e nos tornam colossos

Que em vez de destroços voltam a ser gente...

Quem isto em si sente, pode quanto eu posso!
*

 

Mª João Brito de Sousa

01.07.2022 - 14.30h
***

Aos poetas em geral e aos sonetistas, em particular.

30
Mai22

CRONOLOGIA

Maria João Brito de Sousa

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CRONOLOGIA
*

 

"Sem lugar seguro ou presença de abraço"

Morre enfim o laço que enlaça o futuro

Ao bater num muro que se ergue no espaço,

No final de um traço tão curto quão duro
*

 


Sempre assim foi, juro!, e se me embaraço

No caminho lasso de um percurso obscuro,

É porque procuro saber por que o faço,

Por que, passo a passo, mais me ergo e me curo
*

 


Quando tanto aturo para andar por cá...

Mas se ao deus-dará espalho os meus "tesouros"

Por cristãos ou mouros servidores de Alá,
*

 


Quer vá, quer não vá ouvir desaforos,

Só lhes deixo esporos. São tudo o que dá

Este meu chão já despojado de toros...
*

 

 

Mª João Brito de Sousa

29.05.2022 - 13.40h
***

 

Soneto criado a partir do último verso do soneto FOLHA DE TEMPO de MEA

30
Mar22

NA RUA ONDE EU MORO

Maria João Brito de Sousa

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NA RUA ONDE EU MORO
*


"Na rua onde eu moro um piano a tocar"

Sem nunca abrandar o seu amargo choro,

Faz, se me enamoro, meus olhos chorar

Quando a soluçar com ele faço coro
*


E desponta um esporo sob a luz lunar

Pronto a enraizar no que é do meu foro

Sem qualquer decoro, sem sequer cuidar

De o remodular noutro espectro sonoro
*


Na rua onde eu moro, num piano inventado

Sem som, sem teclado, sem cauda nem banco,

Só ao sonho arranco notas de algum fado
*


Gemido e magoado ou álacre e franco

Mas sem dar-me o flanco se desafinado

O tiver deixado quando o alavanco...
*

 

Mª João Brito de Sousa

29.03.2022 - 23.30h
***


Soneto criado a partir do verso inicial (entre aspas) do poema homónimo de Márcia Aparecida Mancebo

in Horizontes da Poesia

15
Nov17

NEM VIVA, NEM MORTA...

Maria João Brito de Sousa

Nem viva nem morta.jpg

 

Não jogo, não jogo, não jogo nem morta!

Retiro-me absorta, não brinco com fogo!

Se quase me afogo na maré mais torta,

A Barca suporta tudo o que lhe rogo,

 

Porque, logo, logo, me salva e conforta,

Abrindo-me a porta, vencendo outro jogo,

Nunca o que me arrogo... esse pouco importa,

Nem viva, nem morta, lhe aceito o regougo!

 

Ó Barca cativa das minhas algemas,

Guarda-me, não temas as penas que eu viva

Se a sorte me priva de embalar poemas

 

Mantém-te passiva nas tardes amenas,

Sonha com fonemas na noite furtiva,

Mas sê sempre altiva; não cedas, nem tremas!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.11.2017 – 17.05h

 

 

NOTA - Soneto em verso hendecassilábico, rima encadeada e acentuação tónica na quinta sílaba métrica.

 

08
Nov17

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

Maria João Brito de Sousa

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(Soneto em verso hendecassilábico e rima encadeada)

 

 

Castelos na praia... quem lhes reconhece

Aval que se aprece em direitos de autor,

Se feitos de amor e do espanto da prece

Quase me acontece sabê-los de cor?

 

São quase um pendor... quando um desfalece

Logo outro se of`rece e lhe iguala o esplendor

De fruto, ou de flor, que ninguém desvanece

E assim permanece, seja como for!

 

Memórias de infância, de infância remota,

Quem não as anota num canto qualquer

Que o corpo escolher, quando as não derrota?

 

Ressurgem-me em frota, mesmo sem eu qu`rer,

Tomando o poder, mudando-me a rota...

Ah, fazem batota... mas deixo-as viver!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 08.11.2017 – 11.32h

 

 

 

 

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