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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
21
Jan26

PARTIR SEM TER SONHADO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

cravo vermelho (1).jpg

PARTIR SEM TER SONHADO
*

 

Sou apenas um bicho, um bicho humano,

Diurno, persistente, ensolarado,

De corpo estoicamente habituado

À dor do desconforto, ao desengano
*

 

Às coisas que me vão causando dano

E a outras que me vão criando enfado,

Mas comigo convivem, lado a lado,

Ao longo do percurso, ano após ano...
*

 

Se o digo, é por senti-lo e, sem cuidado,

Dispenso-me indagar se, sendo, agrado,

Ou se erro por não ter traçado um plano
*

 

Mas caia, ou não, a nódoa em alvo pano,

Nunca direi que estou sem ter cá estado,

Nem que daqui me vou sem ter sonhado.
*

 

Maria João Brito de Sousa


19.01.2015 -23.45h
***

 

 

13
Jan26

O GRANDE BANQUETE DO SONETO - Reeditado no dia do 18º aniversário deste Blog

Maria João Brito de Sousa

aniversário 2025 grupo (1).JPG

Na pastelaria Paris, no dia do meu septuagésimo terceiro

aniversário

*

O GRANDE BANQUETE DO SONETO
*

- Convite -

*
Bem-vindas ao soneto, ó ruas velhas,
Ó portas antiquíssimas, ó escadas,
Ó casas pela vida abandonadas,
Ó telhados sem gatos e sem telhas
*

É entrar, ó banheiras que sois selhas,
Ó janelas sem vidros nem portadas,
Ó cortinas de tela empoeiradas,
Ó espelho fosco que ainda me espelhas!
*

É entrar verso a verso e com cuidado
Na estrofe que vos cedo por momentos,
Que eu tenho a mesa posta e colocado
*

Sobre a condicional dos meus intentos,
Prontinho, à vossa espera, o meu teclado
E, ao abrigo do sonho, os meus talentos.
*


Maria João Brito de Sousa

12.01.2017 -19.22h
***

 

12
Jan26

NÁUFRAGO PERFEITO

Maria João Brito de Sousa

naufrago perfeito - avô (1).jpg

MEMÓRIA(S) 

DE UM

NÁUFRAGO-PERFEITO
*

*
Do vento que sopra, da proa que afunda,
Do mastro partido, do leme encravado,
Dos roucos gemidos do velho costado
Da barca que oscila, bojuda, rotunda,
*

Na crista da onda, no mar em que abunda
Escolho traiçoeiro que espreita, aguçado,
Escondido na espuma, submerso, acoitado
Em zona que a Barca julgava profunda...
*

De tudo me lembro, se bem que já esteja,
No tempo passado, submerso também
E seja esta imagem longínqua o que eu veja
*

Da Barca afundada nos sonhos de alguém,
Apenas a sombra que passa e festeja
Não ter existência, nem ser de ninguém.
*


Maria João Brito de Sousa

11.01.2017 - 10.52h
*
Ao meu avô, o poeta António de Sousa.

09
Jan26

ANJO IMPREVISTO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

 

 

O ÚLTIMO ANJO DE MARIA 1999.jpeg

Tela de minha autoria

fotografada e digitalizada

por

Vítor Martinez

*

 

ANJO IMPREVISTO
*


Sinto-te vir, mais suave que uma prece...

Volteias sobre mim, Anjo imprevisto,

Como o jorro de um néctar que conquisto

No culminar de um corpo que adormece
*


De tudo o que na vida me acontece,

Sempre que ao sono cedo e não resisto,

És bem mais improvável – nisso insisto! –

Do que um dia a romper quando anoitece...
*

 

Portanto, anjo impossível, não te impeço:

Adeja sobre mim quando adormeço,

Conquista-me este sonho e vai-te embora!
*

 

Pois tu não sabes que não tenho preço,

Que mal acorde logo te despeço?

O meu espanto é fugaz, não se demora!
*

 

Maria João Brito de Sousa

20.11.2010 – 18.03h
***

08
Jan26

ADAGIO - Para velhos sonetistas... e não só

Maria João Brito de Sousa

moonclock pint.jpg

Imagem Pinterest

*

ADAGIO
Para Velhos Sonetistas
e
Não Só
*


Caminhamos curvados pelas ruas

Geladas e brilhantes como espelhos,

Nós desgastados, nós que estamos velhos,

Nós cujos ossos ferem como puas...
*


Cá vamos nós trocando sóis e luas

Por veias que azularam nos artelhos

E se multiplicaram quais coelhos

Multiplicam no solo as tocas suas...
*


Tentamos proteger-nos do contágio,

Que este Janus* vai estando rigoroso

E nós chegámos ao mais alto estágio
*


Do Inverno da Vida, o mais penoso,

Que apenas nos concede um lento Adagio

Em vez de um Presto firme e vigoroso.
*


Mª João Brito de Sousa

08.01.2024 - 16.47h
***

* Referência à figura da mitologia romana, Janus, deus do começo, que dá nome ao primeiro mês do ano no calendário Juliano - Janeiro

04
Jan26

BALAS DISPERSAS - Reedição

Maria João Brito de Sousa

balas perdidas.jpg

BALAS DISPERSAS
*


"Corpos esquecidos no meio da guerra",

Na morte que encerra sonhos desmedidos

Hoje adormecidos, jazendo por terra

E uma dor que berra nas chagas dos f`ridos
*

 

Magoando os ouvidos do que se desterra

Dessa mesma guerra de corpos caídos

Ou f`rindo os sentidos do que os desenterra

E que nisso erra, que estão já perdidos...
*

 

Dos mal-entendidos - estratégias perversas -

Surgem controversas brigas sem consenso

Que, de modo intenso, esgrimem nas conversas
*

 

Razões tão diversas que o verbo, de tenso,

Torna-se mais denso que as balas dispersas,

Ocultas, imersas neste logro imenso...
*

 

Mª João Brito de Sousa

05.03.2022 - 14.30h
***


Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada criado a partir do primeiro verso do soneto CORPOS ESQUECIDOS de Custódio Montes.

 

30
Dez25

FOME(S ) II - Reedição

Maria João Brito de Sousa

ondas - Luis Rodrigues (1).png

Fotografia de Luís Rodrigues

*

FOME(S) II
*


Se tens fome do pão que ao rico sobra,

A força da razão está do teu lado

Quando acusas traído o resultado

De tudo o que é produto de mão de obra
*


E se, do que criaste, outrem te cobra

O fruto inteiro ou o maior bocado

E a ti te deixa pobre e esfomeado

Certo de que te cala e que te dobra
*


Mal sabe que te entrega a força toda,

Que essa força em ti cresce e se denoda

Indo acender-se em chama renovada
*


Porquanto se agiganta, alastra em roda,

Incendeia-se toda e mais te açoda

Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*


Mª João Brito de Sousa
In A CEIA DO POETA

***

 

29
Dez25

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Casa Perdida na Luz, Luís Rodrigues.jpg

Tela de Luís Rodrigues

*

DEIXAI QUE A NOITE ENTRE
*


Deixai que a noite entre, que eu morro de sono

E em doce abandono me entrego a Morfeu

Que por ser ateu nunca quis ser meu dono

Só dono do sono que me adormeceu...
*


Num berço só meu, neste suave abandono,

Se gemo ou ressono, que o faça só eu

Na noite de breu em que ao dia me abono

Sem dor, sem patrono, sem sonhos, sem véu
*


Nem o medo incréu de fantasmas no escuro...

Não sei que futuro, mas trago um passado

E ao que era arriscado tornei mais seguro
*


Pois transpus o muro e deixei-o de lado,

Sumido, olvidado. Amigos, vos juro

Que um tal sono é puro, nunca amargurado!
*

 


Maria João Brito de Sousa

28.12.2017 – 13.59h
***

Soneto em verso hendecassilábico com rima entrançada escrito
na sequência do soneto homónimo de Maria da Encarnação Alexandre (MEA)

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