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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
27
Fev24

A FLORESTA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

PÃ E A GRAVIDADE DA MAÇÃ VERDE - 1999.jpeg

A FLORESTA
*


Pintei, numa floresta, cogumelos

E árvores azuis, como Gauguin,

Preenchendo as neblinas da manhã

De violetas e de ocres muito belos
*


Fui colorindo o fundo de amarelos,

Sentei-me com Diana, abracei Pã,

Comi o verde polme da maçã

E entrancei folhas de hera nos cabelos...
*


Não houve nenhum sol, nenhuma lua

Que ousasse reclamar-me a sua posse,

Ou me reivindicasse o seu destino
*


Porque ela, omnipresente, agreste e nua,

De aspecto inacabado e sabor doce,

Foi fruto de um soneto em desatino
*

 

Maria João Brito de Sousa

25.09.2009
***

(Poema escrito para a Fábrica de Histórias e reformulado a 20.05.2015 -13.22h)

26
Fev24

FILHO DAS TEMPESTADES - Reedição

Maria João Brito de Sousa

 

Avô na casa de Algés.gif

António de Sousa fotografado por António Pedro Bito de Sousa

*

FILHO DAS TEMPESTADES
*


Andou perdido por remotas plagas

Sem bússola nem vela. Era a Paixão

Quem o mantinha à tona sobre as vagas

Do mar da sua imensa solidão
*


Cerrava as mãos. Fechadas como garras

As levava do leme ao coração

Quando da barca soltava as amarras

Aos primeiros sinais de um furacão
*


E assim se fazia à tempestade

Como à bonança os outros se faziam

Mal o vento amainava o seu furor
*


Pra si, porém, o vento é liberdade

E os raios são pendões que o desafiam

A vencê-los em espanto e garra e cor.
*

 

Mª João Brito de Sousa
21.02.2023 - 10.00h
***

 

Ao meu avô poeta

21
Fev24

WHERE THE WILD ROSES BLOOM - Reedição

Maria João Brito de Sousa

a minha cara, por pinterest (1).jpg

Imagem Pinterest

*

"WHERE THE WILD ROSES BLOOM"
*


Nesta minh`alma, presa por um fio,

Tremeluz uma lágrima que insiste

Em desmentir a dor a que resiste

Em vez de, solta, transformar-se em rio.
*


A sua teima, mais que um desvario,

É luta de que a alma não desiste,

E se é certo que a dor em mim persiste,

Mais certo é que eu lhe ganhe o desafio
*


Pois do mar que chorei em tempos idos

Por mágoas que nem dei a conhecer,

Nasceram-me cá dentro rios traídos
*


Que desaguaram antes de irromper

Criando um mar de versos (in)contidos

Ao qual sempre que sofra irei beber.
*

 

Maria João Brito de Sousa

18.02.2021 - 17.35h
***

16
Fev24

SONETO PERDIDO- Reedição

Maria João Brito de Sousa

EU, 19 ANOS.jpg

A autora em 1972

*

SONETO INESPERADO
*


Ai, Soneto esquecido, que voltas,

Que te alheias das dores que me minam

E te acendes nas loucas revoltas

Que nem deuses, nem mestres te ensinam,
*


Que te enlaças nas pontas já soltas,

Desdobrado em gorjeios que trinam,

Enfrentando, sem medo e sem escoltas,

O clamor dos que em vão se aproximam
*


Ai, Soneto que nunca esperei,

Que não sonho e nem sei bem se sei

Se me nasces cantando ou se choras,
*


Mas que exaltas, num som que guardei

Nos milénios de dor que calei,

Quanta voz soltarei, sem demoras.
*

 


Maria João Brito de Sousa

04.05.2013 – 16.26h
***

Soneto em verso eneassilábico

 

15
Fev24

VERDE ESCURO - Reedição

Maria João Brito de Sousa

verde escuro pinterest (1).jpg

Imagem Pinterest

*

VERDE ESCURO
*


Neste verde escuro, toda me confundo:

De verde me inundo, vicejo e perduro...

Verde sou mas juro ser suave e fecundo,

Pulmão deste mundo, fruto já maduro
*


De verde suturo cada abismo fundo

E a escarpa onde abundo é ponte, não muro:

Verde me procuro e me acho segundo

Razões que secundo, forças que conjuro
*


Para que o futuro verde se mantenha

Pareço ser estranha e talvez o seja

Para quem não veja esta cor que se entranha
*


No mar, na montanha e nas pedras que beija,

Que em tudo viceja e com pouco se amanha:

Só de mim desdenha quem não me proteja.
*

 


Maria João Brito de Sousa

10.02.2021 - 15.59h
***

Soneto em verso hendecassilábico

com rima duplamente encadeada

08
Fev24

LUME E CINZAS - Reedição

Maria João Brito de Sousa

paisagem nocturna pinterest (1).jpg

Imagem Pinterest

*

LUME E CINZAS
*


"Num cair bailado, flutuante e breve"

Vejo, debruçada na minha janela,

Uma coisa estranha, branca, fria e bela

Que nunca antes vira mas que sei ser neve
*


Conhecendo-a apenas por quem ma descreve,

Ao tentar tocá-la, sinto que enregela...

Recuo num pulo, retiro à cautela,

Que esta mão de cinza a nada mais se atreve...
*


Confesso que minto porque, em tempos idos,

Deixei sobre a serra rastos bem compridos

E até uma estátua moldei lá no cume
*


Quando, de tão jovem, nunca recuava:

Viessem nevascas, tempestades, lava...

Como ter-lhes medo se eu própria era lume?
*

 

Mª João Brito de Sousa

30.01.2022 - 14.40h
***

Soneto hendecassilábico criado a partir do verso final do soneto "Sem Fria Nortada" de MEA.

 

06
Fev24

HOJE HÁ VAGAS! - Reedição

Maria João Brito de Sousa

hoje há vagas pinterest (1).jpg

Imagem Pinterest

*

HOJE HÁ VAGAS!
*

No mundo dos versos nascidos de humanos

Descubro um poema que cheira a suor,

Que pode comer-se mas fede a bolor

E treme de frio coberto de panos
*


Que pinga das bicas, que escorre dos canos

De esgoto da casa de um trabalhador

Que ostenta as mazelas sem qualquer pudor,

Que geme de dor e desmente os enganos...
*


No mundo dos versos dos homens reais

Se sonhos encontro, procuro bem mais

Do que fantasias com asas douradas
*


E se por achá-lo todos vós me achais

Inconveniente ou sincera demais,

Replico: "Hoje há vagas", portas arrombadas!
*


Mª João Brito de Sousa
03.02.2022 - 15.45h
***


Soneto-resposta ao poema "Não Há Vagas" de Ferreira Gullar

e editado no livro Reclusão de Laurinda Rodrigues, no qual participei juntamente

com Fernando Augusto Cunha de Sá.

 

05
Fev24

MULHER - Reedição

Maria João Brito de Sousa

MULHER - Pavia, Livro de Bordo (1).jpg

MULHER
*

Passeia-se apenas, sem fitas, sem folhos

Trazendo nos olhos sorrisos e penas...

Como ela há centenas, vê-las-eis ao molhos

Por entre os restolhos, louras ou morenas
*


Marias e helenas que contornam escolhos,

Tendo, ou não, piolhos, virtuosas, obscenas,

São como açucenas; a chave e ferrolhos

Franzem os sobrolhos. Grandes ou pequenas
*


Levantam empenas, são donas das ruas,

Das marés, das luas... Em todos os astros

Ergueram os mastros das razões mais suas
*


Vestidas ou nuas, deixam os seus rastos

Nos muros dos castros, à popa, em faluas,

E em tudo o que intuas dos seus corpos gastos.
*

 

Maria João Brito de Sousa

03.02.2021 - 14.04h
***

Gravura de Manuel Ribeiro de Pavia in LIVRO DE BORDO, de António de Sousa.

01
Fev24

ABRA-SE UMA FRESTA NO VÉU DA AMARGURA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

GUERRA - Imagem retirada do jornal Avante!.jpg

Imagem de Gaza retirada do jornal Avante!

*

ABRA-SE UMA FRESTA NO VÉU DA AMARGURA
*

 

Abra-se uma fresta no véu da amargura

Que a noite perdura, torna-se funesta,

E a besta é mais besta que a própria loucura:

Há ou não há cura? Que esp`rança nos resta?
*


Ah, que vida esta, que noite tão escura,

Que absurda secura, que mal nos infesta

E mata e molesta e reduz a ternura

À caricatura que a tortura empresta?!
*


Contesta e protesta, tens de confrontá-la,

Vencê-la e esmagá-la. Queiramos ou não

A revolução é que irá exterminá-la
*


Ou ela é quem cala, milhão pós milhão,

Cada geração que tente ignorá-la:

Hão-de derrotá-la, não têm opção!
*

 

Maria João Brito de Sousa

01.02.2021- 12.21h
***

 

29
Dez23

FOME(S) II - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Mural de Diego Rivera.jpg

Pormenor de mural de Diego Rivera

*

FOME(S) II
*


Se tens fome do pão que ao rico sobra,

A força da razão está do teu lado

Quando acusas traído o resultado

De tudo o que é produto de mão de obra
*


E se, do que criaste, outrem te cobra

O fruto inteiro ou o maior bocado

E a ti te deixa pobre e esfomeado

Certo de que te cala e que te dobra
*


Mal sabe que te entrega a força toda,

Que essa força em ti cresce e se denoda

Para acender-se em chama renovada
*


Porquanto se agiganta, alastra em roda,

Incendeia-se toda e mais te açoda

Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*


Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

Inédito

***

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