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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Set09

UM POST MUITÍSSIMO DIFERENTE

Maria João Brito de Sousa

Hoje não há soneto! Ao menos uma opção eu consegui fazer... e escolhi o que daqui vai sair e cujo conteúdo vai ser absolutamente espontâneo, ao correr do teclado e de algumas "penas" que por cá ainda vão permanecendo... também não vai dar para a Fábrica de Histórias. Autores, peço-vos, publicamente, perdão mas não consegui gerir o meu tempo dentro destas limitações todas... vai ser um post-porkedeusker, sem versos nem rimas.

Ontem cheguei do hospital a cambalear de cansaço. Movia-me, no entanto, a vontade de publicar o meu soneto do dia, razão pela qual nasceu aquela "composição bucólica" do post anterior, publicada em cima da dead-line do inevitável - e desejável - fecho do Centro Pastoral. Tudo mais ou menos, tudo muito "a segurar pelas pontas", como se não houvesse amanhã... ou hoje. Hoje - afinal havia "hoje"... :) - acordei tarde e más horas, toda partidinha e incapaz de tomar um duche num período de tempo inferior às duas horas que me separavam da hora do almoço... é triste, mas é assim que eu estou a funcionar.

Voltando um pouco atrás, recordo-me, mais uma vez, do dia de ontem... de ter abandonado o Centro Paroquial, ter ido a casa tratar dos gatos e passear o Kico, tudo isso numa linha de "mais morta do que viva", bem à maneira do "I`ll see you in my dreams", mas sempre com a mesma determinação de poeta obstinada. Assim vou conseguindo sobreviver e consigo afirmar, sem mentir, que sou uma mulher feliz, partindo do princípio que a maioria de vós entende que me refiro ao valor que dou aos dons que me foram concedidos e não ao desafogamento material. Pois bem, no dia de ontem recebi um telefonema com uma oferta de trabalho. Exultei, antes de conseguir raciocinar. Fiquei de me informar sobre as condições de pagamento e de telefonar ainda hoje ou amanhã para combinar os últimos detalhes mas, mal desliguei, fez-se luz no meu espírito. Era uma situação de trabalho que me exigia apenas os fins-de-semana, mas era longe, muito longe de minha casa. Como poderia eu garantir um mínimo de qualidade na prestação de um serviço, se lá chegasse no estado lastimoso em que me encontro agora, pelo simples facto de ter ido a um hospital que fica bem mais perto? E mil outras pequeninas-grandes coisas. Se fosse muito perto da zona em que habito, talvez eu pudesse aceitar, embora esta seja uma situação que exige mais de nós do que aquilo que pode parecer à primeira vista... mas tão longe? Em que miserável estado me apresentaria eu, todos os sábados, às nove da manhã? E nos dias das cólicas, das cefaleias, da ausência absoluta de força física, como poderia eu, com um mínimo de justiça e dignidade, aceitar um trabalho a que não conseguiria comparecer na maioria das vezes?

Ainda não fiz o telefonema, ainda não tomei a decisão definitiva, mas vou ter de fazê-lo hoje ou amanhã. Neste momento sinto-me sem grande coragem para o fazer... imaginei que escrever assim, à toa, me viesse ajudar nesse sentido, mas a verdade é que continuo a oscilar entre ver resolvidos os meus problemas financeiros mais imediatos e a certeza de me ser, fisicamente, impossível aceitar...

 

 

Imagem retirada da internet

Tela de Seurat "Domingo na Ilha de Grande Jatte

Tela pintada durante os anos de 1884 e 1886.

05
Dez08

"MUDAR O MUNDO" na FÁBRICA DE HISTORIAS

Maria João Brito de Sousa

 

Nesta história de "Mudar o Mundo", a grande diferença está na forma de abordar a questão.

Quando eu era muito jovem, acreditava que podia mudar o mundo. Hoje, já com cabelos brancos, olho para trás e sorrio... e tenho a certeza de que nunca me restou alternativa. Nem a mim, nem a ninguém...

Todos nós, pelo simples facto de existirmos, vamos mudando o mundo, segundo a segundo.

Claro que somos livres de mudá-lo da melhor ou da pior maneira possível. É aí, e apenas aí, que, no meu entender, reside o livre-arbítrio.

Por isso, hoje vos remeto para um texto que publiquei em Março, no poetaporkedeusker  e que irá, direitinho, para a FÁBRICA DE HISTÓRIAS

 

Deixo-vos um link para esse texto e outro para a Fábrica de Histórias e - porque não? - um convite para escreverem também.

 

http://poetaporkedeusker.blogs.sapo.pt/35088.html

 

http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

 

O texto será, posteriormente, publicado na Fábrica.

Vão até lá e descubram como se vai mudando o mundo no dia a dia, com o empenhamento de todos nós.

 

Boa viagem e até amanhã!

Imagem retirada da internet

 

 

19
Mar08

O COMBOIO

Maria João Brito de Sousa

Que ser era aquele? Imenso, ruidoso como um interminável trovão, atacou-me com a rapidez do raio e não parou, sequer, para me dar o golpe de misericórdia. Atirou-se a mim com a voracidade do tigre e, incompreensivelmente, não ficou para se alimentar da carne que destroçara. Que estranho ser era aquele?

Levava no ventre muitos outros seres. Seres com olhos, ouvidos e mãos. Seres conflituosos, agarrados a coisas que não fazem sentido, indiferentes à dor que então me consumia.

Que ser tão estranho...

Não ameacei as suas crias. Não tentei conquistar as suas fêmeas. Se, acaso, invadi o seu território, fi-lo por absoluta necessidade. Procurava um desses seres que ele levava no ventre e a quem dediquei toda a minha vida.

Sei que estou velho e pouco atraente. Durante esta minha insana busca, raras vezes encontrei alimento. Emagreci. Vivi muitos sóis e muitas luas alimentado, unicamente, pela certeza de voltar a encontrar o meu amigo. Aquele por quem daria – e dei – a vida. Aquele que um dia partilhou comigo habitação e alimento, aquele que me pôs ao pescoço esta coleira, agora velha e sem brilho como eu, que selou entre nós um pacto sagrado e irreversível.

Eu era então um cão jovem e –perdoa-me a vaidade – bonito como poucos. Ajudei-o a educar as suas crias. Não havia cão, gato ou ser humano mal intencionado que se aproximasse delas. Guardei-lhe a porta com o meu rosnido mais assustador e mostrei-lhe a minha imensa gratidão a cada segundo do dia e da noite. Velei-lhe o sono. Quando o tempo, lá fora, gelava até aos ossos, aqueci-lhe os pés com o calor do meu corpo e, com toda a energia que me foi concedida pelo universo em que nasci, zelei e rezei pela sua saúde e alegria. Pela abundância no seu pequeno território. Multipliquei-me em carinhos e brincadeiras sempre que a tristeza lhe invadia o olhar. Lambi cada uma das suas pequenas feridas até estar seguro da sua completa cicatrização. Cacei para que nunca lhe faltasse o alimento.

Sei que também ele me amou à sua maneira... dessa  forma inacabada e insólita  que vocês usam para amar. Eu era património seu e, forte e bonito exemplar que era, orgulhava-se de me mostrar aos seus amigos. Garantia que a ele ninguém assaltaria a casa... e tinha razão. Garantia que não havia melhor cobridor do que eu, e também estava certo.

Tu, que agora me vês agonizar, hás-de encontrar o brilho dos meus olhos em muitos outros cães que encontrarás pelas ruas. Deixei, como era meu dever, semente de vida no ventre de muitas companheiras. Agora que estou de partida, evoco esses filhos da minha carne com a certeza de me ter perpetuado neles pelas muitas luas que estão por vir.

Sabes que me surpreendeste? Eras um dos seres que viajavam dentro do demónio que me trucidou. Vi-te chegar carregada de coisas estranhamente inúteis. Sacos e saquinhos contendo pequenas coisas que não amas, mas proteges. Vinhas suada e arquejante, como eu velha e gasta e, no entanto, olhaste-me com a doçura com que me olhou a minha mãe quando me pôs no mundo. No teu olhar uivaste a minha dor. Agradeço-te por isso. Não o poderia fazer com estes maxilares fracturados que pingam sangue e nesse mesmo sangue afogam o meu justificado lamento.

Pegaste num estranho artefacto que estava no teu bolso e falaste para ele. Estavas entre zangada e mansa. Mas estavas, sobretudo, determinada.

Não sei exactamente o que queres, mas sei que não desistirás. Sei, acima de tudo, que não me abandonarás até que a morte venha aliviar-me desta imensa dor. A dor que partilhas comigo e , portanto, se torna mais suportável. Cobres o meu corpo com o teu sempre que um demónio de ferro percorre, rugindo, o temível espaço que ousei pisar. De tal forma sentes o que eu sinto que espantas os meus medos e vais anulando a tremenda vontade que me impele a continuar à procura do “dono”. Mesmo sem membros. Mesmo sem sangue.

Passa uma eternidade. Cantas baixinho para mim, nessa estranha língua cheia de modulações idênticas às do meu dono. Vou-te compreendendo pouco a pouco. Já me não doem tanto os ossos triturados, já se não impõe a necessidade de encontrar aquele que, um dia, se esqueceu de mim, algures, na Marginal. Tu amas tão profunda e incondicionalmente como eu e tudo recomeça a fazer sentido. Até os estranhos artefactos que trazes contigo parecem ganhar alma e se me tornam familiares.Como se fossem prolongamentos de mim. De nós. De tudo aquilo que continuamos a ser quando ultrapassamos as fronteiras do corpo e nos diluímos na infinita serenidade de uma força que apenas vislumbrávamos. Para além do beijo que me deste no focinho no momento da libertação.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa
 

 

20
Jan08

POEMAS DE RIMA LIVRE

Maria João Brito de Sousa

Quando iniciei este Blog tinha em mente publicar, apenas, sonetos clássicos de dez sílabas métricas. Era a minha homenagem à Poesia, em geral, e ao Soneto, em particular.

Parece que não há, mesmo, regra sem excepção...

O próximo Post mostrar-vos-á mais um trabalho meu a aguarela e pena e um poema de rima livre que tem, exactamente, o mesmo título do quadro.

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