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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Out20

BÁRBARA

Maria João Brito de Sousa

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BÁRBARA
*


Eis que Bárbara passa e, em passando,

Vai-se mostrando bárbara, insubmissa,

Que embora um mar de lágrimas chorando

É feita fúria que se faz à liça.
*

 

Passam as suas lágrimas voando

Sem cuidar de justiça ou de injustiça

Que não tem Bárbara a noção do quando

Nem dos porquês, enquanto assim se atiça.
*

 

Não teme o Sol, nem a perturba a Lua,

Que a força com que sopra é tão só sua,

Não lhe ocorre explicar-se ou confessar
*

 

Pecado ou pecadilho que lhe encontrem;

Não há fúrias humanas que a confrontem

Porquanto mais não faz do que passar.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 19.10.2020 - 17.41h

19
Out20

POR ENTRE OS DEDOS

Maria João Brito de Sousa

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POR ENTRE OS DEDOS
*


Por entre os dedos se te escapa a luz

Que não assumas como espaço e tempo;

Desprezados razão e pensamento,

Até a fantasia se traduz
*

 

Naquilo que a ti próprio te reduz

Em força e garra, em graça e em talento;

Se àquilo em que acredito fujo, ou tento,

De mim me perco e do que a mão produz.
*

 

Por entre os dedos se me vai escapando

Aquilo a que não chego, é bem verdade,

E até a vida que nunca sei quando,
*

 

Ditará estar perdida a validade

Dos mesmos dedos que hoje estão grafando

Isto que penso e sinto ser verdade.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 18.10.2020 - 13.34h

 

18
Out20

LIVR(O)MENTE

Maria João Brito de Sousa

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LIVR(O)MENTE
*

 


Limpos e arrumados nas estantes

Estão os livros que li. Outros, por ler,

Virão mais tarde, quando eu possa ver

Tanto ou melhor do que o que via dantes.
*

 

Nem todos estão de mim equidistantes,

Nem todos por igual pude acolher,

Que a minha mente soube bem escolher

Os seus dilectos e os seus amantes.
*

 

Não morreram, nem estão ao abandono

E embora muitos já nem tenham dono,

Todos revivem no que agora escrevo
*

 

Pois devorados em noites sem sono

São, hoje, os companheiros deste outono

Ao qual devolvo o tanto que lhes devo.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 17.10.2020 - 12.38h

*

 

Soneto criado para um desafio no site Horizontes da Poesia

16
Out20

ORQUESTRA

Maria João Brito de Sousa

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ORQUESTRA
*

 

Linhas sombrias geram luminosas

Notas/acordes na pauta invisível,

Por vezes frágeis, logo vigorosas,

Todas galopam rumo ao impossível.
*

 

Se trazem espinhos, serão como rosas

Despetaladas pela mão sensível,

Se os não trouxerem, inda que viçosas,

Virão depois, segundo o previsível.
*

 

Linhas de pautas, sóbrias partituras

Instrumentos de corda, arquitecturas...

Vibra esta orquestra, tudo é sinfonia
*

 

E assim que nasce o acorde primeiro

Logo eu mergulho a pena no tinteiro

Do verso livre que a razão pedia.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 16.10.2020 - 10.57h

15
Out20

LANTERNA QUE ILUMINA

Maria João Brito de Sousa

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LANTERNA QUE ILUMINA

*


Conceitos nossos, os de bem e mal,

Tão naturais quanto água cristalina

E tão inevitáveis quanto o sal

Da rocha que no mar o dissemina.
*

 

Nossos porque nos é fundamental

Explicar espantos que a vida determina

Desde o tempo remoto e ancestral

Em que o medo nasceu. Quem o domina?
*

 

Demos e deuses no mesmo bornal;

Era a razão ainda uma menina

Que a cada descoberta acidental
*

 

Crescia no saber. Esmorece a sina

Na explicação do mundo e do real;

A razão é lanterna que ilumina!
*

 


Maria João Brito de Sousa - 14.10.2020 - 15.38h
*

 

13
Out20

O LIVRO DA MINHA VIDA

Maria João Brito de Sousa

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Imagem retirada  daqui

 

O LIVRO DA MINHA VIDA
*


"Sem se saber contudo como acaba"

Vai-se a vida qual livro desfolhando...

À minha, quatro folhas vão faltando

E nem sei como o resto não desaba
*

 

Se o papel não é pedra de mastaba

E já lhe vão as folhas rareando

Cada vez mais, até ao não sei quando

Em que por fim se fechem capa e aba.
*

 

À minha vida, grafo-a em cativeiro

Sem saber quanta tinta há no tinteiro,

Sem sonhar que fantasma a lê no escuro;
*


Ó mortos-vivos deuses do dinheiro,

Se imaginais ter lido o livro inteiro,

Qual de vós adivinha o meu futuro?
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 12.10.2020 - 15.39h
*

Soneto criado a partir do último verso do soneto "A Vida como um Livro"

do poeta Joaquim Sustelo.

 

10
Out20

A "SOIRÉE"

Maria João Brito de Sousa

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Imagem retirada daqui

 

A "SOIRÉE"
*


Não tenho tempo para não ter tempo

Que enquanto crio o tempo cristaliza

E o ponteiro das horas mal desliza

No eterno mostrador do pensamento.
*

 

Desse não-tempo retiro o sustento

E dessa ausência estática, concisa,

Ressurge a musa etérea, essa indecisa

Que viaja em rajadas, como o vento.
*

 

Outro cenário emerge. O novo palco,

Que afinal é o mesmo... ou já não é?,

Faz-se expressão de um mundo que decalco
*

 

De um sargaço ao sabor de uma maré;

Talvez seja outra onda o que recalco

Enquanto o mar encena esta "soirée".

*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.10.2020 - 18.24h

*

Soneto inspirado numa crónica/poética de MEA (Maria da Encarnação Alexandre)

09
Out20

DIZEM QUE MORREU...

Maria João Brito de Sousa

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DIZEM QUE MORREU...
*


Usado, adulterado, gasto e morto

Está o velho soneto. Dizem, dizem...

Outras mãos haverá que o enraízem

Que as minhas, hoje, pedem-me o conforto
*

 

De uma tarde serena. Olhar absorto,

Peço às horas que passem, que deslizem,

Que, em fraçcões de segundo, mimetizem

A paz da barca que chega a bom porto.
*

 

Desse instante de paz nasce-me um verso

(sei lá quantos segundos já lá vão...)

E agora o que ambiciono é o inverso
*

 

Dessa paz que me vem da reflexão;

Parem, mentiras, de embalar meu berço,

Que o soneto está vivo e forte e são!

*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.10.2020 - 12.10h

07
Out20

SINFONIA DE OUTONO

Maria João Brito de Sousa

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SINFONIA DE OUTONO
*

 

Eram só notas. Muitas nem sabiam

Que engenhos as prendiam, alinhadas,

Porque eram muito mais que o que podiam

Conceber as tangentes fatigadas

*

Que à tangente passavam, se tangiam

Mais notas noutras cordas retesadas

Que às vezes, só às vezes, convergiam

E as mais das vezes eram dispersadas
*

 

Por outras que chegavam ou partiam

Com a velocidade de rajadas

E nem à convergência respondiam
*

 

Mas que bem poderiam ser travadas

Por corações que sempre as consentiam

Porque soavam doces e afinadas.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 07.10.2020 - 12.49h

 

Ao Senhor das Nuvens

26
Set20

UM PÃO QUE NÃO TEM PREÇO

Maria João Brito de Sousa

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UM PÃO QUE NÃO TEM PREÇO
*


A grandeza do poeta não se mede;

Em metros não se conta. Em peso, pesa

Exactamente quanto a natureza

De mãos dadas c`oa sorte lhe concede.

*

Se a verso usado um novo se sucede,

De espantos se lhe mede essa grandeza

Pois se o não satisfaz certa certeza,

Procura a que lhe dê mais que o que pede.
*

 

Cavalga-me o poema os dias mornos

Sem esporas e sem sela, nem adornos,

Perdendo-se em lonjuras que não meço...
*

 

Logo um segundo acode. Os seus contornos

Começo a vislumbrar. Acendo os fornos

Em que cozinho um pão que não tem preço.

*

 

Maria João Brito de Sousa - 26.09.2020 - 12.11h

 

Imagem - Os Comedores de Batatas - Vincent Van Gogh, 1885

 

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