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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
22
Set10

SEI LÁ II

Maria João Brito de Sousa

 

Sei lá se posso, ou não, continuar,

Se devo ou nem sequer devo escrever,

Se vale, ou não, a pena `inda teimar

Quando a vontade teima em não nascer...

 

Não sei! Nem sei se posso acreditar

Que amanhã ou depois me vá esquecer

E que a vontade volte a conquistar

Um dom que lhe parece não caber...

 

Perdi-me e não me encontro sem escrever-me

Mas escrever-me não sei sem me encontrar,

Por isso nada sei! Não me perguntem

 

Que estranha coisa está a acontecer-me,

Porquê este soneto a gaguejar

Nas palavras que ainda repercutem...


 

 

Maria João Brito de Sousa - agora, só porque seria perigoso para a minha permanência física não me nascer, sequer, um péssimo soneto.

21
Set10

NÃO FALES DO QUE NÃO SABES

Maria João Brito de Sousa

 

Não me venhas dizer que é este o preço

Que tenho de pagar mais uma vez!

Não me venhas falar do que não vês

Pois posso valer mais que o que pareço…


Nada tenho pr`a dar-te e nada peço.

Só quero a minha paz porque talvez

Eu tenha um bem maior que os teus porquês

Na estranha lucidez em que me meço…


Não venhas de mansinho e disfarçado,

Com as falinhas mansas do costume,

Fingindo ser um nobre protector


Porque é possível que já tenhas dado

Mais que o suficiente desse estrume

Com que queres cobrir tudo em teu redor…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 20.09.2010 – 22.02h

 

 

IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

17
Set10

QUINTA E SEXTA FEIRA

Maria João Brito de Sousa

 

 

CONVERSAS DE MÃE PARA FILHO II

 

 

Vens magoado e esculpido pela sorte

Que em nada bafejou a tua vida,

Revoltado, sem pouso e já sem norte,

Sondar a felicidade prometida…


E não, não era este o teu transporte.

Esta aproximação mal conduzida,

Vai deixando, em nós dois, o travo forte

Da situação que está comprometida.


De nada me serviu tanto poema,

Tanta verdade e tanta confissão;

Ninguém entendeu nada do que eu disse!


Também ninguém entende que o problema

Só se exacerba na contradição

De quem, querendo ajudar , faz mais tolice…

 

 


Maria João Brito de Sousa

 


“Il ne faut pas s`affliger de n`être pas connu des hommes, mais s`affliger de ne pas connaître les hommes."

Confucius, Entret. 1.16

 

 

 

SOPRA O VENTO

 

 

Vai o vento soprando em derredor

Deste corpo despido de ideais

E enquanto o vento sopra, mais e mais,

Vão-me esses ideais ganhando cor.


Se enquanto o vento sopra, faz calor

Os corpos que se despem são normais

Pois surgem-lhes ideias geniais

E aprendem a despir também a dor


Mas, quando o frio aperta e já gelado

O meu corpo me pede mais cuidado

Não vá gelar também o que o anima


Peço ao vento que o deixe sossegado,

Ficam os ideais postos de lado

E é ao vento que entrego a minha sina…

 

 

 


Maria João Brito de Sousa – 16.09.2010 – 18.28h

 

 

15
Set10

VER-ME ONTEM, VER-ME AGORA

Maria João Brito de Sousa

 

Vês-me como me viste em tempos idos;

Ingénua, incauta e até perturbadora,

Rastejando nos trilhos mais escondidos…

Vês tudo o que em mim viste e vês-me agora.


Vês-me chorando os mais desprotegidos,

Amando as plantas, tal como era outrora,

Subindo enquanto desço o já subido,

Descendo se só penso em ir-me embora


E, se assim tu me vês, assim serei!

A teus olhos me moldo e pouco importa

Que eu te fale das coisas como as sinto,


Que desvende o que nunca te mostrei,

Te aponte o esconderijo ou te abra a porta,

Pois nunca aceitarás que te não minto…

 

 


Maria João Brito de Sousa

14
Set10

O DESENROLAR DOS TEUS DIAS

Maria João Brito de Sousa

 

 

Tu estavas em silêncio, os olhos postos

Na imensidão do mar dentro de ti

E, por fora de ti, estavam mil rostos

Curiosos de te verem por ali.


Teus olhos nada viam; nem desgostos,

Nem medos ou razões. Dentro de si,

Os outros, os que te iam sendo impostos,

Tremiam, tal e qual como eu tremi.


Tu estavas em silêncio, mas não estavas

Ali, onde o rugir das ondas bravas

Assustava os demais que as contemplavam


E nesse teu silêncio me bastavas,

Sem que desses por mim me conquistavas

E era assim que os teus dias se passavam…

 

 


Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 11.41h

13
Set10

SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XVIII

Maria João Brito de Sousa

 

BEM TE VI

 

Bem te vi, velho cuco que passavas

Na mira de ocupar alheio ninho

E, repleto de pão, farto de vinho,

Nem por um só segundo vacilavas.

 

 

Bem te vi quando tanto procuravas

Voando sobre a mata e, de mansinho,

Mergulhavas a fundo, tão baixinho

Que quase – temi eu… – te despenhavas.

 

 

Bem te vi, mas não disse ter-te visto

Na tua insana busca. A natureza,

Deste mesmo planeta em que eu existo

 

 

Te criou alheado das razões

Que me vão tendo, a mim, nesta pobreza…

(E não. Nenhum de nós teve ilusões.)

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 11.29h

 

 

 

O LOUCO, O ENIGMA E A ESPERA

 

 

 

… e ria-se das coisas que não tinha

Esquecido, já, das tantas que tivera

Se, em noites de luar, descia à vinha

Ébrio do louco amor que tinha em Hera



E, a seguir, nos vinhedos, se entretinha,

Tão nu como se a própria Primavera

Da nudez lhe engendrasse uma adivinha

Que decifrasse a dor de cada espera…



Se chovia, explodia num desnorte!

Escorria-lhe esse estigma encosta abaixo,

Turbava-se-lhe a fronte em desespero



E, louco, maldizendo a sua sorte,

Sumia-se entre as pedras, cabisbaixo,

Ansiando exactamente o que eu nem espero.

 

 

Maria João Brito de Sousa  - 13.09.2010





 

 



Maria João Brito de Sousa – 05.09.2010 – 11.50h



NOTA – Soneto reformulado a 22.08.2015

 

 

 

 

 

 

HOJE

 

 

Hoje não será dia de poema

E, caso os anjos falem, só dirão

Que eu, hoje, ostentarei o velho emblema

Da minha apetecida solidão.

 

 

Hoje é um dia mudo e não há tema,

Nem motivo, nem verbo ou convicção,

Não há uma alegria, um só problema

Que possam merecer-me uma atenção.

 

 

Hoje este meu soneto não tem voz…

É estático, insondável e proscrito

E não aspira a mais do que ao mutismo.

 

 

Ato as amarras d`alma com mil nós,

Desminto absurdamente o que foi escrito,

Cerro os dentes, engulo o meu lirismo!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 10.08h

 

 

10
Set10

REFLEXÕES DE UM ALTRUÍSTA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Sou subtil, metafórico e, contudo,

Tenho, às vezes, certo mau feitio;

Só quero aquilo com que mais me iludo,

Depois, chego a pensar que é doentio…


Se oiço um grito bem alto e muito agudo

Sinto, no corpo inteiro, um arrepio

E, a correr, vou logo ver se acudo

Mas, em vez de ajudar, tremo de frio…


Sou compulsivo! Nunca sei se o faço

Porque devo fazê-lo ou se, ao contrário,

É um puro exercício de egoísmo


Que guia o lato impulso do meu braço…

[será que este feitio, tão temerário,

pode ter qualquer coisa de altruísmo?]

 

 

 


Maria João Brito de Sousa – 02.09.2010 – 22.09h

 

 

 

PS - O Sapo fez anos, esqueci-me de lhe dar os parabéns - não foi só a ele... - e é muito provável que, hoje, não tenha tempo para o fazer... ficam aqui os meus PARABÉNS AO SAPO.

Desculpa, jovem batráquio... gosto muito de ti, mas no que toca a datas...

09
Set10

OS OCULTOS E OS MENOS VISÍVEIS

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Amo as rosas, que planto, e o seu espinho

Que, insurrecto, as consola e as defende;

Da rosa, creio sempre no carinho,

Do espinho, quanto dele se subentende.


Amo, também, a flor do rosmaninho

E a chã erva-moirinha que se estende,

Insubmissa, rompendo o seu caminho,

Pois quanto menos vista, mais me prende…


Creio em mil coisas em que ninguém crê

E desdenho outras mil que todos querem!

Mas porque é que será que eu amo assim


Mil coisas que, afinal, mais ninguém vê?

[e não abdico, mesmo quando ferem,

das mais humildes ervas de um jardim…]

 

 


Maria João Brito de Sousa – 01.09.2010 – 21.28h

 

 

 

Imagem retirada da internet

08
Set10

QUE LOUCO!

Maria João Brito de Sousa

 

Que louco admitiria ser profeta

Nos dias deste tempo em que vivemos?

Dantes a ignorância mais completa

Dava-lhe segurança, pelo menos…


Hoje é de melhor tom não ser asceta,

Falar do que comemos e bebemos,

Gracejar, dizer uma ou outra “peta”

E ir aspirando a dias mais amenos…


Mais dia, menos dia, a bomba explode!

Um descai-se e, sem querer, revela, enfim,

Vocações inconfessas, silenciosas…


Depois… vamos a ver se alguém lhe acode…

[Deus queira me não calhe o feito a mim

que, às vezes, profetizo sobre as rosas!]

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 04.09.2010 – 14.00h

 

07
Set10

MOSTRA-ME AS TUAS MÃOS...

Maria João Brito de Sousa

 

Mostra-me as tuas mãos… há mãos que falam!

Há mãos que contam histórias, epopeias!

Outras que dizem mais quando se calam

Como pedras rasgadas por mil veias…


Há mãos que criam coisas que se instalam

Por dentro das pessoas, como ideias,

E outras que nos tocam, nos embalam,

Ou que acenam do mar, como as sereias…


Há tantas, tantas mãos! Todas diferentes,

Todas capazes de se completarem

Nesta infinda tarefa de viver


E todas essas mãos pedem, urgentes,

A outras tantas mãos, para as salvarem

Do que mal que algumas mãos estão a fazer…

 


Maria João Brito de Sousa – 07.09.2010 – 12.12h

 

 

 

NOTA - Desculpem-me esta "rentrée" tão em cima da hora do fecho do Centro. Na continuidade dos trabalhos de reparação do telhado, surgiram novas complicações que não estavam previstas. Temo bem que haja obras no telhado durante mais uma semana... ou mais :(

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