Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores.
...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
De amor nada mais resta que um Outubro e quanto mais amada mais desisto: quanto mais tu me despes mais me cubro e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro porque se mais me ofusco mais existo. Por dentro me ilumino, sol oculto, por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse dos teus beijos. Etérea, a minha espécie nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço mais de terra e de fogo é o abraço com que na carne queres reter-me jovem.
Onde se solta o estrangulado grito, Humaniza-se a vida e sobe o pano. Chegam aparições dóceis ao rito Vindas do fosso mais fundo do humano.
Ilumina-se a cena e é soberano, No palco, o real oculto no conflito. É tragédia? É comédia? É, por engano, O sequestro de um deus num barro aflito?
É o teatro: a magia que descobre O rosto que a cara do homem cobre E reflectidos no teu espelho - o actor -
Os teus fantasmas levam-te pr`a onde O tempo puro que te corresponde Entre as horas ardidas está em flor.
Natália Correia.
DESCE O PANO
"Onde se solta o estrangulado grito" Das algemadas mãos do desengano, Redobra em esforço insano, o ser constricto, Que actua, invicto, até que caia o pano.
"Ilumina-se a cena e é soberano" O esforço (des)humano. Eu acredito Porquanto a fundo o fito, em"mano a mano", Qual de nós mais tirano... ou mais aflito...
"É o teatro: a magia que descobre" O primeiro a esvair-se, o que se dobre, Sobre esse seu reflexo - outro, afinal... -
"Os teus fantasmas levam-te pr`a onde" Nem mesmo esse reflexo te responde... Desce o pano. O fantasma era o real.