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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
06
Mai18

MÃE

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0003.jpg

 

MÃE



Sei-te velha menina inacabada

Com asas de papel de seda e espanto

Que adejam sobre tudo e sobre nada,

Deixando-te encantada em qualquer canto,



Sorrindo muito, ainda que magoada,

Muitas vezes rendida à beira-pranto

De olhos tristes, de lágrima arrancada

Ao livre choro que te tece um manto.



Vi-te de punho erguido pelas ruas,

Vi-te multiplicada em tantas luas

Quantas as marés-vivas te inspiravam



E vi-te, antes de ver-te, à beira Tejo,

Olhando o mesmo espelho em que me vejo,

Tecendo os sonhos que os demais sonhavam.





Maria João Brito de Sousa – 06.05.2018 – 09.06h

 

16
Jun15

MÃE - Soneto bordado a palavras de linho sobre cetim

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0013.jpg

 

(Em decassílabo heróico)

 

Nestes versos que engomo a ferro quente,
sem uma ruga que ensombre, no fim,
este lembrar-te quando, estando ausente,
te não recordas nem sequer de mim,

 

Neste auscultar-te como se presente
te mantivesse, eternizando assim,
doce, a memória, quando é tão dif`rente
de ver-te viva, bordar-te em cetim,

 

Neste dizer "talvez", nada sabendo
- suave inocência dos momentos tristes -,
nesta ilusão que sei, mas nunca entendo,

 

Te afirmo que, apesar de tudo, existes
nestas palavras em que aqui te prendo
e na certeza de que, em mim, persistes...

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.05.2015- 02.48h

01
Jun11

NO DIA DA CRIANÇA - 01.06.2011

Maria João Brito de Sousa

 

No dia da criança,

venho dizer-te bom-dia, mãe,

e olhar o teu sorriso

na memória das sardinheiras quase murchas,

mas ainda vermelhas, mãe,

nas conchas de barro onde as plantavas

 

Venho,

neste dia da criança,

lembrar-te, mais uma vez,

que te amo, mãe,

e agora,

que não sei se és, nem onde és,

confessar-te que sempre considerei

que olhavas demasiado a superfície das coisas,

que te esquecias de reparar

nas raizes do tempo por detrás das janelas

e nos sonhos

para além da luta pelo abraço imediato

 

Mas isso era eu, mãe,

eu tão pequenina como as sardinheiras,

tão abraçada às raizes do tempo,

tão estranhamente além das janelas,

esquecida,

também eu,

de não poder julgar-te

porque eras tu, afinal,

quem plantava as sardinheiras e sorria

sem suspeitar, sequer, de que viriam a murchar…

 

Hoje, dia da criança,

dia em que não sei se és, nem onde és,

mas não esqueço que foste,

uma lágrima, mãe,

só uma, como tu,

que tanto medo tinhas da morte

e te deixaste levar

sem teres percebido

que as sardinheiras murcham

a seguir ao abraço das raizes do tempo…

essas que estavam por detrás das janelas

além da superfície

das coisas- tantas! –

que nunca chegaste a descobrir

 

E fica-me

o teu sorriso

por detrás da janela,

vermelho como as sardinheiras,

enquanto nesta lágrima,

tão única como tu,

tão eterna quanto o tempo,

hoje, como dantes, Mãe,

tento esquecer a superfície das coisas…

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.06.2011 – 09.29h

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