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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
27
Mar22

LUCIDEZ - Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

Maria João Brito de Sousa

 

LUCIDEZ
*

Pela Paz Entre os Povos
*

Coroa de Sonetos
*

Mª João Brito de Sousa e Custódio Montes

*
1.
*

Se a alguns mataste, a outros deste vida

E a mim já me salvaste tanta vez,

Que se me abandonasses, lucidez,

De mim própria estaria já perdida
*

 

Sem um rumo, uma porta de saída,

Saltando de talvez para talvez,

Desconhecendo todos os porquês

Desta vontade de me ver cumprida
*


Ainda que, por vezes, de revés,

E noutras tantas vezes de fugida

Ao sabor da nortada e das marés,
*


Mas sempre, Lucidez, comprometida

Com aquilo que sou - porque tu és! -

O meu cais de chegada e de partida.
*


Mª João Brito de Sousa

21.03.2022 - 10.50h
***

2.
*

“O meu cais de chegada e de partida”

É paz e ter amigos entre os povos

Sermos todos, os velhos e os novos

A raça entre todos protegida
*


Em cada canto termos guarida

E duns e doutro nunca ser estorvos

Nem aves de rapina ou uns vis corvos

Num mundo que preserve sempre a vida
*


As guerras são tormentos escusados

De crianças e jovens condenados

A um mundo sem luz nem condição
*


Ergamos nossos braços na alegria

Para acabar de vez esta sangria

Que nos destrói a alma e o coração
*

Custodio Montes
***

3.
*

"Que nos destrói a alma e o coração"

E nos sonega a esp`rança num futuro

Bem mais igualitário, enfim seguro,

Livre da sordidez da exploração...
*


Eu que à guerra entre os povos digo não,

Que sempre direi não a todo o muro,

Que acendo uma fogueira se faz s`curo

No verso em que tropeça o meu irmão
*

 

Eu que abomino o grande deus-dinheiro

Que domina e corrompe o mundo inteiro

Para melhor passar a ser servido,
*


Alguma lucidez hei-de guardar,

Já que a julgo espalhar e semear

Ao longo do caminho percorrido
*


Mª João Brito de Sousa

25.03.2022 - 15.30h

***

4.
*

“Ao longo do caminho percorrido”

Temos que ser capazes de escolher

Entre o bem que o dinheiro deve ter

E o mal que faz ao povo corrompido
*


Ter firme lucidez é o devido

Mas muitas vezes esse dever-ser

Fica-se num querer e não querer

E erra-se a lucidez no escolhido
*


Mas mesmo assim nós temos que tentar

E termos na consciência um pensar

Que afaste o que é mal e traga o bem
*


Andarmos de mãos dadas como amigos

Enfrentarmos em conjunto os perigos

Sem molestar os outros nem ninguém
*


Custodio Montes

25.3.2022
***
5.
*

"Sem molestar os outros nem ninguém"...

E, aqui, a lucidez faz-me parar

Para melhor pensar e perguntar:

"A ninguém molestar, a quem convém?"
*

 

E diz-me a lucidez que há sempre alguém

A quem devemos mesmo molestar

No grande impr`ialismo secular

De que a razão dos povos jaz refém
*


Por isso racional mas não grosseira

Vou molestá-los de qualquer maneira

Quando, lúcida, aponto o dedo à f`rida,
*


Ou ergo o véu que esconde a sujidade...

Preferem, os "grandões" que essa verdade

Seja ignorada e fique bem escondida.
*

 

Mª João Brito de Sousa

25.03.2022 - 17.25h

***
6.
*

“Seja ignorada e fique bem escondida”

Mas nós devemos sempre pô-la à vista

Para não se esconder a sua pista

E ser escancarada e conhecida
*


E com toda a verdade esclarecida

Pomos esses mandões no rol, na lista

E com a lucidez vai-se à conquista

E a mentira então vai de vencida
*


O que quero dizer “sem molestar”

É para termos armas e lutar

Fazendo sempre o bem, dando o sinal
*


Mas quando ofendidos por rapace

Nunca se lhe oferece a outra face

Lutamos contra ele e contra o mal
*

Custodio Montes

25.3.2022
***
7.
*

"Lutamos contra ele e contra o mal"

Que o mesmo espalha sobre o mundo inteiro...

Mas quem derrubará o deus-dinheiro

Quando o bom-senso pouco ou nada vale?
*


Todavia, que o justo se não cale,

Que não abrande o passo o caminheiro,

Nem naufrague a barcaça do barqueiro

Até que o homem novo em nós se instale
*


E (re)formule as multinacionais

Até que todos não tenhamos mais

Do que quanto nos baste pra vivermos
*


Distribuindo equitativamente

O que mais falta faça a toda a gente:

Que um dia a todos caiba o que colhermos!
*

 

Mª João Brito de Sousa

25.03.2022 - 21.40h
***

8.
*

“Que um dia a todos caiba o que colhermos”

E que quem nada tenha possa ter

Amparo, amor e pão para comer

E a todos força dê para vencermos
*


Mas para todos nós assim o sermos

A guerra e a podridão deviam ser

Extintas para sempre e só vencer

A paz e o amor e assim todos vivermos
*


Seria o ideal … a lucidez

Nos trava essa conquista cada vez

Que a mão pega na pluma da razão:
*


É tanta a avidez e aleivosia

Que o ser humano não se distancia

Da guerra, da miséria e podridão
*

Custódio Montes

26.3.2922
***

9.
*

"Da guerra, da miséria e podridão",

E à clivagem crescente e tão brutal

Que existe entre trabalho e capital

Há-de impor-se, bem lúcida, a razão
*

 

Do operário que estando "em construção"

Não pôde inda exigir ao seu igual...

Estará cumprida a "construção" final,

Quando a nenhum de nós faltar o pão
*


Mas esta luta é outra e bem dif`rente

Do xadrez fratricida e prepotente

Dos tabuleiros dos grandes senhores
*


Por isso eu escrevo LUTA, apago GUERRA

E tanto anseio pela PAZ na Terra

Quanto desejo um fim prás nossas dores.
*


Mª João Brito de Sousa

26.03.2022 - 09.50h
***

10.
*

“Quanto desejo um fim prás nossas dores”

Mas títeres há muitos e são tais

Que rasgam terra e mar como animais

Cidades e outeiros e arredores
*


Semeiam ao redor só vis horrores

Verdugos sem princípios, anormais,

Corruptos sem vergonha e imorais

Lúciferes na morte, sem pudor
*


Na luta, lutaremos sem descanso

E lúcidos faremos o balanço

Para termos vitória cá na terra
*


Abaixo os sanguinários ditadores

Que só lhes sobra raiva e, rancorosos,

Atormentam os povos com a guerra
*

Custodio Montes

26.3.2022
***

11.
*

"Atormentam os povos com a guerra"

Que sempre encerra int`resses inconfessos

E os inocentes são quem paga os preços

Do alto preço de cair por terra...
*


E sempre que uma guerra em nós desferra

A mais brutal das fúrias dos possessos,

Somos nós os garantes dos progressos

Dessa besta que aponta e que não erra...
*


Que a luz da lucidez nos ilumine

Num`outra luta que tão só domine

Quem nos imponha guerra e exploração
*


E que um futuro justo e solidário

Sorria um dia a todo o proletário

Num mundo rico em Paz e farto em Pão!
*


Mª João Brito de Sousa

26.03.2022 - 14.00h
***

12.
*

“Num mundo rico em paz e farto pão”

Esse mundo com pernas para andar

Havendo gente boa e a mandar

E que tivesse amor no coração
*


Mas há em todo o lado o figurão

Que quando lá se apanha a governar

Passa a vida a mentir e a enganar

Dizendo tudo ser pela nação
*


Que o povo ao votar repare bem

Se vota na pessoa que convém

Para gerir os bens da sociedade
*


Sê fino, português, dá o teu voto

A quem seja honesto, não escroto

Sê lúcido e escolhe a probidade
*


Custodio Montes

26.3.2022
***

13.
*

"Sê lúcido e escolhe a probidade"

Que por enquanto, amigo, o rumo é esse;

Neste mundo nem sempre o que parece

Corresponde, afinal, à realidade...
*


Mas enquanto a dulcíssima Igualdade

Lá no topo da Luta amadurece,

Dá o teu voto a esse que o merece,

Esquece o que mente em nome da verdade
*


E se, indeciso, tens dificuldade

Na escolha, pensa bem, pensa à vontade

Quem melhor representa o teu interesse
*


De classe, sempre que há dificuldade

E o poder de compra se te evade

Antes que finde um mês e outro comece.
*


Mª João Brito de Sousa

26.03.2022 - 17.30h
***

14.
*

“Antes que finde um mês e outro comece”

Nunca se perca o rumo da viagem

Para que em cada dia sem miragem

Se atinja tudo aquilo que apetece
*

 

Mas um apetecer que se merece

E não o que pretende a vilanagem

Com tortuosidade e vassalagem

E ao lado o semelhante que empobrece
*

 

Por isso, lucidez, a ti te peço

Que me guies a mim como mereço

E me dês, nos tormentos, guarida
*

 

Já salvaste muita gente sobre a terra

Perdoamos-te agora, acaba a guerra

“Se a alguns mataste, a outros deste vida”
*

Custódio Montes

26.3.2022
***

A TECEDEIRA DE BARCAS, 1999.jpg

 

 

25
Mar22

LUCIDEZ

Maria João Brito de Sousa

 

LUCIDEZ
*

Pela Paz Entre os Povos
*


Se a alguns mataste, a outros deste vida

E a mim já me salvaste tanta vez,

Que se me abandonasses, lucidez,

De mim própria estaria já perdida
*

 

Sem um rumo, uma porta de saída,

Saltando de talvez para talvez,

Desconhecendo todos os porquês

Desta vontade de me ver cumprida
*


Ainda que, por vezes, de revés,

E noutras tantas vezes de fugida

Ao sabor da nortada e das marés,
*


Mas sempre, Lucidez, comprometida

Com aquilo que sou - porque tu és! -

O meu cais de chegada e de partida.
*


Mª João Brito de Sousa

21.03.2022 - 10.50h
***

Fotografia de António Pedro Brito dee Sousa

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