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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
14
Jan24

INTEMPORALIDADE - Mª João Brito de Sousa e Lourdes Mourinho Henriques

Maria João Brito de Sousa

Pétala Luís Rodrigues.jpg

Aguarela de Luís Rodrigues

*

 

INTEMPORALIDADE
*
Coroa de Sonetos
*

Mª João Brito de Sousa e Lourdes Mourinho Henriques

*
1.
*

 

Aqui não há passado nem futuro;

O presente é fieira que não finda

E não tem de passar por nenhum furo

Embora a agulha disso não prescinda
*


E disto estou seguro, tão seguro

Quanto de não haver ninguém que cinda

A ponta que se afasta e que conjuro

Como se o tarde cedo fosse ainda...
*


Onde não há princípio nem há fim

Sou tudo e não sou nada. Este ínterim

É somente ilusão. Paradoxal?
*


Talvez sim, talvez não, talvez talvez,

Já não quero saber de outros porquês;

Quem mede esta meada intemporal?
*

 

Mª João Brito de Sousa

01.11.2021 - 10.30h
***

2.
*
“Quem mede esta meada intemporal?”

Alguém cujo engenho e muita arte

Pintando numa tela sem igual,

Expõe a sua alma em toda a parte.
*

Alguém que seus poemas nos of’rece

Cada dia que passa, que beleza,

Qual deles o melhor, e com certeza

Que sua inspiração jamais falece!
*

A Musa está presente a toda a hora,

Mas insistindo sempre, vai lutando

Contrariando a falta da visão!
*

Eis Morfeu a chegar, e a João

Pára a poesia e lá vai andando

P’rós braços dos lençóis, dormir agora!
*

Lourdes Mourinho Henriques

02.11.2021
***


3.
*
"Prós braços dos lençóis dormir agora (!)"

Como se lá por fora a noite escura

Tentasse convencer-me de que a hora

Se tornou, de repente, mais madura...
*

Irei, sim, quando a Lua tentadora

Vier falar-me da sua loucura

E, aproveitando o Sol ter-se ido embora,

Cerrar-me os olhos com toda a candura...
*


Mas na verdade, minha boa amiga,

Quando esta minha Musa me castiga

E se recusa à nossa interacção
*


Fico de mãos atadas. Pouco crio

Quando, não vendo a Musa, olho o vazio

Criado pela sua rebelião
***


Mª João Brito de Sousa

02.11.2021 - 15.40h

4.
*

“Criado pela sua rebelião”

A todos os que escrevem, acontece,

Quantas vezes de nós ela se esquece

E nos deixa grande desilusão!

 

E é enorme então a frustração

Se ao pegar na caneta p’ra ‘screver

A Musa isso não deixa acontecer

Ficando assim inerte a nossa mão!

 

Mas eis que, de repente, ela aparece

P’ra não pensarmos que de nós se esquece

E vai-nos conduzindo p’la poesia…

 

Diz-nos o que ‘screver em cada verso

E o nosso pensamento, então imerso,

Vai criando poemas… que alegria!
*

Lourdes Mourinho Henriques

02.11.2021
***

5.
*

"Vai criando poemas... que alegria(!)"

E que bela razão pra se estar vivo

É transformar-se o verbo em sinfonia

Sem da monotonia estar cativo!
*


Começa a despontar a melodia;

Se o soneto tem tempo(s) que eu cultivo

Eu sinto-me em completa sinergia

Com estas pautas das quais me não privo.
*


Mais pulsam as palavras apressadas,

Mais correm minhas mãos (dantes aladas...)

Em direcção ao fecho, à conclusão
*


E este meu remendado e velho peito,

Não sabendo correr fica sem jeito

A ver se lhe não escapa o coração...
*


Mª João Brito de Sousa

02.11.2021 - 23.10h
***

6.
*

“A ver se lhe não escapa o coração”

Que a mente está bem viva e criadora

E vai escrevendo pelo dia fora

O que na alma vai, com emoção.
*

Lembranças de quando era criança,

Memórias do tempo da ilusão,

Guardadas na gaveta da esperança

Que hoje são alento do coração!
*

Mas vai sempre insistindo, não desiste,

Lindos poemas vai escrevendo… e insiste

Em manter a mente sempre ocupada.
*

Por mais que isso lhe custe, persistente,

Os versos vão surgindo de repente

Deixando a nossa mente extasiada!
*

Lourdes Mourinho Henriques

03.11.2021
***

7.
*

"Deixando a nossa mente extasiada",

Tão extasiada quanto o Tempo fica

Quando anda com a Musa de mão dada,

Sem saber bem o que isso significa
*


Pois toda a musa é criatura alada

Que tanto o tempo pára quanto estica,

Que tudo pode sem esforçar-se nada,

Que ninguém mede e ninguém quantifica...
*


Toma cuidado, ó Tempo intemporal;

Não te quer bem, a Musa, nem quer mal,

Mas é mais livre do que jamais foste
*


E se não tens cuidado e te distrais

Ela puxa por ti, pede-te mais;

Tempo, não há quem contra a Musa arroste!
*


Maria João Brito de Sousa - 04.11.2021 - 08.30h
***
8.
*

“Tempo, não há quem uma Musa arroste”

Pois ela sem esperarmos aparece

E nem que a encostemos a um poste

Ela só vem quando lhe apetece.
*

Mas se a ti se aliar, a ti se encoste

Vê se lhe concedes mais um tempinho,

Não deixes que se perca, se desgoste,

Mesmo que nos visite de mansinho.
*

Ah! Tempo, que nos limitas a vida

Que às vezes, é tão curta na partida

E a Musa nem nos chega a visitar…
*

Não queiras ser carrasco dessa Musa

Que sempre nos visita e sem recusa

Por vezes nos ajuda a inspirar!
*

Lourdes Mourinho Henriques

04.11.2021
***

9.
*

"Por vezes nos ajuda a inspirar"

E também a sorrir ela auxilia

Tal como nos ajuda a superar

As rasteiras da vida, dia a dia.
*


E musas há que gostam de sonhar,

Enquanto outras preferem a magia

De construírem castelos no ar

Ou de acenderem estrelas pr`Harmonia.1)
*


São tantas essas musas feiticeiras,

Quantas serão as nossas mãos obreiras

Das coisas que os seus dedos vão criando
*


E quando chega a hora da partida

Parte a Musa também, que assim a vida

Por igual Musa e Gente vai tratando.
*


Mª João Brito de Sousa

05.11.2021 - 08.30h

1)Harmonia- Deusa da Paz e da Concórdia na Mitologia Grega
***

10.
*

“Por igual, Musa e Gente vai tratando”

P’ra ele, ambas trata por igual,

E traiçoeiro, o tempo vai passando…

Tantas vezes as leva em vendaval!
*

Leva a Musa, tira-lhe a inspiração

Que trazia p’rá Gente… Foi ficando

Cativa... e a matou sem compaixão

Até que a Gente também vai levando!
*

Oh! Tempo, que tanto nos magoas,

Nos roubas nossas Musas e Pessoas

Que tanto gostariam de viver!
*

Não sejas tão cruel, tem compaixão,

Deixa ambas viver, dá-lhes a mão,

Só querem continuar a escrever!
*

Lourdes Mourinho Henriques

05.11.2021
***

11.
*

"Só querem continuar a escrever"

Estes poetas com sonhos nas veias

Que talvez não consigas entender

Porque te afrontam com suas ideias
*


Ó Tempo, nenhum mal te irão fazer!

Não sei, Tempo, não sei por que os odeias

Quando, afinal, te irão enaltecer

Ainda que o não saibas ou descreias...
*


Aqui irei cessar de interceder

Por poetas e musas, que morrer

Cabe a todos os vivos, afinal.
*


Só tu, ó Tempo, irás permanecer

Sempre a fluir e às vezes a correr,

Porque só tu nasceste intemporal.
*


Mª João Brito de Sousa

05.11.2021 - 15.00h
***

12.
*

“Porque só tu nasceste intemporal”

Só tu nos vês chegar, também partir,

Só tu nos vês lutar e bem ou mal

Nos vais acompanhando… vês-nos ir…
*

 

Muitas vezes seguindo por caminhos

Nunca por nós sonhados, quando em quando…

Às vezes vais-nos dando uns miminhos

Mas noutras, vais-nos deixando chorando!
*

A vida inteira tu nos acompanhas

Ao lado do Destino e suas manhas

Pregando quando em vez suas partidas.
*

A ti, ó Tempo, que és intemporal,

Ninguém te vence e não existe mal

Que te atinja, como nas nossas vidas.
*

Lourdes Mourinho Henriques

05.11.2021
***

13.
*

"Que te atinja, como nas nossas vidas",

As breves vidas que tu nos concedes,

Nem sempre alegres e bem sucedidas

E tão curtinhas face ao que tu medes
*


Que se as ambicionamos mais compridas,

Compreensíveis são as nossas sedes

De ti, Tempo, que ditas as partidas,

De ti, que não as vês nem as impedes...
*


Assim vamos vivendo enquanto passas

Sem dar conta das vidas que ameaças,

Nem das vidas que aqui viste nascer
*


Por isso, se em verdade és Tempo/Espaço,

Seremos nós quem passa, passo a passo,

Por ti, sem te sabermos entender...
*


Mª João Brito de Sousa

06.11.2021 - 10.15h
***

14.
*

“Por ti, sem te sabermos entender”

Somos nós que passamos algum tempo

Numa curta viagem, sem saber

Se ela será normal… ou a destempo!
*


Uns vivem longa vida, quantas vezes

Pedindo que se aproxime o seu fim,

Mas outros vão passando por revezes

E partem sem querer, sina ruim…
*

Ó Tempo, tu que és intemporal

E por vezes vês por nós passar o mal

Podias poupar-nos tempo tão duro.
*


Chegamos e partimos deste mundo

Que dominas, é um mistério profundo,

“Aqui não há passado nem futuro”!
*


Lourdes Mourinho Henriques

06.11.2021
***

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