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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Abr17

LÍQUIDOS CAMINHOS...

Maria João Brito de Sousa

Rob Gonçalves - Realismo Mágico.jpg

 



Ainda que ilusório este meu mar

E desmentida a sua força bruta,

Tudo faria pr´ó reconquistar,

Tudo faria, excepto dar-lhe luta,



Pois nunca lhe tentei sequer escapar

E toda me fiz mar nesta permuta

Dos líquidos caminhos por explorar

No mapa desta força que os recruta...



Se neste fim-de-Tejo me fiz gente,

Ao mesmo fim-de-Tejo entrego a vida

Tentando ser-me, ainda, água corrente



Que muito embora escassa e poluída,

Encara o mar que a espera bem de frente

E sempre em frente ruma, decidida.



Maria João Brito de Sousa - 20.04.2017 - 12.13h

 

Tela de Rob Gonçalves 

 

07
Mar16

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (16)

Maria João Brito de Sousa

images (26).jpg

 

DESEJOS VÃOS



Eu qu’ria ser o Mar d’altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu qu’ria ser a pedra que não pensa,

A Pedra do caminho, rude e forte!



Eu qu’ria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu qu’ria ser a árvore tosca e densa

Que ri do mundo vão e até da morte!



Mas o Mar também chora de tristeza...

As Árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!



E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!..



Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"



REFLEXÕES...



"Eu queria ser o Mar d`altivo porte",

Sentir-me a flutuar na vaga imensa

Que se ergue prepotente, irada, tensa,

Pr`a desfazer-se em espuma, num desnorte...



"Eu queria ser o Sol, a luz intensa",

O brilho luminoso, o raio forte

Que, aceso, nos aquece e recompensa,

Mas nos foge a seguir, tal como a sorte...



"Mas o Mar também chora de tristeza",

Desfaz-se a vaga em espuma e, sem surpresa,

Rende-se à noite escura o astro ardente



"E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia",

Vai concedendo à Lua a primazia

De um brilhozinho suave e transparente...





Maria João Brito de Sousa - 09.02.2016 - 14.27h

 

 

02
Fev10

UM BICHO SEM-VERGONHA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Sou bicho velho e duro de roer…

Discordo, cá por dentro, a toda a hora,

Não torço e nem quebrando eu “salto fora”

E nunca disse “sim” a um qualquer!

 

Mas qual raio de sol – um só me basta –

Encanto-me e sorrio e aquiesço…

De forma pendular eu sonho e cresço

Permanecendo firme, embora gasta…

 

Sou bicho que mudou sem se mudar…

Sigo em frente, porém, sem me esquivar

Àquilo que esta vida me proponha…

 

Não procuro… nasci para encontrar

Aquilo que nem eu quis procurar…

Mas nenhum dos meus sonhos me envergonha!

 

 

 

 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

13
Jan10

ESSAS PEDRAS QUE SEMPRE AMEI...

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Eu sempre amei, nas pedras da calçada,

As mil ervas-moirinhas que despontam,

Que sobem para o alto e nos apontam

A força de uma vida que é negada…

 

Pr`a mim, que sou fiel à minha estrada,

Essas pequenas vidas que não contam

São émulos perfeitos que remontam

À génese de mim, já condenada…

 

As pedras que eu amei, as que aqui piso,

Que me rasgam na face este sorriso,

Com as quais desde já me identifico,

 

São coisas quase vivas, quase minhas,

Das quais nascem as tais ervas-moirinhas

De que eu, sendo quem sou, jamais abdico!

 

 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET

 

28
Out09

PLANTANDO LUAS...

Maria João Brito de Sousa

http://www.pibvp.org.br/arquivos/imagens/artigos/img_50.jpg">

 

Trago luas nos bolsos, nas bainhas,

Nas fímbrias mais recônditas do ser

E outras mil que ainda irão nascer

Pr`a compensar mil outras penas minhas.

 

Hão-de brotar as luas, quais grainhas,

Por toda e qualquer parte onde eu estiver!

De cada lua-nova que crescer

Nascerão luas-cheias, redondinhas...

 

Hoje eu amo o luar como quem ama

O Mar, a Terra, a Vida e todo o Céu,

Além, muito pr`além do que é visível!

 

Hoje um quarto-crescente acende a chama

Que a lua, ainda nova, em si escondeu

Enquanto a escuridão lhe foi possível...

 


NOTA - Soneto inspirado no poema "Uma Lua em Cada Mão" de Lisdália Viegas dos Santos, in http://ospoetasdaapp.blogs.sapo.pt/72931.html

 

Imagem retirada da internet

 

06
Ago09

CAIXINHA

Maria João Brito de Sousa

 

Sou caixa de Pandora feita à pressa

Na mesa de madeira sem raiz,

Apenas enfeitada com verniz

Construída entre dúvida e promessa…

 

Caixinha toda feita peça a peça

Dessa madeira velha que eu não quis

Mas que volta a tornar-me tão feliz

Assim que a brincadeira recomeça…

 

Caixinha da surpresa… presa… presa

Ao recomeço, ao tempo pendular,

A esse eternizar de uma criança

 

Que nunca poderá sair ilesa

Do que a caixinha um dia revelar

E de um jogo que cansa… cansa… cansa…

 

 

Imagem retirada da internet

12
Jan09

SABE-SE LÁ...

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

Não sabe se é soneto o que escreveu.

Não sabe e nem se importa. Está cansada.

Corre o tempo ao contrário da jornada

Do traço de caneta que era o seu.

 

 

Não sabe se é soneto ou se não é,

Não sabe do que os outros vão fazendo

Mas não sabendo nada, vai sabendo

Naufragar nas palavras tendo fé.

 

 

Vai-se lembrando ainda, vagamente,

De tudo o que deixou por entre a gente,

De tudo o que essa gente lhe pediu…

 

 

Vai-se lembrando enquanto se não esquece

Do muito que quis dar a quem merece

Enquanto vai lembrando o que não viu.

 

  

 

 

 Imagem retirada da Internet (Clepsidra) 

04
Out08

O ESTRANHO CASO DA MULHER QUE SEMEAVA COMETAS I,II E III

Maria João Brito de Sousa

O caso da Mulher-Que-Traz-Cometas

(porque assumiu a sua condição

e vive nesta humana dimensão

sonhando o Paraíso dos Poetas)

 

É um caso verídico, actual

E nada, mesmo nada, a mudará.

Será cometa enquanto andar por cá

(embora o mundo seja virtual...)

 

A Semeia-Cometas sempre o foi...

Por mais que o mundo toque onde lhe dói,

Tem o seu testemunho pr`a passar.

 

A mulher traz cometas nos seus braços

E alheia a confusões e a cansaços

Continua entre nós a semear...

 

(continuação)

 

Continuação do caso verdadeiro

Da Mulher-Dos-Cometas-Virtuais:

- A história já vendeu tantos jornais

Que acabou por correr o mundo inteiro!

 

Tanta tinta correu por causa dela

E tantas edições foram esgotadas,

Que até duas velhinhas entrevadas

Vieram a correr para a janela!

 

Procura-se a Mulher-Que-Traz-Cometas!

Consta que, em tempos, teve tranças pretas

E veste sem requinte e sem cuidado.

 

Procura-se por excesso de verdade.

Procura-se por falta de vaidade.

Procura-se por estar no mundo errado!

 

(epílogo)

 

A Mulher foi julgada em tribunal.

Acusada de "porte de cometa",

A ré dá pelo nome de Poeta

E mantém a postura marginal.

 

Não nega nem confessa o que já fez,

Sorri quando a confrontam c`os lesados

E trouxe mil cometas pendurados,

Tentando semear, mais uma vez!

 

O Caso dos Cometas decorreu

Na arena deste nosso Coliseu,

Numa sessão de porta bem fechada.

 

Dois milénios de pena, em domicílio.

Não pensa em recorrer, recusa auxílio,

Não está arrependida e não diz nada.

 

Ao Fisga com o desejo de rápidas melhoras.

 

Ao Carlos Magalhães porque me faz lembrar

Hércule Poirot.

 

Ao Sapo que, há mais de um mês, se debate com a terrível pandemia da "caixa de correio fulminante".

 

(imagem retirada da internet)

 

29
Set08

EM CADA NOVO OUTONO...

Maria João Brito de Sousa

 

Sempre que for Outono, eu estarei lá,

Nas folhas velhas, mortas e douradas,

No murmurar das árvores cansadas,

No Sol que se despede: - Eu volto já!

 

Há lágrimas no céu, de quando em quando,

E o vento vai gemendo de mansinho

Quando o Tempo prepara o seu caminho

Para o novo Natal que vai chegando...

 

São crianças, as tardes e manhãs

E as noites, a crescer, são como irmãs

Do eterno labutar da nossa vida

 

E, a cada novo Outono, eu lá estarei

Cantando o tal Natal que vislumbrei

Na vida  que vivi tão  de fugida...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.09.2008 - 11.30h

 

Imagem retirada da Internet

20
Fev08

PALCO DA VIDA

Maria João Brito de Sousa

 

 

luz.jpg

 

Amigos, sou aquela que tocou

Por um segundo, só por um momento,

A túnica de luz que iluminou

A morte que ditara o meu tormento.

 

Nesse breve segundo, o sofrimento

Que meu humano corpo trespassou,

Passou de dor a paz e deu alento

À nova vida que essa luz gerou.

 

Agora que me escrevo entre dois mundos

Que invento entre morrer e acordar,

Como "ponto" que lê quanto estribilha,

 

Sou, qual cenário, qual pano-de-fundo,

O actor que sempre teima em não calar

A gratidão imensa da  partilha.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 20.02.2008 - 11-25h

 

 

 

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