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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
09
Jul08

DISTORÇÃO FIGURATIVA

Maria João Brito de Sousa

 

Nestas reviravoltas da palavra,

Onde eu encontro a luz é onde ecoa

A voz que se não cala e que ressoa

Quando o espinho da vida em mim se crava.

 

Adormece esta chama a arder em mim

Numa urgência de SER que me deslumbra

E emerge um novo vulto da penumbra...

O corpo de um poema nasce enfim!

 

Eco de mim, suponho, eu dou-me inteira,

Memória duma vida ... eu, verdadeira,

Presumo-me inocente e sou culpada...

 

No tronco da palavra eu sou palmeira,

Num fruto, em cada flor, amendoeira,

Mas para muita a gente eu nem sou nada...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 09.07.2016 - 23.00h

 

 

O AUTISTA-Pastel de Óleo, 60x60cm

                     Maria João Brito de Sousa - 2006

 

 

 

 

23
Jun08

GESTAÇÃO FLORAL

Maria João Brito de Sousa

Um abraço, um sorriso, um beijo breve,

Um poema a nascer desse momento,

Numa manhã que traz um novo alento

A quem, de tanto dar, já nada deve...

 

À força de sonhar, quem tanto escreve,

Alimenta de sonho o seu talento

E distribui depois esse alimento

Como se a própria dor lhe fosse leve

 

E nasce um novo dia, uma promessa,

Nessa flor de ideais que recomeça

Na estranha imposição da nova ideia

 

Na palavra engendrada - uma raiz -,

Floresce, desabrocha, é tão feliz

Quanto a força que a fez e que a norteia!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 23.06.2008 - 12.26h

 

(Agora mesmo, directamente no post)

Imagem - Gestação Floral - 100x70cm

Pastel de Óleo e Acrílico - Maria João Brito de Sousa 1999

 

05
Jun08

EU, POETA PORTUGUÊS

Maria João Brito de Sousa

AS-Algés, 1955.gif

 

 

 

Eu tenho o nobre toque das areias

Do meu pequeno-imenso Portugal

E vivo em transparências de cristal

Sobre uma estranha fome de alcateias.

 

 

Projecto dos tritões e das sereias

Num traço decidido, horizontal,

Renasço, para o bem e para o mal,

Da cópula carnal de mil ideias...

 

 

Aqui cresci! Castelo em construção

Do sonho e da raiz de uma ilusão

Onde naufraga um mar todos os dias,

 

 

Eu escrevo-me em memórias, caravelas,

No sol, na lua e nos milhões de estrelas

Em que a dor espanto, à força de ironias...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 05.06.2008 - 11.56h

 

 

17
Mai08

A FELI(X)CRACIA EM SONETO

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

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Um gato é um poema que Deus fez

Num dia em que, sentindo-se feliz,

Quis ofertar ao mundo um aprendiz

Da felicidade eterna e sem porquês

 

Mas, depois de o criar, pensou, talvez;

- Fosse o homem tal qual como eu o quis,

Assumindo-se assim, como eu o fiz,

Teria, também ele, estas mercês...

.

Viver, amar a vida e procriar!

Ser curioso, ir indo à descoberta

De tudo o que há em volta e mais além...

.

Ser tanto e ainda assim poder sonhar!

Ó alma! Ser-se assim, pura e liberta

Desta insatisfação que um homem tem...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 17.05,2008 - 11.42h :)

.

15
Mai08

A ILHA

Maria João Brito de Sousa

 

 

Serei sempre uma ilha de paixões

Rodeada de mundo a toda a volta...

Deserta por decreto da revolta

Que me encheu de lagoas e vulcões...

 

Em mim os animais são aos milhões,

Correndo como o verso, à rédea solta,

Pois por cima da lava que me solda

Lavrei um verde manto de ilusões

 

E neste Paraíso em que me dou,

Entre ervas, embondeiros, brancos lírios,

Sou Arca de Noé de âncora presa!

 

Talvez alguém duvide do que sou,

Talvez seja mais um dos meus delírios,

Talvez seja uma forma de defesa...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

 

Um dos poemas que foi a concurso no Prémio de Poesia Palavra Ibérica.

 

Na Imagem - Uma tela de KI - trapezio.blogs.sapo.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Mai08

CABELOS DE LUAR

Maria João Brito de Sousa

De quantas meias-luas serei feita?

Quantas, ó lua irmã, serei de ti?

Em quantas meias-luas me vivi

Neste anseio lunar de alma imperfeita?

.

Em quantas meias-luas já desfeita

Chorei por me dizeres que te menti?

E feita meia-mar serei, por ti,

A outra meia-lua, a tua eleita!

.

Ah! Quanto mar na Lua que vou sendo,

Ou quanta lua em mim, neste meu mar

E quanto estranho amor entre esses dois;

.

No espelho desse mar é que vou vendo

Os meus cabelos brancos, de luar,

À espera de um luar que vem depois...

 

Maria João Brito de Sousa - 03.05.2008 - 13.04h

.

Dedicado a duas amigas que acreditam que eu "ficarei" mais jovem se pintar o cabelo. E para que raio quereria eu "parecer" mais jovem?

.

"Harmonia e Preconceito", 40x30cm, Acrílico e Pastel de Óleo s/ Canson

(entre-vidros)

29
Abr08

DE PASSAGEM I e II

Maria João Brito de Sousa

 

Passagem! Eu, por cá, estou de passagem!

Passo por esta vida e vou deixando

Sementes do que for congeminando,

Porque assim se me cumpre esta viagem

 

E passo até por ti, que adivinhaste

Meus versos de semente abrindo em flor

Pois assim deve ser enquanto for

Preciso semear no que sonhaste...

 

Passagem! De passagem se semeia,

De passagem se colhe esse sonhar

A despontar em nós que o semeámos,

 

De passagem se vive uma epopeia,

Se rasgam novas rotas pelo mar,

Se sobrevive ao sonho que sonhámos!

.

II

 

Eu passo pelo mar, passo por terra

E é no ar que construo o meu poema

Enquanto, lá de baixo, a vida acena

Com todos os mistérios que ela encerra

 

E desconstruo o sonho e volto à vida,

Vou decifrando mais e, deslumbrada,

Retomo a minha eterna caminhada

Em direcção à Terra-Prometida

 

Pois passo e no passar é que desvendo

Os segredos do mundo, o que ele murmura

Enquanto o tempo passa como eu passo

 

E quanto mais passar, mais eu aprendo;

É viagem de estudo à sepultura,

Mas nunca passará quanto aqui faço...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 29.04.2008 - 12.27h

 

 

21
Abr08

A IMAGEM NO ESPELHO

Maria João Brito de Sousa

 

Esta parte de mim nunca tem fundo;

É um poço, um abismo, um nunca-acaba!

Se nela caio, já ninguém me agarra

Que esta parte de mim é de outro mundo...

 

Nesta parte de mim, quando caminho

Neste fio-de-navalha em que me vivo,

Descubro os sonhos novos que cultivo

E que cheiram a mel e rosmaninho...

 

É aqui, neste espelho em que me mostro,

Que sou mais eu, que sou mais verdadeira,

Que dispo outras roupagens que me cobrem

 

Noutra imagem de mim, quando demonstro

Que, apesar de dispersa, fico inteira,

Muito além das feições que aqui me morrem...

 

 

Maria João Brito de Sousa - 21.04.2008 - 13.19h

 

.

Fotografia - Pormenor da tela homónima deste poema, de Georges Rouault

                   Paris, 1906

09
Abr08

O NASCIMENTO DO POEMA

Maria João Brito de Sousa

Eis o poema! Nasce e quer ser visto

Pois traz um eco, um grito, uma missão:

- Nasci e sou poema, ó multidão!

Sou feito de palavras, mas existo!

 

Cumpri-me e sou poema! A minha voz,

Seja grito, lamento ou gargalhada,

Jamais irá render-se ou ser calada

E ecoará, talvez, dentro de vós...

 

Ah! Quanto humano sonho em mim carrego!

E que imensa certeza eu trago em mim

Quando nada me prende ou me acorrenta...

 

De quanto houver em mim, nada vos nego;

Desvendo o que souber, sou mesmo assim,

Sois vós quem me dá vida e me acrescenta...

 

Maria João Brito de Sousa

 

09.04.08 - 9.00h

 

Soneto dedicado a todos os meus amigos, sem excepção, e a todos os que casualmente por aqui passarem, contribuindo assim para o nascimento de mais poemas.

06
Fev08

MARIA-SEM-CAMISA XIII

Maria João Brito de Sousa

 

Não vive no seu tempo, esta Maria!

Vive dos amanhãs que estão por vir

E venha quem vier pr`á desmentir,

Maria ri, por dentro, e desafia;

 

Desafia o que julgue que a sabia,

Porque essa sem-camisa vive a rir

E não há quem entenda o seu sentir

Pois, podendo ter tudo, nada qu`ria

 

E quando alguém a tenta intimidar,

Maria-Sem-Camisa, num sorriso,

Regista o que foi dito e diz que sim,

 

Mas, assim que se cale o que o tentar,

Maria, sem fazer qualquer juízo,

Há-de sorrir, por dentro, até ao fim...

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 2008.02.06 - 02.59h

 

 

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