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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Jun21

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS... - Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis

Maria João Brito de Sousa

GUITARRAS.jpg

ESCREVESSE EU SONETOS GAGOS...
*

Coroa de Sonetilhos
*

Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
***

1.
*
Escrevesse eu sonetos gagos,

Ou mal falados, ou mudos...

Sonetos machos, barbudos,

Mas tão ternos quanto afagos
*


Que, em tocando, fazem estragos

Nos corações mais sisudos...

Mas não, os meus são veludos

Já pelo tempo esgaçados...
*


Cantasse eu versos que mordem

Como quem com fome beija,

Soubesse eu criar desordem,
*


Drama, ciúmes, inveja...

Acordes meus, não me acordem,

Se nenhum de vós gagueja!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 23.06.2021 - 13.06h
*

Ao Fernando Ribeiro

***
2.
*

“Se nenhum de vós gagueja”,

Coisa de somenos vista,

Já eu roo-me de inveja

Porque a gaguez é de artista.
*

Curioso, que ao cantar

Sai-nos tudo de uma vez…

E melhor do que a rimar,

Que aí é que é ver “gaguez”!
*

Embalada em melodia

Pensáveis que eu escrevia

Mas, afinal, só cantava.
*

Porque se eu ga - gaguejasse

Haveria quem não esp’rasse

Para ler esta estopada!
*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

3.
*

"Para ler esta estopada(!)"

Garanto que pagaria

E até ga-gaguejaria

Não sendo gaga nem nada,
*


Só pra marcar a toada

Da rima que se recria

Dia e noite ou noite e dia,

Conforme a hora marcada
*


Se isto soa a pleonasmo,

Ou talvez contradição,

Não me liguem! Eu só pasmo
*


Que, com tanta produção,

Inda não sentisse um espasmo

Dos fatais... no coração.
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 17.45h

***
4.
*

“Dos fatais... no coração”

É lá coisa que se diga!

Acaba-se a produção,

Fica fome na barriga.
*


Se soa a comparação,

É que o lanche já marchava

Mas a tal de inspiração

Chovia se Deus a dava…
*

Mas vou-me já à cozinha

Perdoem-me os vates todos

Se não se acharem cómodos.
*

Cenoura, courgette em linha,

Coentros, alguma aguinha,

O meu jantar é sopinha!
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

5.
*

"O meu jantar é sopinha"

Que não "marcha" antes das dez,

Já que almocei - outra vez... -

Bem tarde, quase à noitinha
*


E isto de jantar sozinha

Tem vantagens, traz mercês,

Porquanto, às duas por três,

Viro costas à cozinha
*


E sem razões nem porquês

Vou treinando esta gaguez

Que, por ora, está fraquinha,
*


Mas, bem treinada, talvez

Ganhe aquela solidez

Que, creio, já se avizinha...
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021- 19.30h
***

6.

*

“Que creio já se avizinha”

Pelo cheiro que aqui sinto…

E podem crer que não minto,

Que a sopa se acha prontinha.

*

Não sofro já de gaguez

E fome não passo eu já.

Sem comer fico “gagá”

E então gaguejo outra vez!

*

Não queremos ficar fracas

Como velhas matriarcas

Num encontro obsoleto.

*

Nem que use como “muletas”

Esta sopita de letras,

Sonetilho e não soneto.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

7.
*

"Sonetilho e não soneto"

Se chama a esta estrutura,

Mais curtita na largura

Mas igualmente completo.
*


Será do soneto neto

Mas mantém-se à sua altura;

Belo como uma escultura,

De muitos será dilecto
*


E mantém toda a lisura

Do avô cuja postura

Vai imitando, discreto.
*

Não gagueja, nem descura

Ser um marco prá Cultura

E, para o poeta, um repto!
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 21.30h
***

8.

*

"E para o poeta, um repto",

Provocação, desafio

Que só provoca arrepio

De usá-lo como um inepto.

*

Ancestralmente falando

Não sei onde fui buscar

Tal forma de versejar

Que ando para aqui usando.

*

Enfim, ao correr da pena

Vem-me à tona outro tema:

A poesia multiforme.

*

Se eu gaguejasse em poesia

Nem sei que graça acharia

Essa Musa que não dorme...

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

9.
*

"Essa Musa que não dorme"

E que nunca foi "gágá"

Pode achar graça - eu sei lá...-

A quem gagueje ou performe
*


Verso gago que transforme

Uma graçola em maná...

Ou essa gaguez será

Coisa que muito a transtorne?
*


Só nos resta exp`rimentar

E se a Musa se irritar,

Assobiamos pró lado;
*


Eu nem sequer ga-gaguejo...

Foi talvez um bo-bocejo

De um verso mais ensonado
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 11.25h
***

10.

*

“De um verso mais ensonado”

Fica a “gaguez” de um bocejo

Que sem pedir ou ter pejo

Surge, sem ser desejado.

*

Mas se vem à revelia,

Verdade é que se finou…

Pois depois que descansou

Acordou em novo dia.

*

Se a Musa se transtornar,

Depressa a vamos lembrar

Que dormir é bom remédio

*

Pois, ficar a bocejar

É pior que gaguejar:

Dá-te sono e dá-te tédio.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 28/06/2021
***

11.
*
"Dá-te sono e dá-te tédio"

Tanto bo-bo-bocejar

E Morfeu, sempre a rondar,

Faz-me pensar em assédio...
*


Contudo, neste meu prédio,

Toda a gente é de fiar...

Morfeu que se vá lixar;

Está na hora do remédio!
*

Engulo duas pastilhas

Mais rijas do que cavilhas

Que "empurro" c`um copo d`água
*


E, do almoço esquecida,

Ve-versejo embevecida;

Vem o verso e vai-se a mágoa ;)
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 14.36h

***

12

*

“Vem o verso e vai-se a mágoa”,

Que se lixem gargarejos,

P’ra eles os meus bocejos

Ferventes na pouca água!

*

Ora, não querem lá ver?!

Se eu tiver dor de cabeça

Não será porque mereça

Mas porque estou a ferver...

*

Pastilhas eu não engulo…

Podem colar-se ao casulo

Da minha pobre garganta.

*

Porém, se for necessário,

Deixo aqui um corolário

Que ajude a pintar a “manta”

 

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

13.
*

"Que ajude a pintar a manta"

Com cor que seja bem viva

Pois, se é viva, a cor cativa

Quem pela manta se encanta
*


E se acaso essa cor espanta

Por ser muito apelativa,

Ga-ga-gagueja a comitiva

Que, ao olhá-la, se ataranta;
*


- Mas que pre-preciosidade!

Nada vi que mais me agrade!

Que manta tão-tão-tão bela!
*


Se não a confeccionou,

Di-di-diga onde a comprou,

Quanto pa-pagou por ela?
*


Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 17.42h
***

14.

*

“Quanto pa… pagou por ela?”

Paguei por ela… eu sei lá

Se aquilo que valerá

Faz jus a coisa tão bela!

*

Eu até fico amarela

Por estar quase a gaguejar

Que p’ra manta apregoar

Até me falha a goela…

*

Tem colorido a preceito!

A nossa manta tem jeito

‘Inda que feita aos bocados.

*

Quem quiser igual assim

Aprenda porque aqui vim:

“Escrevesse eu sonetos gagos”!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

 

NOTA - Tema inspirado no "Fado Mal Falado" de Hermínia Silva e no "Fado Gago" de Sérgio Godinho
*

RESERVADOS OS DIREITOS DE AUTOR

29
Jun21

NÃO SEI - Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis

Maria João Brito de Sousa

NÃO SEI.jpg

NÃO SEI
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
***


1.
*
Não sei o que fazer…. o que farei ?

Divago lentamente ao som da avena

Escrevo o que sair da minha pena

E aquilo que escrever logo verei
*


Avanço linha a linha mas não sei

Se a peça que vier, trazida à cena

Será grande essa obra ou pequena

Para me envergonhar perante a grei
*


Não sei não sei não sei…vou escrever

E tu leitor amigo vais dizer

Depois de ver e ler com atenção
*


Se merece um aplauso este poema

Se só merece encomio pelo tema

Ou se nem vale dar opinião
*

Custódio Montes

27.6.2021
***


2.
*

"Ou se nem vale dar opinião",

Pergunta-me o poeta companheiro

Do verso que criado a tempo inteiro,

Traz no celeiro do seu coração.
*


E está pronto a glosar, que em profusão

Se vai multiplicando, bem ligeiro,

Épico às vezes, noutras mais brejeiro,

Mas jamais sem sentido e nunca em vão!
*


Não sente o tal "bichinho-carpinteiro"

Que sempre exige um verso e, feiticeiro,

Faz renascer o espanto e a paixão?
*


Estou certa de que o sente vir, certeiro,

Pedir verso que nasça do primeiro

E outro e mais outro... até à exaustão!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021- 13.42h
***

3.
*

"E outro e mais outro... Até à exaustão!"

Porém, a exaustão não chega aqui.

Se há um que mal vê ou dói-lhe a mão,

Há outro que aparece qual escanção...
*


E saboreia assim o melhor bago,

Depois de já maduro para o dente.

Poeta só degusta, num afago,

Palavras que se escapam do que sente.
*


Na mesa de um café pus-me a teclar

Sorvi o dito cujo sem dar conta

Mas sei que o que paguei foi pouca monta.
*


Antes que uma razão me possa achar

Agora, sem rever o que escrevi,

Receio ver-me já sair daqui.
*

Helena Teresa Ruas Reis - 15.20h
***

4.
*

“Receio ver-me já sair daqui”

Não fuja amiga Ruas que é bem-vinda

Porque se eu não sabia bem ainda

O que ia escrever, agora vi
*


Porque este belo encontro tido aqui

É conjugar poesia bela e linda

E pôr os três autores na berlinda

E nela aqui estou, já a senti
*


Poema é mesmo assim, como cereja

Seguindo-se um ao outro em peleja

Combate sim mas só de amizade
*


Discute-se a palavra com certeza

Mas sendo alinhada com beleza

Com graça e também simplicidade
*

Custódio Montes

27.6.2021
***

5.
*

"Com graça e também simplicidade"

Não faltando o tempero do talento,

Os versos voam mais que o próprio vento

Que hoje açoita os telhados da cidade.
*


Em cada verso, um gesto de amizade

Vem galgar a distância, sempre atento,

Não vá algum de vós perder alento,

Ou eu, a habitual temeridade...
*


Um verso chama o outro que, ao ouvi-lo,

Corre para o soneto e faz aquilo

Que um verso melhor faz, quando liberto;
*


Se achar lugar no peito de um irmão,

Logo o abraçará num gesto são

Deixando, para os mais, um espaço aberto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 19.05h
***

6.
*

“Deixando, para os mais, um espaço aberto”

Onde o talento possa prorromper

Sem nunca se cansar ou se perder,

Mesmo tendo passado pelo deserto.
*


Que há mãos e pensares na amizade

Para te retirar à inacção,

Levando a construir, na emoção,

Por laços fraternais e de vontade.

*

Um verso atento a outro e a outros chama.

A muda e calma voz que assim proclama

Só ouves no bater do coração…

*

Sonoro, dentro em ti porque palpita,

É vida, e se procria, Deus permita

Que seja sempre eterna a criação.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

7.
*

“Que seja sempre eterna criação”

E há-de ser pois nele há liberdade

E diz o que quiser e à vontade

Pois não tem o poema um travão
*


Diz o que quer e sempre com razão

Imagina e descreve a realidade

Escreve sobre o campo e a cidade

E cria um mundo novo em construção
*


E a gente lê o texto que se cria

Todo o seu conteúdo e fantasia

E acha graça e fica-se contente
*


E nesta criação e a inovar

O mundo ganha forma e outro andar

Com isso ganha muito toda a gente
*

Custódio Montes

27.6.2921
***

8.
*

"Com isso ganha muito toda a gente"

Porquanto esta arte a todos nos eleva

E não será apenas a quem escreva,

Pois quem o ler alegra-se igualmente
*


E aprende a sentir... pois quem não sente

Aquilo que um poema a ninguém nega?

Ah, todos nós sentimos esta entrega

Que o verso faz brotar, como semente.
*


Assim se multiplica a poesia

Como se uma infindável sinfonia

Fosse, de geração em geração,
*


Galvanizando toda a humanidade;

Reparem bem no verso que se evade,

Que voa e vem pousar nesta canção!
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 22.07h
***


9.
*

“Que voa e vem pousar nesta canção”

Qual pássaro nos ramos do arvoredo,

Que esconde, no seu ninho, mais segredo

Que aquele que fez esta construção.

*

E as penas pequeninas a forrá-lo

De conforto e de amor bem maternal,

A terra feita em barro filial

Como argamassa forte a preservá-lo,

*

Nada são, comparand’ à fantasia

Que surge como nova melodia

Nas palavras que irrompem em registo.

*

Ficará sempre mais do que se escreve

Do que a frase ou o verso quase breve,

Riscos, rimas saídas de um rabisco.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 28/06/2021
***
10.
*


“Riscos, rimas saídas de um rabisco”

Mas feito com a arte e a mestria

De quem olhando as coisas vê e cria

Como construção feita em obelisco
*


Palavra ornamentada posta em disco

Canção que integrada em sinfonia

Enche e engrandece a alma de alegria

E sabe tão bem como um petisco
*


Poemas que umas vezes divertidos

São outras bem mais sérios e sentidos

Com arte com destreza com glamor
*


Tem tudo a poesia é ingente

Tem graça, sentimento anima a gente

E é também ternura paz e amor
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

11.
*

"E é também ternura paz e amor"

Isto que os nossos dedos vão criando

Enquanto os vamos, nós, (des)comandando,

Já que ninguém comanda um verso em flor
*


Que voa como o vento e, ao seu sabor,

Pode ser ora forte, ora tão brando

Quanto o que a poesia for ditando

E conseguirmos, nós, depois compor...
*


Então, por um momento, o tempo pára

Para dar tempo ao verso que dispara

Como uma flecha rumo ao ponto exacto
*


Em que outro verso o espera e, sem saber,

Sabe contudo como o preencher,

Concretizando o que antes fora abstracto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 14.08h
***

12.

*

“Concretizando o que antes fora abstracto”,

Há coisas que a poesia nos ensina

Por vezes, não fosse ela feminina,

Tem um sexto sentido imenso e lato.

*

E vem assim amena, p’la tardinha

Na hora de uma sesta disfarçada

Em sonho bem real, duma assentada,

Trar-te-á a cor-de-rosa numa linha.

*

Tal linha contornada a ponto flor

Borda tudo a seu jeito e com amor

Remata esse bordado à perfeição.

*

Artífices dos bilros, finas rendas,

Desejo de um artista é que aprendas

E que nunca se canse a tua mão!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***
13.
*

“E que nunca se canse a tua mão”

Mão sem género não só feminina

Masculino o poema e que rima

Da poesia gémeo e seu irmão
*


Macho e fêmea a mesma condição

O poeta é assim que nos ensina

E não temos que sair dessa doutrina

Que une e agiganta o coração
*


Mas mais “não sei” agora o que dizer

O pensamento está-me a esmorecer

E vou deixar que outrem esclareça
*


Talvez eu já não veja ao redor

E quem venha a seguir veja melhor

Dando a opinião que lhe pareça
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

14.
*

"Dando a opinião que lhe pareça"

Mais própria deste tema e do momento,

Chega o próximo verso muito atento

(que um verso sempre cumpre uma promessa!)
*


Isto vos comunica e vos confessa

O verso - ora em sorriso, ora em lamento -

Que ainda que fervilhe em sentimento,

É fiel à harmonia que professa.
*


E agora que está quase a terminar

O soneto que assim o fez cantar

Bem mais alto e melhor do que eu sonhei,
*


Não pára o verso de me pressionar

E a cada instante vem-me perguntar;

"Não sei o que fazer... o que farei?"
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 18.42h
***

 

(Reservados os Direitos de Autor)

 

 

 

 

22
Out20

GATILHOS - Coroa de Sonetos -

Maria João Brito de Sousa

gatilhos.jpg

GATILHOS
***

COROA DE SONETOS
***


Helena Teresa Ruas Reis e Maria João Brito de Sousa
***

1
*

Não apontes gatilhos para os céus

Que o pássaro que voa é também teu.

Não sabes porque voa, nem sei eu,

Mas deixa-o voar, até ver Deus…
*

À mosca pequenina não a mates,

Enxota-a p’la janela com cautela,

Se existe, haverá quem a use a ela.

P’lo incómodo que dá é que lhe bates?
*

Humano ou ser-humano, afinal qu’ és?

Bicho racional… por que razão?

Por ter inteligência, coração?
*

À natureza julgas a teus pés,

Que só para ti é tudo o que vês!

Cuidar dela tem eco em teus porquês?
*

Helena Teresa Ruas Reis - 16/10/2020
***

2
*

"Cuidar dela tem eco em teus porquês(?)",

Ou tens empedernido o coração

E não sabes amar nem o que vês?

Não saberás, então o que é razão!
*

Um sem a outra, ou um de cada vez,

Não saberão cumprir sua função;

Coração sem razão será talvez,

Um ógão que traz malformação...
*

Cuidado, nunca apertes um gatilho

Por muito tentador que seja o brilho

Do troféu que do tiro possa vir
*

E tem também cuidado c`o rastilho

Não venhas a arranjar algum sarilho;

Quando activada, a bomba irá explodir.
*

Maria João Brito de Sousa - 16.10.2020 - 14.47h
***


3
*

“Quando activada a bomba irá explodir”

E o pobre coração, sem ter razão,

Se vê num descompasso, a decair,

Que o peito sem um pleito é já prisão.
*

 

Enferruja o gatilho e se desarma!

Fibrilhação sem fé, desordenada,

Cá dentro despoleta como uma arma

Um rastilho que explode. Fica o nada.
*

 

Que resta da manhã em seu esplendor

Se nada vês, tolhido já de dor

Tu que ias ainda agora tão lançado.
*

Mais vale sossegar desse furor,

Sentir que ter cuidado é amor!

Mais vale sossegar bem sossegado.
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 16/10/2020 - 20.24h
*

4
*

"Mais vale sossegar bem sossegado"

E amainar um pouco esse alvoroço

De correr como um tonto apaixonado;

- Senhora, bem sabeis que nada posso
*

Contra este meu pulsar descompassado,

Que sempre me apaixono como um moço!

- Ah, coração, que ficas destroçado

E que a mim me transformas num destroço!
*

- Que hei-de fazer, senhora, se estou vivo

E se da poesia estou cativo

Por mor de um "fogo que arde sem se ver"? 1)
*

- Corre então, coração. Não mais te privo

Desse amor que te aperta como um crivo;

És o gatilho que me irá perder!

*


Maria João Brito de Sousa - 16.10.2020 - 21.02 h
*

1) Alusão ao soneto "Amor é Fogo que Arde sem se Ver" de Luiz Vaz de Camões.
***

5
*

“És o gatilho que me irá perder”

N’ aquela triste e leda madrugada

Em que, querendo, já não possa ver

Nem decorrer do dia nem noitada.
*

Oh, aves do meu voo p’ra viver

Levai-me! Levantai-me dessa estrada!

Lá do alto tudo posso conhecer,

A águia guerreira ou a cigarra.
*

Hei-de ver todo o mundo num começo,

À bela natureza que estremeço,

Ao planar com as asas da aventura.
*

Se de novo te usar, ó terra, peço:

Que seja eu perdoada, se mereço,

Mas não mais te darei qualquer tortura.
*

Helena Teresa Ruas Reis - 17/10/2020 - 10,18 h
***

6
*

"Mas não mais te darei qualquer tortura"

Disseste, engatilhado coração;

Sei bem que essa intenção é franca e pura,

Mas sabes tu fugir duma paixão
*

Se és como fruta que não está madura,

Se vais pulsando em louca incontenção,

Se sobre mim exerces ditadura

E, sem razão, me privas da razão?
*

Terás o monopólio da loucura?

Serás senhor da tua própria cura,

Ou escravo dessa eterna frustração?
*


Gatilho és... e à beira da ruptura

Com o tempo que, assim, pouco te dura;

Não tarda, acabarás na tal explosão!
*

Maria João Brito de Sousa - 17.10.2020 - 10.59h

***

7
*

“Não tarda, acabarás na tal explosão”

Bem como esse planeta já cansado.

Inconsequente e pobre coração,

Tu sempre serás meu apaixonado!
*

 

A ciência é vã como ilusão…

Um só impulso vence o mais letrado.

Pensar que estás em mim é perdição,

Pois és somente um músculo alheado.
*

 

Engatilhar-me-ei? Digo que não!

Dei tempo ao tempo, sou nova estação,

Passei calor e o frio mais gelado.
*

 

Em voos, não temi, cruzei trovão,

Contigo padeci, pássaro irmão,

Assim, hoje me sinto renovado.
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 17/10/2020 - 22,09 h
***

8
*

"Assim hoje me sinto renovado"

Mas se não fosse a Ciência reconheço

Que há muito que estaria condenado;

Dela estou dependente e pago o preço
*

Que um músculo serei mas, se parado,

Tudo pára comigo. E recomeço...

À ciência devo este pulsar descompassado

Menos mau que a paragem que não esqueço.
*

E o longo vôo no qual me despeço

Do muito ou pouco que de mim conheço

E do tanto que amei demasiado.
*

Mais do que isto não posso, nem mereço;

Nasci, cresci... estou gasto e já cansado

De impulsionar um sangue velho e espesso.
*


Maria João Brito de Sousa - 18.10.2020 - 11.08h

***

9
*

“De impulsionar um sangue velho e espesso”,

Das veias entupir com inclemência?

Tudo isso viraria pelo avesso

Se no vício usasse de prudência.
*

 

Terei de dar-lhe um novo recomeço

Ou nem me salvará a providência…

Coragem (!) ou desmaio e desfaleço

À míngua de alento e apetência.
*

 

Como terá um músculo indulgência

Como há-de ‘inda usar de sapiência

Em meio ao sobressalto e ao tropeço?
*

 

Pois digo-lhe: Sou eu, mesmo em demência,

Quem buscará salvá-lo em abrangência.

P’lo lema que adoptei, não desfaleço!
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 18/10/2020 - 17,25 h
***
10
*

"P`lo lema que adoptei, não desfaleço(!)"

Mas engatilha o SAAFs o meu pulsar

Congénito, certeiro e sem apreço

Pelo que eu decidir, ou não, tomar.
*

Sou um ser racional e tudo meço

Mas do que em mim trazia ao despontar

Ninguém me perguntou se tal começo

Estaria, ou não, disposta a enfrentar.
*

Lá trouxe, engatilhado, este defeito

Que não se manifesta só no peito,

Mas todo o corpo deixa em tal mau estado
*

Que só se for tratado com preceito

Vai deixando viver quem está sujeito

Ao defeito que trouxe engatilhado 
*


Maria João Brito de Sousa - 18.10.2020 - 18.15h

***

11
*

 

“Ao defeito que trouxe engatilhado”

Sem para tal ser perdido ou ser achado,

Feia a doença e feio o nome dado

Como se fosse fruto de pecado,
*

 

A toda a natureza que se expressa

Com um tiro zangado que arremessa

Ao local onde atinja bem depressa

Aquele alvo, de culpa não confessa,
*

 

Respondo, que não pode interferir

Esse mesmo que irias atingir.

Pode somente, como bem o sabes,
*

 

Fazer-te ter vontade, ultrapassar,

Querer ainda assim retaliar

E será bem possível que te SAAFS…
*

Helena Teresa Ruas Reis - 18/10/2020 - 22,30 h
*

12
*


"E será bem possível que te SAAFS",

E que, com sorte, vivas uns aninhos

Lucidamente, sem cometer gafes,

Sem que troques os ovos pelos ninhos
*

Ainda que, por vezes, tu agrafes

Desalinhadamente uns papelinhos

E que ao lavar dois pratos tu te estafes

Tanto quanto em escalada aos Capelinhos...
*

Repara, engatilhado coração,

Que ambos vamos na mesma direcção;

Eu não vivo sem ti e tu, sem mim,
*

Não serves pra ninguém. Fosses tu são!

Mas furado e depois cerzido à mão...

Nem para doação serves, assim!
*


Maria João Brito de Sousa - 19.10.2020 - 11.28h
***

13
*

 

“Nem para doação serves, assim!”

E já que és meu, vamos disfrutar.

Se foi pela natureza que aqui vim,

De ti e também dela vou cuidar.
*

 

Perdoa que te estafe só um pouco...

Voando até Paris vou viajar.

Irás à Torre Eiffel quase em sufoco

Nos versos do soneto eu hei-de amar!
*

 

De lá de cima o Mundo. Uma vertigem…

O receio que a tudo nos infringem

Dará visão magnânima da vida.
*

 

Nos versos dirimindo o medo virgem,

Mais alto que montanha as rimas cingem

A força de vontade não contida.
*

 

Helena Teresa Ruas Reis - 20/10/2020 - 10,40 h
***

14
*

"A força de vontade não contida"

Engatilha-me os versos desarmados

E reconduz-me ao longo desta vida

Não sei se inteiro, se feito em bocados
*


Que indomado serei. Vendo saída

Não me detenho sobre estes telhados;

Muito mais alto vôo de seguida

E dou comigo em céus não navegados
*

Sem bússola, nem leme ou capitão

Que dome esta loucura, esta paixão

De voar inda além dos sonhos meus.
*

Humano sendo, esta contradição

Não me impede de impor-te este senão:

"-Não apontes gatilhos para os céus"!
*


Maria João Brito de Sousa - 20.10.2020 - 11.20h

 

 

14
Out20

DIZEM QUE MORREU II

Maria João Brito de Sousa

ESSÊNCIA.jpg

DIZEM QUE MORREU...
*

Coroa de Sonetos
*

Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
*
1
*


Usado, adulterado, gasto e morto

Está o velho soneto. Dizem, dizem...

Outras mãos haverá que o enraízem

Que as minhas, hoje, pedem-me o conforto
*

 

De uma tarde serena. Olhar absorto,

Peço às horas que passem, que deslizem,

Que, em fraçcões de segundo, mimetizem

A paz da barca que chega a bom porto.
*

 

Desse instante de paz nasce-me um verso

(sei lá quantos segundos já lá vão...)

E agora o que ambiciono é o inverso
*

 

Dessa paz que me vem da reflexão;

Parem, mentiras, de embalar meu berço,

Que o soneto está vivo e forte e são!

*


Maria João Brito de Sousa - 09.10.2020 - 12.10h
***

2
*

“Que o soneto está vivo e forte e são”

A Maria João e outros o digam,

Basta olharmos as flores que germinam

Em quadras e tercetos do seu chão
*

Pétalas atiradas por magia

Do caule das palavras que as sustêm

Procurando p’la vida, mal ou bem,

Nos entrançados versos da Poesia.
*

Instantes de surpresa, de sucesso

Adornam um jardim assaz composto,

Voraz e criativo à luz de um verso
*

Qu’ ao lê-lo um outro surge a nosso rosto

E em rimas nos arrima num progresso

Em bagos madurados, fresco o mosto.
*

Helena Teresa Ruas Reis
***

3
*

"Em bagos madurados, fresco o mosto"

Destilando-se o néctar das ideias,

Enreda-me o soneto em suas teias,

Ressurge em graça o formato deposto.
*

Soube-me o seu soneto ao sol de Agosto,

Ao sal do mar, às conchas, às areias

Que são beijadas pelas marés cheias

Deste estuário de que tanto gosto!
*

Cante o soneto, cante-o como um hino

De revolta ou de amor, que tanto faz;

Ninguém pode mudar o seu destino
*

Pois cabe nele o mundo! Em si o traz

Ainda que pareça pequenino,

Mesmo que o julguem velho e incapaz!

*

Maria João Brito de Sousa - 10.10.2020 - 12.25h
***
4
*

“Mesmo que o julguem velho e incapaz”,

Mais insignificante ou alheado

Que pó ou grãos de areia no sobrado

Varridos pelo vento mais voraz
*

Trazidos desde o mar pelas palavras

Em espuma que as fustiga, em desatino,

Como se fossem algo clandestino

E não essa poesia que desbravas
*

Eu juro em boa-fé que o vou cuidar

Tentando pela Musa segurá-lo,

Assim consiga eu não soçobrar
*

Que a onda que mo traz pode levá-lo.

Quando inda muito pouco eu sei nadar

Num pouco só de mim posso afundá-lo…

 

Helena Teresa Ruas Reis
***
5
*

"Num pouco só de mim posso afundá-lo"

Para num outro nada reerguê-lo,

Renovado, pujante, honesto e belo,

Que pela Terra inteira há que espalhá-lo.
*

Paremos um segundo. Este intervalo

Bastará pra gerar novo novelo;

Haverá que fiá-lo e que tecê-lo

Até que ambas voltemos a dobá-lo
*

Treze anos vivi para servi-lo,

Mais treze viveria se pudesse

E a razão me deixasse garanti-lo...
*

Nasce a vida dum fio que se não tece;

Se algumas são tão longas quanto o Nilo

Outras se acabam mal o fio comece.
*

Maria João Brito de Sousa - 10.10.2020 - 16.33h
***

6
*

“Outras se acabam mal o fio comece”

São vidas bem mais breves que um poema

Pois elas dão-se à morte sem problema

E aquele quando finda permanece
*

Pois há um não sei quê que se assegura

Jamais ser olvidado em seu sentido

E parecendo ainda estar contido

Emerge em erupção da cerviz dura.
*

Não sonhe o pensamento em abolir

Aquilo que na alma tem raiz

Ou de si mesmo tinha de sorrir…
*

Na dor ou na revolta em crescimento

Pode um Soneto ter sua matriz

Mas é de Amor e Vida o seu alento.
*

Helena Teresa Ruas Reis
***

7
*
"Mas é de Amor e Vida o seu alento"

E é da força imensa em si contida

Que o soneto renega a despedida

Pra renovar-se em graça e em talento.
*

Em si se abraçam Alma e Pensamento

De uma forma nunca antes conseguida

E cresce a poesia em força e vida

Enquanto amaina o próprio sofrimento.
*

Porém ópio não é que em lucidez

É rico como poucos... tudo of`rece!

Se num momento gera embriaguês
*

Logo a seguir demonstra que não esquece;

Responde a quase todos os porquês,

E quando o repreendem nem estremece.

*

Maria João Brito de Sousa - 11.10.2020 - 13.52h
***
8

*

“E quando o repreendem nem estremece"

Tão certo está de si, do que revela,

Sabendo que nos versos o que sela

É mais do que num todo nos of’rece.
*

A cada qual que lê ele aparenta

Ser coisa tão diversa e solitária

Que ao próprio até surge solidária

Mas, mais que a esse, a outros acrescenta.
*

Entendo como ópio o tal efeito

Que enleia na leitura quem o lê

Tornando-se um anseio já eleito
*

Mas se este é uma droga eu sei porquê:

Apanha-nos a estrofe com seu jeito

Revemo-nos com ela e ela vê!
*

Helena Teresa Ruas Reis
***

9
*

"Revêmo-nos com ela e ela vê "

E perante esse enlevo carinhoso

Torna-se bilha de barro poroso

Em que outrem crê bem mais do que ela crê.
*

Do que recebe, bem certo é que dê

Em dobro, inda que em gesto vagaroso

Faça jorrar um verso já penoso

Porquanto o sol desmaia e pouco vê.
*

Toda dádiva viva se o sol brilha,

Esmorece ao lusco-fusco da tardinha

A estrofe transmutada numa bilha
*

De puro barro que agora se alinha

Para of`recer-te a água da partilha;

Dá-me dessa água, que eu já dei da minha!
*

Maria João Brito de Sousa - 11.10.2020 - 17.11h
***
10
*

“Dá-me dessa água, que eu já dei da minha”…

Aguadeira serei, por quem o manda,

Se o soneto não me der uma desanda

Caindo-me essa água p’la bordinha.
*

Ainda tornarei para a encher

Falando-lhe ao cuidado e ligeirinho,

Pode ser que ao sentir o meu carinho

‘stremecida ela queira se conter.
*

 

Perdoa estrofe, assim estropiada,

De aproveitar o pouco que te sobra

Enchendo-te eu a bilha desse nada…
*

As gotas lacrimejam na manobra

Mas eu sinto-me pura, renovada,

Por fazer através delas uma obra.
*

Helena Teresa Ruas Reis
***

11
*

"Por fazer através delas uma obra"

Feliz fiquei e mais que saciada!

Garanto que não peço hoje mais nada;

Acabo de beber água de sobra!
*

Hoje o soneto nada mais me cobra

Pois sabe bem que estou muito cansada;

Para estes olhos meus é madrugada,

A hora em que Morfeu me vence e dobra...
*

Já o soneto arrulha aos meus ouvidos,

Já o verso se perde em nebulosas

Manchas inacessíveis aos sentidos;
*

Só nuvens, muitas nuvens vaporosas

Sobre os meus versos quase adormecidos

Vêm saudar-me as pálpebras teimosas.
*

Maria João Brito de Sousa - 11.10.2020 - 20.55h

***


12
*

“Vêm saudar-me as pálpebras teimosas”,

Das linhas mais perfeitas as que ousei

Glosar neste jardim em que passei

Buscando um qualquer pão tornado rosas.

*

Milagre que proponho à santidade,

Encíclica que quero publicada.

Soneto é pr’a mim coisa sagrada,

Aquela que nos toca de verdade.

*

Perdoe-me o papado se ajuízo,

Se elevo a voz ao Céu agradecida

Toldada num sentir menos conciso.

*

É que me sinto já embevecida

Por encontrar a forma que preciso,

De elevar, qual Soneto, a minha vida.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 11/10/2020
***

13
*

"De elevar, qual soneto, a minha vida"

É um milagre ao qual nunca resisto;

Poucas coisas tão belas tenho visto,

Nenhuma me deixou tão comovida.
*

Sei bem que estou à beira da partida,

Mas se mais um soneto, um só, conquisto

Fico a saber que para isto existo;

Escolhi pelo soneto ser escolhida!
*

Embora sonolenta e fatigada

Vão-me os versos fluindo, formam fios

Que irão depois formar uma meada...
*

São, os sonetos, longos como rios;

Sobre um dos rios flutua uma jangada

Sobre a qual vão meus doces desvarios...
*


Maria João Brito de Sousa - 11.10.2020 - 22.49h

***

 

14

*
“Sobre a qual vão meus doces desvarios”

Arrimados nos remos dum quebranto,

Saboreando, às ondas, o encanto

Marinado por ébrios delírios.

*

 

Desde a nascença, em verso estruturado,

Sou tal qual uma criança que procura

Um pouco de afeição ou de ternura

Que consiga levar a todo o lado.

*

 

E os risos e as dores se confundem,

As traquinices faço, não me importo,

Que o tempo decompõe ou faz que mudem.

*

 

Serei Soneto, ainda em desconforto

Nas pautas musicais que afora fluem,

“Usado, adulterado, gasto e morto”!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 12/10/2020

***

 

 

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