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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
10
Jun24

DIA DE PORTUGAL DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

Maria João Brito de Sousa

 

 

Luiz Vaz de Camões

*

LVC (2).jpg

Olhos fermosos, em quem quis Natura

mostrar do seu poder altos sinais,

se quiserdes saber quanto possais,

vede-me a mim, que sou vossa feitura.
*


Pintada em mim se vê vossa figura;

no que eu padeço retratada estais;

que, se eu passo tormentos desiguais,

muito mais pode vossa fermosura.
*


De mim não quero mais que o meu desejo:

ser vosso; e só de ser vosso me arreio,

por que o vosso penhor em mim se assele.
*


Não me lembro de mim, quando vos vejo,

nem do mundo; e não erro, porque creio

que, em lembrar-me de vós, cumpro com ele.
*


Luís de Camões
***

16 - Mai 2024 - Cabêlo de Maria João.JPG

Eu no meu melhor ângulo, fotografada por Carlos Ricardo

*
I
*

Tal quis Natura por um breve instante

Que está Natura sempre em movimento

E nunca hesita em nos privar de alento

Se algum de nós se mostra algo ofegante
*


Ao vate juvenil, forte e pujante

Que cria versos ao sabor do vento

E que, sorrindo, a tudo esteja atento

Dá-lhe Natura o dom de ser galante
*


Porém ao que envelhece e que hesitante

Mal pode garantir o seu sustento

Rouba Natura a graça e só garante
*


Que a Morte em breve finde o seu tormento

E que o guarde consigo, enfim distante

Dos mais a quem legou esforço e talento
*

II

*
Nunca nos dá, Natura, um dom constante,

Que para tal não tem consentimento

E o maior esplendor não fica isento

De transformar-se em cinza fumegante
*

 

Que o Tempo é, de Natura, eterno amante

E ao moldar-nos o corpo é violento:

Jamais vereis as rugas que ora ostento,

Nem o meu passo já cambaleante...
*


Estais muito longe e disso me contento

Porquanto não sabeis quão humilhante

Seria olhar-vos por um só momento:
*


Tão gasta estou e tão deselegante

Que implorarieis pl`o distanciamento

Desta que credes bela e fascinante...
*

 

Mª João Brito de Sousa

10.06.2024 - 00.00h
***

O soneto de Camões foi retirado do blog Sociedade Perfeita

 

 

 

 

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