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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
10
Set17

DIÁLOGOS ENTRE MÃE E FILHO ou O MENINO DA CIDADE DE VISITA AO CAMPO

Maria João Brito de Sousa

Passeio no campo 2.jpeg

 



(Soneto em verso hendecassilábico)



-Dos lírios do campo que viste há bocado,

Nenhum foi plantado. Repara que além,

Já do outro lado, verdinho e doirado,

Aos olhos, um prado florido nos vem...



-São giestas bravas! Quero ir ver o prado!

Vem vê-lo comigo! Vamos vê-lo, mãe!

-Vamos! Não te esqueças, tens de ter cuidado,

Não estragues as flores, que cheiram tão bem!



-Ainda por cima, vê-se ao longe o gado!

Ver coisas tão novas deixou-me encantado...

Prometo cuidado e vou vê-lo também!



-Vai, filho, vai vê-lo, não fiques parado!

Eu fico sentada neste descampado

Que a todos pertence e não é de ninguém...





Maria João Brito de Sousa – 10.09.2017 – 16.05h

 

Imagem retirada da net, via Google

 

13
Dez16

DIALOGANDO COM FLORBELA ESPANCA

Maria João Brito de Sousa

fabula-e-verdade- Jose de Brito.jpg

 

A MINHA DOR

*

 

A minha Dor é um convento ideal,

Cheio de claustros, sombras, arcarias,

Aonde a pedra em convulsões sombrias

Tem linhas dum requinte escultural.

*

 

Os sinos têm dobres de agonias

Ao gemer, comovidos, o seu mal...

E todos têm sons de funeral

Ao bater horas no correr dos dias...

*

 

A minha Dor é um convento. Há lírios

Dum roxo macerado de martírios,

Tão belos como nunca os viu alguém!

*

 

Nesse triste convento aonde eu moro,

Noites e dias rezo e grito e choro,

E ninguém ouve... ninguém vê... ninguém...

*

 

Florbela Espanca

 

In "Livro de Mágoas"

 

----------------------------------------------------------------------

 

 

 

MINHA DOR, MINHA MUSA

 

*

 

A minha Dor, se às vezes me domina,

As mais das vezes bate em retirada;

Diante de um poema, vale um nada

Do que me vale o verso que a fascina!

*

 

Minh`alma - minha carne e minha sina -

Quando por tanta dor desencantada,

Consuma-se em soneto e, consumada,

Torna-se a dor, menor, mais pequenina

*

 

E se, em verdade, a Dor molda o meu mundo,

Também a ela a moldo, se a confundo

Com tão frontal estratégia e, já confusa,

*

 

Envergonha-se e tenta-se esconder...

Quanto daria a Dor para entender

Como é que dela faço a minha Musa?

*

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 11.12.2016 - 10.10h

 

 

IMAGEM - "Fábula e Verdade" , José de Brito (meu bisavô)

 

 

 

26
Nov16

DIALOGANDO COM JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

Maria João Brito de Sousa

embondeiro.jpg

 

SONETO PRESENTE



Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que fôr o meu

José Carlos Ary dos Santos, in "Resumo"

 

 

SONETO DE "ANTES QUEBRAR QUE TORCER"

 

 

E que posso dizer-te que não saibas

Melhor dizer do que eu jamais direi?

Poeta, não há sonho em que não caibas,

Nos sonhos infindáveis que eu sonhei,

 

Nem há garra maior, mais ternas raivas,

Nem palavras, das tantas que engendrei,

Nem unhas com que as laive como as laivas,

Nem dedos, nem paixão, nem regra, ou lei,

 

 

Mas, vender-me? Isso não, nunca o faria!

Como tu, mais depressa quebraria

Do que me vergaria à adulação

 

E pata que me pise é pata morta,

Que eu mesmo sendo fraca, sei ser "torta"

E sei, tal como tu, dizer que não!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.11.2016 - 18.29h

 

 





 

25
Nov16

DIALOGANDO COM DAVID MOURÃO FERREIRA

Maria João Brito de Sousa

The colours of Nature (página).jpg

 

E POR VEZES

 

 

E por vezes as noites duram meses 
E por vezes os meses oceanos 
E por vezes os braços que apertamos 
nunca mais são os mesmos    E por vezes 

encontramos de nós em poucos meses 
o que a noite nos fez em muitos anos 
E por vezes fingimos que lembramos 
E por vezes lembramos que por vezes 

ao tomarmos o gosto aos oceanos 
só o sarro das noites não dos meses 
lá no fundo dos copos encontramos 

E por vezes sorrimos ou choramos 
E por vezes por vezes ah por vezes 
num segundo se evolam tantos anos 



David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade'

 

 

PORÉM...

 

 

Noutras vezes, porém, os dias voam

E as noites são parcelas de segundos

No ciclo biológico dos mundos

Que aos sonhos dos humanos não perdoam

 

 

E, passando a voar, nos atordoam

O estremunhado sono em espasmos fundos,

A nós que aqui provamos ser fecundos

Na esp`rança de que uns deuses se condoam...

 

 

 

Passageiros da vida, é no naufrágio

Que temos cais seguro e prometido,

Votado e assegurado por sufrágio

 

 

Da própria natureza que nos gera...

(pois não! Não nos foi nunca garantido

mais tempo do que o tempo desta espera)

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.11.2016 - 14.36h

 

 

 

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