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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
16
Nov17

PORQUE O CÉU NÃO TEM LIMITES...

Maria João Brito de Sousa

PORQUE O CÉU NÃO TEM LIMITES.jpg

 

(Soneto em decassílabo heróico)



O céu não tem limites, nem fronteiras

E, tanto quanto sei, nem tecto tem,

Mas nem por isso é pobre e verdadeiras

Serão sempre as estrelas, mais além,



Brilhando como tiaras ou pulseiras

Nas frontes e nos pulsos de ninguém,

Pulsando até às vistas derradeiras,

Iluminando tudo e mais alguém...



No céu, hás-de ver estrelas que estão extintas

E nunca as que estão hoje a começar,

Portanto, mundo meu, nunca me mintas;



Não passarei de um raio de luar,

Mas sei avaliar coisas distintas

E tenho estrelas pr`a me iluminar!





Maria João Brito de Sousa – 16.11.2017 – 16.05h



 

06
Fev17

SILÈNCIO(S)

Maria João Brito de Sousa

arvore-perdendo-as-folhas-2255d.jpg

 

Neste silêncio triste embalo os mortos

Entre asas fracas, flácidas, pendentes,

E sobre este regaço, os mesmos hortos

De onde ervas emanavam, persistentes,



Cobrem-se já de caules secos, tortos,

Negros, mirrados, quase transparentes,

Quais longos mastros nos distantes portos

Da rota imaginária dos ausentes...



É outra, no entanto, a minha rota,

E se hoje reavivo a estranha frota,

Razões bem fortes tenho pr`a fazê-lo,



Pois muito se assemelha ao que descrevo

A angústia de não ter para o que devo,

Embora eu mude o esboço a cada apelo.





Maria João Brito de Sousa - 06.02.2017 - 13.23h

 

02
Fev17

SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"

Maria João Brito de Sousa

pistola fumegante.jpg

 

SONETO A UM VERSO "EM BRUTO"



Gosto-te, ó verso brusco, asselvajado,

Na força em que, apressado, mal respiras

E fumegas no cano, enquanto as miras

Nem foram necessárias. Disparado,



Saído num rompante, alvoroçado,

Sem que pedisses contas, nem às liras

Que quase sempre escutas quando admiras

Requintes de outro irmão mais demorado...



Que esta "embalagem" não te fica bem?

Quem to ousa dizer? Afinal, quem

Te poderia impor tempos dif`rentes?



E sorrindo, apesar de não ter dentes,

Sei que engendrar-te, não me tornou mãe,

Mas em quem te entendeu como ninguém...





Maria João Brito de Sousa - 31.01.2017 - 11.05h

 

 

NOTA - Por favor, não se assustem com a imagem que é meramente ilustrativa da metáfora do disparo...



 

03
Out14

NOUTRO DIA QUALQUER II

Maria João Brito de Sousa

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Noutro dia qualquer talvez vos diga

Das razões de um poema aprisionado

Na trincheira do sonho em que se abriga

Quando se sente vão, velho e cansado...

 

Mistérios do poema. Quem lhes liga?

Quem pode convencê-lo a ser cantado

Se em silêncio se escapa da cantiga

E teima em se manter distanciado?

 

Mas, duma fresta aberta em musa antiga,

Sempre posso espreitá-lo e, com cuidado,

Confessar-lhe esta inércia a que me obriga,

 

Mostrar-lhe que escolheu caminho errado

(neste vislumbre, aquilo que me intriga,

é vê-lo, embora vivo, assim, calado...)

 

 

Maria João Brito de Sousa – 03.10.2014 – 21.21h

 

 

Imagem - Azenhas, Amadeo de Sousa Cardoso

 

19
Jun14

HAVIA UM MAR II

Maria João Brito de Sousa

 

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Existe ainda um mar que, em tempo incerto,

Transpondo quanto dique eu lhe impuser,

Me galvaniza e vai, sempre a crescer

Por dentro de mim mesma, a descoberto,

 

Submergindo o que exista lá por perto,

Subindo o que é suposto, em mim, descer

Nessa vaga incontida do meu ser

Que, ao quebrar, se transforma em livro aberto.

 

Mole infinita de ondas e marés

Nas quais, liberta a escrava das galés,

Vaga a vaga, me afundo em vaga alheia

 

De um mar que podes ser, que também és,

Se à praia desces e, molhando os pés,

A espuma ascende em nós, galgando a areia.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 01.04.2011- 09.16

 

NOTA DA AUTORA - Soneto em decassílabo heróico, trabalhado a partir do soneto original “Havia um Mar”, in PEQUENAS UTOPIAS -  

CORPOS EDITORA, Maio de 2012.

 

 

 

18
Mai14

O MAIS DO QUE PERFEITO NAUFRÁGIO

Maria João Brito de Sousa

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Poema que vieste e me abraçaste

E logo, sem pedir, te deste inteiro,

Não saberei dizer se me és primeiro,

Ou se, depois de eu ser, de mim brotaste

 

Porque, se em mim, crescendo te firmaste,

Por ti me fiz, mais tarde, o teu estaleiro,

Ou mão que lança a rede e marinheiro

Das vagas que, incansável, navegaste,

 

E sei que no momento derradeiro

Desta nossa odisseia, companheiro,

Depois do breve porto a que aportaste,

 

No mar que me abraçar, serei ribeiro

Que em tua foz se extingue, ó meu veleiro

Que tão perfeitamente naufragaste.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.05.2014 – 21.24h

 

16
Mai14

ESSÊNCIA

Maria João Brito de Sousa

 

(Em decassílabo heróico)

 

Mudas de espanto e sem fazer sentido

Nascem palavras, brotam tentações

Que se entrechocam num ponto perdido,

Gerando prados, montanhas, vulcões,

 

Trocando as voltas ao que foi pedido,

Emudecendo a voz de outras questões

Com que se tenham já comprometido,

Muito senhoras das suas razões!

 

Como ecos fundos, chegam sons distantes

Que, cá por dentro, fazem ressoar

Roucos murmúrios de ideias constantes,

 

Músicas loucas, vibráteis, pulsantes

Em que o desejo se ousa decifrar

Na pauta inglória duns versos cantantes.

 

 

Maria João Brito de Sousa – 16.05.2014 – 16.54h

07
Set13

"DE MÃO BEIJADA"...

Maria João Brito de Sousa

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

 

Se isso viesse, assim, de mão beijada,

Tempr`ar-nos desse sal com que o escreveste

E fosse ouvido, sem dizer mais nada,

Significando o mais que nele escondeste…

 

Depois, se ultrapassada a longa estrada

De quanto humano passo nunca deste,

Se erguesse e se lançasse em revoada,

Determinado, urgente, irado, agreste,

 

Sobre a bruta injustiça alicerçada

Por quem aceita a “capa” e logo a veste

Só porque foi por tantos cobiçada,

 

Melhor fora eu ficar muda e calada

A “soprar-te” que sei que não esqueceste

Os tais que a vestem gasta e já rasgada.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 07.09.2013 – 20.25h

 

NOTA – A um texto publicado por Alexandra Freitas Moreira, no seu mural, em 07.09.2013

 

 

IMAGEM - Diego Rivera - "Gloriosa Vitória"

31
Jul13

SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO

Maria João Brito de Sousa

Aos operários das fábricas e aos trabalhadores de todo o tipo de serviços. Aos trabalhadores da terra e do mar. Aos operários da palavra, da voz, do gesto e da cor.
A todos os silenciados e explorados.

 

 

SONETO DO PRODUTOR EXPLORADO


(Em decassílabo heróico)

 

 

Eu, que injectei nas veias das cidades
Sentinelas de pedra e de aço puro,
Que conquistei a pulso as liberdades,
Que asfaltei com suor cada futuro,

 

Eu, que paguei com sangue as veleidades
Registadas na pedra, em cada muro,
E sigo em frente e moldo eternidades
A partir do que engendro e não descuro,

 

Não mais hei-de evocar forças ausentes!
Liberto o grito preso entre os meus dentes
Que irrompe deste barro em que me sou

 

E arrancarei, de mim, quantas correntes
Me prendam à mentira, ó prepotentes
Donos do que julgais que vos não dou!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 30.07.2013 – 18.58h

 

 

 

IMAGEM- "Força" , José Viana, óleo sobre tela

Imagem retirada da página  URBANO TAVARES RODRIGUES - Escritor

 

 

 

NOTA DA AUTORA – Um soneto que nasceu porque “tinha de ser”…

 

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