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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
05
Nov21

SENTO-ME À JANELA - Coroa de Sonetos

Maria João Brito de Sousa

sento-me à janela.jpg

SENTO-ME À JANELA
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes, Lourdes Mourinho Henriques e Mª João Brito de Sousa
*

1.
*


Sento-me à janela e olho para a porta

Atento escuto o bater do ferrolho

Abro as tuas cartas delas uma escolho

O amor nelas leio só isso me importa
*

Vejo linha a linha que tudo me exorta

Voa o pensamento, lágrima no olho

Do tempo passado a imagem recolho

Espero, espero e nada me aporta
*

Mas daqui não saio e o teu olhar terno

Aqui o espero por tempo eterno

Por noites e dias, o tempo que for
*

De volta te sinto numa caravela

Daqui eu não saio da minha janela

Que se abra o ferrolho, vem oh meu amor
*

Custódio Montes

2.11.2021
*
2.
*

“Que se abra o ferrolho, vem oh meu amor”!

Com mágoa e saudade o amigo Custódio

Vertendo uma lágrima recorda, com dor,

Ao ler uma carta de amor e não ódio.

 

Mas eis que o passado ficou lá p’ra trás

E as cartas apenas são recordações…

Momentos vividos cheios de emoções

Que o tempo sem tempo nunca mais desfaz!

 

Ainda que seja ao ler uma carta

Lembrando um amor que nunca mais se aparta

Do seu coração, é assim a vida!

 

Recordar é viver, sentir o carinho,

Trilhando por vezes o mesmo caminho…

Ao ler uma carta que não foi esquecida!
*

Lourdes Mourinho Henrirques
*

3.
*
"Ao ler uma carta que não foi esquecida"

O passado ganha a dimensão presente

E o que era saudade passou, de repente,

A ser coisa viva, palpável, sentida...
*


A leitura é chama que, reacendida,

Ilumina a vida e a alma da gente;

Sabe-o quem o escreve e sabe-o quem o sente

No corpo inocente e na alma rendida.
*


O tempo não pára mas essa janela

Não vive no tempo, vive só pra ela

E para o momento em que ela há-de voltar
*


Está escuro lá fora, mas brilham-lhe os olhos;

Vê estrelas brilhando em vez de ver escolhos

No papel da carta que abrira a chorar...
*


Mª João Brito de Sousa

02.11.2021 - 18.30h


***
4.
*

“No papel da carta que abrira a chorar..”

Relembrou uns olhos duma claridade

Que ainda os recorda com tanta saudade

Que ao entrar na porta os quer de novo olhar
*


Mas andam tão longe que tardam voltar

E eram tão lindos: era a mocidade

A força, a alegria, o carinho, a vontade

De lhe querer tanto, de tanto os amar
*


Sento-me à janela fico à sua espera

Que quem muito ama nunca desespera

Mesmo que a espera se torne ilusão
*


Mas relendo as cartas lembra-se o calor

Dos beijos ardentes e plenos de amor

E fica-se preso, freme o coração
*

Custódio Montes

2.11.2021
*

5 .
*

“E fica-se preso, freme o coração”

Como se o passado voltasse outra vez…

E serão as cartas, quem sabe, talvez

Alvo de alguns beijos cheios de emoção!
*

São o testemunho de um amor feliz

Que um dia partiu e nunca mais voltou,

As boas lembranças foi o que deixou,

Também a tristeza, a vida assim quis.
*

Mas ficar à espera é pura ilusão,

Enquanto se espera, sofre o coração

A mágoa contida sem remédio ter.
*

E as cartas velhinhas aqui recordadas

São tudo o que resta, ficarão guardadas

Com muito carinho p’ra não as perder.
*

Lourdes Mourinho Henriques

02.11.2021
***

6.
*

"Com muito carinho pra não as perder"

Guarda-as na gaveta do seu coração

Junto das saudades e do medalhão

Contendo o retrato dela, da mulher...
*


Sentado à janela, já nem quer esquecer,

Já só disso vive, da recordação

Do que recebera de amor, de paixão,

Desse tanto querê-la que foi mais que qu`rer...
*


E agora relendo, mais próximo está

Dessa que em palavras toda se lhe dá

Como se lhe dera nos tempos distantes
*


Não fecha a janela muito embora o vento

Sopre através dela louco e turbulento

Como fora em tempos, como ele era dantes...
*


Mª João Brito de Sousa

02.11.2021 - 21.30h

***

7.
*

“Como noutros tempos, como ele era dantes”

Mas forte que fosse eu ia junto dela

Não havia rosa que fosse mais bela

E bastava vê-la por poucos instantes
*


E ao ler a carta há imagens distantes

De caminho andado por rua ou viela

É essa lembrança que por mim apela

A paixão sentida que une os amantes
*

Ponho-me à janela quero relembrar

Voltando ao passado, voltamos a amar

Estendem-se os braços e lançam-se ao vento
*

Voamos no espaço, estendemos as asas

A paixão regressa pisamos as brasas

E sobre elas voa nosso pensamento
*

Custódio Montes

2.11.2021
***
8.
*

“E sobre elas voa nosso pensamento”…

E tal como outrora o amor acontece,

Momentos vividos que nunca se esquece

Que são recordados, momento a momento!
*

E a vida ao passar é por vezes tormento,

Mas deixa alegrias para recordar,

Momentos de vida do tempo de amar

Que ‘oje são saudade, da alma alimento!
*

E nessa janela que tanto lhe diz

O amigo Custódio vai sendo feliz,

Saudoso recorda todo o seu passado.
*

Que assim continue, com boa lembrança

Mesmo que a sonhar, não perca a esperança

E guarde a cartinha com muito cuidado.
*

Lourdes Mourinho Henriques

03.11.2021
***
9.
*

"E guarde a cartinha com muito cuidado",

No bolso do peito onde pode ir buscá-la

A qualquer momento. Se a carta lhe fala

Ganhou-lhe o presente, vencendo o passado
*


No instante preciso, à janela sentado,

No quarto de cama, na copa ou na sala,

Falará a carta, que amor não se cala

Se, em tempos vivido, ora for recordado.
*


Que a velha cadeira em que agora se senta

Seja a testemunha que os versos sustenta

No pinho ou nogueira em que alguém a talhou.
*


Que todos os dias a todas as horas

Lhe fale essa carta de amor e de amoras,

Dos beijos e abraços com que o cativou!
*


Mª João Brito de Sousa

03.11.2021 - 14.25h
***

10.
*

“Dos beijos e abraços com que o cativou”

Mas não têm cartas como eu recebidas

De amores de outrora, pessoas queridas

Ou de amores perdidos apenas eu sou ?
*


Ao que tenho ouvido e alguém me informou

Também as amigas andaram perdidas

E foram amadas em tochas ardidas

Por muito amor que de certo as queimou
*

Contemos a história que não a negamos

Recordamos tempos, todos nós amamos

Todos nós tivemos o nosso desejo
*

Quem não teve cartas que agora não lê

Teve bem mais sorte, teve o amor ao pé

E pôde de certo enchê-lo de beijos
*

Custódio Montes

3.11.2021
***

11.
*

“E pôde de certo enchê-lo de beijos”

Mas ficou mais pobre de recordações,

Nem todas as cartas são desilusões,

São troca de amor confessando os desejos.

 

E são essas cartas que há quem não as tenha,

Que dão o conforto, que dão a ilusão

De sentir agora a mesma paixão

Um dia sentida e que hoje a retenha.

 

Os altos e baixos que nos dá a vida

São provas de fogo que logo à partida

Nos vão ensinando a escolher o caminho.

 

Bem cedo encontrei o meu no passado

Guardei-o com ‘sprança, até que ao meu lado

Surgiu o amor que esperei, com carinho.
*

Lourdes Mourinho Henriques

03.11.2021
***

12.
*

"Surgiu o amor que esperei com carinho"

Bem cedo, tão cedo que ainda que aponte

Os dias e as noites, não há quem os conte

Entre as muitas gentes que achar no caminho
*


E eu que escrevia sobre pergaminho,

Que pintava as linhas de um novo horizonte

Por dentro de um rio ou atrás de uma fonte,

De amor nunca tive nem um postalzinho.
*


De amor estive perto e de amores me perdi

Num tempo em que a sorte de amar descobri...

Para quê escrevê-lo se assim tão de perto
*


Podia vivê-lo? Passaram-se os dias,

Os meses, os anos... surgiram magias;

Perdi-me das cartas neste desconcerto...
*


Mª João Brito de Sousa

03.11.2021 - 19.00h

***
13.
*

“Perdi-me das cartas neste desconcerto”

Mas encontrei uma entre todas elas

Abri-a e li-a era das mais belas

Devagar olhei-a cada vez mais perto
*


E fiquei contente de a ter aberto

Havia passagens lindas e singelas

Que me deslumbraram como luz de estrelas

Ao ler linha a linha um e outro excerto
*


E tinha nos olhos a mesma esperança

Dos dias passados, agora lembrança,

Que tanto queria tornar a rever
*


Recordei seus olhos e os seus cabelos

Momentos vividos tão lindos tão belos

Recuei no tempo, parei para os ter
*

Custódio Montes

3.11.2021
***

14.
*

“Recuei no tempo, parei para os ter”

E tal como outrora vivi os momentos

Como se hoje fosse, tantos sentimentos,

Paixão e carinho que nos fez viver.
*

Vivemos um amor que não é p’ra esquecer

Ambos percorremos um longo caminho,

Com altos e baixos, mas muito carinho

E que hoje num sonho voltei a rever.
*

E junto à janela eu vejo, sem fim,

Uma longa ‘strada onde esperas por mim

Quando um dia partir, quando? Pouco importa!
*

 

Só sei que acordei desta minha apatia

Que a ti me juntou… mas já vai longe o dia…

“Sento-me à janela e olho para a porta”.
*

 

Lourdes Mourinho Henriques

03.11.2021

***

Reservados os direitos de autor

 

 

 

 

 

 

 

 

27
Out21

DIA - Coroa de Sonetos - Custódio Montes, MJBS e Lourdes Mourinho Henriques

Maria João Brito de Sousa

DIA.jpg

DIA
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Lourdes Mourinho Henriques
***
1.
*

A noite foi passando e chega o dia

Pois já se vê a luz da alvorada

Do dia vem a luz iluminada

E luz que cada vez mais alumia
*

Os olhos se distendem e a magia

Invade-nos a alma encantada

Que a este céu aberto, irmanado,

Se junta, refulgente de alegria
*


O dia pinta o monte, mostra a serra

E também a beleza que ela encerra

E vai beijar a flor que envaidece
*


E tudo isto eu vejo da janela

Encanto desta luz que é tão bela

Enquanto o dia vem e amanhece
*

Custódio Montes

23.10.2021
***

2
*

"Enquanto o dia vem e amanhece"

Procura a noite um espaço recatado

Para dormir o sono descansado

Que traz consigo e tanto lhe apetece.
*


A noite, ao dia em nada desmerece

E até foi dela que nasceu o fado,

O que se vive e o outro que é cantado

Como quem rasga a alma numa prece...
*


A noite traz lampejos cor de prata,

Cantigas de embalar e uma cascata

De carícias que o dia amordaçou
*


E traz-me, a mim que vou estando velhinha,

A maravilha de, estando sozinha,

Sonhar com versos que ninguém glosou...
*

 

Maria João Brito de Sousa - 22.10.2021 - 14.55h

***
3
*

“Sonhar com versos que ninguém glosou”

É maravilha que a minha mente ocupa

Enquanto o coração se preocupa

Sonhando com a vida que passou.
*

 

Recorda tudo o que o tempo levou

Noite fora, até ser de madrugada,

Por fim, com a cabeça já cansada

Rendo-me ao sono… a noite terminou…
*


E eis que nasce o dia… e a natureza

Se envaidece, e mostr’ a sua beleza

Ao ser banhada pela luz do sol.
*

E às vezes, quando acordo a meio do dia

Eu penso que vou ter a alegria

De ver uma vez mais o arrebol!
*

Lourdes Mourinho Henriques

22.10.2021
***

4
*

“De ver uma vez mais o arrebol”

Sonhava e acordei era já dia

Voltei de novo então à alegria

Por ver a clara luz vinda do sol
*

Na montanha a cair como farol

Tão lindo como há muito eu não via

Assim, olhando em frente descobria

Também a cirandar um girassol
*


Todo o dia amanhece e vai andando

O sol que o acarinha vai girando

Até ao seu ocaso a iluminar
*


Trabalha muita gente e o jardim

Encanta todo o dia até ao fim

E anda-se na rua a passear
*

Custódio Montes

22.10.2021
***

5
*

"E anda-se na rua a passear",

Ou fica-se por casa poetando

Como eu há vários dias vou ficando

Por falta de dinheiro pra pagar
*


O que café da esquina me cobrar

Por um "pingado" claro, fumegando;

Este mês não está fácil, vou pensando

Enquanto escrevo versos sem parar...
*


De qualquer forma, não caminharia

Mais do que os poucos passos que daria

Pra poder chegar (viva...) à minha meta
*


E assim, escrevendo "até que a voz me doa",

Chego muito mais longe! O verso voa

Sempre que sai das teclas de um poeta.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 22.10.2021 - 21.50h


***

6
*

“Sempre que sai das teclas de um poeta”

Os versos que escreveu, para cantar

Talvez lhe chegue a voz… e a tocar,

Até confunde as teclas com a caneta.
*

Os versos e a música sem meta

Que às vezes vão saindo sem cessar

Aliviam a alma, e ao cantar

Dão alegria ao músico/poeta.
*

P’rá música, inspiração vai faltando,

Uns versos, vão saindo quando em quando

P’ra não deixar entrar o “Alemão”.
*

Hoje, cantar “Até que a voz me doa”

Não consigo, já sou outra pessoa,

P’rós versos, vai faltando inspiração!
*

Lourdes Mourinho Henriques

23.10.2021.

***

7.
*

“P’rós versos, vai faltando inspiração!”

É verso a rimar mas é gracejo

Porque pelo que escreve, como vejo,

Não foge o verso e a rima à sua mão
*

Oh Lourdes, desafio é empurrão

Que leva a sua musa ao versejo

E o que escreve é lindo, lho invejo

Que escreve com a mente e o coração
*

Mas voltando ao tema, lhe diria

Que só começou ontem, nesse dia

E decerto vai hoje terminar
*

A Maria João e a Mourinho

Trouxeram ao meu “dia” tal carinho

Que quero nesta altura destacar !!!
*

Custódio Montes

23.19.2021
***

8.
*

"Que quero nesta altura destacar(!!!)"

Que o dia amanheceu de azul vestido

E que o mar está de rendas guarnecido

Por espumas acabadas de bordar...
*


Acabo agora mesmo de acordar

De um sono justo, muito bem dormido

E faz, dizer bom-dia, mais sentido

Do que ficar calada a matutar;
*


Bom dia, meus amigos, companheiros

Dos versos cultivados nos canteiros

Dos nossos jardinzinhos pessoais!
*


Que as vossas musas vos sejam propícias

Nesta manhã de versos e delícias;

Trazei vossos sonetos, quero mais!
*


Maria João Brito de Sousa - 23.10.2021 - 10.15h
***

9
*

“Trazei vossos sonetos, quero mais”

Por sua vez diz Maria João,

Não sei se chego lá, a inspiração

Por vezes só me dá rimas banais…
*

Mas vejo que o Custódio entendeu

Que apesar do que escrevo ser banal

É tudo o que sinto, e afinal

São versos que demonstram o “meu EU”.
*

Aos dois eu agradeço a paciência

Pois engenho e arte, na essência,

É coisa que me falta, na verdade.
*

Vamos ver se consigo terminar

Esta “batalha” que me faz pensar…

E aqui vos deixo a minha amizade.
*

Lourdes Mourinho Henriques

23.10.2021

***

10.
*

“E aqui vos deixo a minha amizade”

Que tão bem a expressa no soneto

Manifestá-la aqui também prometo

Embora sem engenho e habilidade
*

A Mourinho é amiga de verdade

E por isso amizade lhe remeto

Apesar desta assim morar num gueto

Que a sua essência é a liberdade
*

Ao escrever a gente apenas diz

Aquilo que a pena dizer quiz

E ela não diz tudo ao escrever
*

Mas vou ditar daqui esta sentença:

A amizade é lonjura e é presença

E ambas como amigas quero ter
*

Custódio Montes

23.10.2021
***

11
*

"E ambas/os como amigas/os quero ter"

Inda que isso me obrigue a saltitar

Entre o computador, pra vos saudar,

E a água do arroz, quase a ferver
*


Porque hoje é dia de tudo fazer

Não me posso esquecer de cozinhar

Frango estufado, arroz a acompanhar,

E um chá de camomila pra beber
*


Nestas nossas conversas "sonetadas"

Partilhamos até pequenos nadas

E confesso sentir-me entristecida
*


Por não poder servir-vos um pouquinho

Do que vou descrevendo e que cozinho;

- "Custódio, quer?" ou "Milú, é servida?"
*

 

Maria João Brito de Sousa - 23.10.2021 - 14.10h
***

2
*

- “Custódio, quer?” ou “Milú, é servida?”

Tem graça partilhar com harmonia

Em “poemas”, o qu’ é o nosso dia,

Afinal tudo faz parte da vida
*


Que por nós, tantas vezes é esquecida…

Pensando em altos voos, com alegria,

Sem vermos que esses voos são utopia,

Deixando a humildade adormecida!
*


Quantas vezes o que a vida nos dá

Não é o que sonhamos… mas é lá

Que encontramos a nossa f’licidade.
*

Amigos do passado? Aonde estão?...

A vida nos contempla e em sua mão

Nos traz outros amigos de verdade!
*

Lourdes Mourinho Henriques
*

23.10.2021
***
13.
*

“Nos traz outros amigos de verdade”

Que o dia nos ajuda a conquistar

Quem diz dia diz noite par a par

Que juntos ambos são a unidade
*


De trevas é o dia e claridade

E cada parte dele é para amar

Amarmos tudo e todos sem parar

Que o amor é o cerne da amizade
*


O dia, o claro dia empolga a gente

Dia pela manhã e ao sol poente

E depois vem a noite e a escuridão
*


Surge a lua no céu e as estrelas

Depois vem o alvor, coisas tão belas

De noite e ao vir o dia e o seu clarão
*

Custódio Montes

24.10.2021
***

14
*

"De noite e ao vir o dia e o seu clarão"

Que inundará de luz o nosso sono

Para afastar, num sopro, o abandono

Da nossa adormecida solidão,
*


O dia, azul na sua imensidão,

Traz-nos o Sol no alto do seu trono

Que incita a Vida à base de carbono

A recriar-se em espanto e dimensão...
*


Ah, tudo em nós renasce ou se renova

E a cada instante a Vida é posta à prova,

Primeiro o choro, logo uma alegria,
*


E enquanto isto constacto e deixo expresso

No ciclo inacabado a que regresso,

"A noite foi passando e chega o DIA"
*


Maria João Brito de Sousa - 24.10.2021 - 10.50h
***

 

 

 

29
Jun21

NÃO SEI - Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis

Maria João Brito de Sousa

NÃO SEI.jpg

NÃO SEI
*

Coroa de Sonetos
*

Custódio Montes, Maria João Brito de Sousa e Helena Teresa Ruas Reis
***


1.
*
Não sei o que fazer…. o que farei ?

Divago lentamente ao som da avena

Escrevo o que sair da minha pena

E aquilo que escrever logo verei
*


Avanço linha a linha mas não sei

Se a peça que vier, trazida à cena

Será grande essa obra ou pequena

Para me envergonhar perante a grei
*


Não sei não sei não sei…vou escrever

E tu leitor amigo vais dizer

Depois de ver e ler com atenção
*


Se merece um aplauso este poema

Se só merece encomio pelo tema

Ou se nem vale dar opinião
*

Custódio Montes

27.6.2021
***


2.
*

"Ou se nem vale dar opinião",

Pergunta-me o poeta companheiro

Do verso que criado a tempo inteiro,

Traz no celeiro do seu coração.
*


E está pronto a glosar, que em profusão

Se vai multiplicando, bem ligeiro,

Épico às vezes, noutras mais brejeiro,

Mas jamais sem sentido e nunca em vão!
*


Não sente o tal "bichinho-carpinteiro"

Que sempre exige um verso e, feiticeiro,

Faz renascer o espanto e a paixão?
*


Estou certa de que o sente vir, certeiro,

Pedir verso que nasça do primeiro

E outro e mais outro... até à exaustão!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021- 13.42h
***

3.
*

"E outro e mais outro... Até à exaustão!"

Porém, a exaustão não chega aqui.

Se há um que mal vê ou dói-lhe a mão,

Há outro que aparece qual escanção...
*


E saboreia assim o melhor bago,

Depois de já maduro para o dente.

Poeta só degusta, num afago,

Palavras que se escapam do que sente.
*


Na mesa de um café pus-me a teclar

Sorvi o dito cujo sem dar conta

Mas sei que o que paguei foi pouca monta.
*


Antes que uma razão me possa achar

Agora, sem rever o que escrevi,

Receio ver-me já sair daqui.
*

Helena Teresa Ruas Reis - 15.20h
***

4.
*

“Receio ver-me já sair daqui”

Não fuja amiga Ruas que é bem-vinda

Porque se eu não sabia bem ainda

O que ia escrever, agora vi
*


Porque este belo encontro tido aqui

É conjugar poesia bela e linda

E pôr os três autores na berlinda

E nela aqui estou, já a senti
*


Poema é mesmo assim, como cereja

Seguindo-se um ao outro em peleja

Combate sim mas só de amizade
*


Discute-se a palavra com certeza

Mas sendo alinhada com beleza

Com graça e também simplicidade
*

Custódio Montes

27.6.2021
***

5.
*

"Com graça e também simplicidade"

Não faltando o tempero do talento,

Os versos voam mais que o próprio vento

Que hoje açoita os telhados da cidade.
*


Em cada verso, um gesto de amizade

Vem galgar a distância, sempre atento,

Não vá algum de vós perder alento,

Ou eu, a habitual temeridade...
*


Um verso chama o outro que, ao ouvi-lo,

Corre para o soneto e faz aquilo

Que um verso melhor faz, quando liberto;
*


Se achar lugar no peito de um irmão,

Logo o abraçará num gesto são

Deixando, para os mais, um espaço aberto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 19.05h
***

6.
*

“Deixando, para os mais, um espaço aberto”

Onde o talento possa prorromper

Sem nunca se cansar ou se perder,

Mesmo tendo passado pelo deserto.
*


Que há mãos e pensares na amizade

Para te retirar à inacção,

Levando a construir, na emoção,

Por laços fraternais e de vontade.

*

Um verso atento a outro e a outros chama.

A muda e calma voz que assim proclama

Só ouves no bater do coração…

*

Sonoro, dentro em ti porque palpita,

É vida, e se procria, Deus permita

Que seja sempre eterna a criação.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***

7.
*

“Que seja sempre eterna criação”

E há-de ser pois nele há liberdade

E diz o que quiser e à vontade

Pois não tem o poema um travão
*


Diz o que quer e sempre com razão

Imagina e descreve a realidade

Escreve sobre o campo e a cidade

E cria um mundo novo em construção
*


E a gente lê o texto que se cria

Todo o seu conteúdo e fantasia

E acha graça e fica-se contente
*


E nesta criação e a inovar

O mundo ganha forma e outro andar

Com isso ganha muito toda a gente
*

Custódio Montes

27.6.2921
***

8.
*

"Com isso ganha muito toda a gente"

Porquanto esta arte a todos nos eleva

E não será apenas a quem escreva,

Pois quem o ler alegra-se igualmente
*


E aprende a sentir... pois quem não sente

Aquilo que um poema a ninguém nega?

Ah, todos nós sentimos esta entrega

Que o verso faz brotar, como semente.
*


Assim se multiplica a poesia

Como se uma infindável sinfonia

Fosse, de geração em geração,
*


Galvanizando toda a humanidade;

Reparem bem no verso que se evade,

Que voa e vem pousar nesta canção!
*


Maria João Brito de Sousa - 27.06.2021 - 22.07h
***


9.
*

“Que voa e vem pousar nesta canção”

Qual pássaro nos ramos do arvoredo,

Que esconde, no seu ninho, mais segredo

Que aquele que fez esta construção.

*

E as penas pequeninas a forrá-lo

De conforto e de amor bem maternal,

A terra feita em barro filial

Como argamassa forte a preservá-lo,

*

Nada são, comparand’ à fantasia

Que surge como nova melodia

Nas palavras que irrompem em registo.

*

Ficará sempre mais do que se escreve

Do que a frase ou o verso quase breve,

Riscos, rimas saídas de um rabisco.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 28/06/2021
***
10.
*


“Riscos, rimas saídas de um rabisco”

Mas feito com a arte e a mestria

De quem olhando as coisas vê e cria

Como construção feita em obelisco
*


Palavra ornamentada posta em disco

Canção que integrada em sinfonia

Enche e engrandece a alma de alegria

E sabe tão bem como um petisco
*


Poemas que umas vezes divertidos

São outras bem mais sérios e sentidos

Com arte com destreza com glamor
*


Tem tudo a poesia é ingente

Tem graça, sentimento anima a gente

E é também ternura paz e amor
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

11.
*

"E é também ternura paz e amor"

Isto que os nossos dedos vão criando

Enquanto os vamos, nós, (des)comandando,

Já que ninguém comanda um verso em flor
*


Que voa como o vento e, ao seu sabor,

Pode ser ora forte, ora tão brando

Quanto o que a poesia for ditando

E conseguirmos, nós, depois compor...
*


Então, por um momento, o tempo pára

Para dar tempo ao verso que dispara

Como uma flecha rumo ao ponto exacto
*


Em que outro verso o espera e, sem saber,

Sabe contudo como o preencher,

Concretizando o que antes fora abstracto.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 14.08h
***

12.

*

“Concretizando o que antes fora abstracto”,

Há coisas que a poesia nos ensina

Por vezes, não fosse ela feminina,

Tem um sexto sentido imenso e lato.

*

E vem assim amena, p’la tardinha

Na hora de uma sesta disfarçada

Em sonho bem real, duma assentada,

Trar-te-á a cor-de-rosa numa linha.

*

Tal linha contornada a ponto flor

Borda tudo a seu jeito e com amor

Remata esse bordado à perfeição.

*

Artífices dos bilros, finas rendas,

Desejo de um artista é que aprendas

E que nunca se canse a tua mão!

*

Helena Teresa Ruas Reis - 27/06/2021
***
13.
*

“E que nunca se canse a tua mão”

Mão sem género não só feminina

Masculino o poema e que rima

Da poesia gémeo e seu irmão
*


Macho e fêmea a mesma condição

O poeta é assim que nos ensina

E não temos que sair dessa doutrina

Que une e agiganta o coração
*


Mas mais “não sei” agora o que dizer

O pensamento está-me a esmorecer

E vou deixar que outrem esclareça
*


Talvez eu já não veja ao redor

E quem venha a seguir veja melhor

Dando a opinião que lhe pareça
*

Custódio Montes

28.6.2021
***

14.
*

"Dando a opinião que lhe pareça"

Mais própria deste tema e do momento,

Chega o próximo verso muito atento

(que um verso sempre cumpre uma promessa!)
*


Isto vos comunica e vos confessa

O verso - ora em sorriso, ora em lamento -

Que ainda que fervilhe em sentimento,

É fiel à harmonia que professa.
*


E agora que está quase a terminar

O soneto que assim o fez cantar

Bem mais alto e melhor do que eu sonhei,
*


Não pára o verso de me pressionar

E a cada instante vem-me perguntar;

"Não sei o que fazer... o que farei?"
*

 

Maria João Brito de Sousa - 28.06.2021 - 18.42h
***

 

(Reservados os Direitos de Autor)

 

 

 

 

17
Jun21

SEM ÁGUA - CUSTÓDIO MONTES E MARIA JOÃO BRITO DE SOUSA

Maria João Brito de Sousa

SEM ÁGUA.jpg

SEM ÁGUA
*
Coroa de Sonetos
*
Custódio Montes e Maria João Brito de Sousa
***

1.
*
Sem água não há vida não há nada

Água pura de rio a correr

De fonte cristalina a nascer

Da serra altaneira iluminada
*


Freáticos lençóis de água filtrada

Reserva de nascentes e do ser

Que dessenta quem nelas vai beber

Irriga o campo e a horta cultivada
*


Ri-se a flor com as chuvas a cair

A papoila regada e a florir

No jardim anda a abelha divertida
*


Os rapazes no lago a brincar

A gente na cozinha a cozinhar

Água pura ….sem ela não há vida
*

Custódio Montes

15.6.2021
***

2.
*

"Água pura... sem ela não há vida"

Sobre o planeta azul em que nascemos;

Barcos tristes sem velas e sem remos,

Nem porto de chegada ou de partida,
*


São tão inúteis quanto a despedida

De algo que nunca vimos nem tivemos...

Nós que existimos, dessa água viemos,

Sopa primordial, berço e guarida
*


Daquilo que antes fomos, sem sabê-lo;

Qualquer pocinha d`água era um castelo

Prós nossos diminutos ancestrais
*


E aí fomos crescendo, evoluindo,

Multiplicando enquanto dividindo

Esse líquido, informe e velho cais.
*


Maria João Brito de Sousa - 15.06.2021 - 14.36h
***

3.
*

“Esse líquido, informe e velho cais”

Que bom querida amiga em responder

Assim podemos nós desenvolver

O tema e falarmos muito mais
*


A água não faz mal aos animais

Que, mesmo impura, podem-na beber

O homem não que para o fazer

Só pura sem resíduos fecais
*


Mas esta nossa gente do governo

Vai buscar argumentos ao inferno

Para poluir a água que nós temos
*

 

Em nome de negócios de milhões

Prejudicando a gente e regiões

E sem água nós não sobrevivemos
*

Custódio Montes

15.6.2021
***

4.
*

"E sem água nós não sobrevivemos"

Por mais que um dia ou dois, é bem sabido,

Mas o imperialismo empedernido

Pouco se importa desde que paguemos
*


Cada gotinha de água que bebemos

Antes de sede termos nós morrido...

Mas isto não fará qualquer sentido

Para quem não veja aquilo que nós vemos
*


Nem vislumbre o fascismo a renascer

Gritando por justiça pra esconder

A crueza que move os seus sequazes
*


E há lobos que de ovelhas mascarados

Juram vir defender os desgraçados

Que esmagarão depois como a torcases.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 15.06.2021 - 20.42h

***

5.
*

“Que esmagarão depois como a torcazes.”

E dizem defender a nossa terra

Mas só produzem mal e causam guerra

Ocultos através de capatazes
*

 

Fazem-no lentamente só por fases

Mentindo no valor que o chão encerra

Esventram-nos as águas e a serra

Com loa mentirosa e lindas frases
*


Na minha terra há água nas barragens

Freáticos lencóis lindas paisagens

Campos verdes giestas a florir
*


Em vez de primavera é o inverno

Que augura para aqui este governo

Com lamas para a água poluir
*

Custódio Montes
*

15.6.2021
*

6.
*
"Com lamas para a água poluir"

E as eternas prebendas à mistura,

Em vez de termos água fresca e pura,

Vemos marés de espuma a confluir
*


Num rio que ninguém pode garantir

Ser benesse presente... nem futura!

Ah, pobre rio coberto da loucura

De quem nunca hesitou em destruir
*


O que ao povo pertence por direito

E, desprezando as águas do teu leito,

Te enlameia, conspurca e abandona
*


Como se foras coisa descartável...

E tu que todo foste água potável

Trazes agora espuma e lodo à tona.
*


Maria João Brito de Sousa - 16.06.2921 - 09.05h
***
7.
*

“Trazes agora espuma e lodo à tona”

E os caciques em grupo a conversar

Com esses maiorais a escavar

As fontes e à volta dessa zona
*


Sem juízo sem tino e sem mona

Só pensam no seu bolso acumular

Aquilo que é do povo e a tirar

O que é da natureza, sua dona
*


Há já guerras por água disputadas

Não se bebem as águas salgadas

Evaporam-se e vão para a natura
*


Cai no solo e depura-se ao chover

E ninguém deve andar a desfazer

Este modo de termos água pura
*

Custódio Montes

16.6.2021
***

8.
*

"Este modo de termos água pura"

Cuja viab`lidade é garantida,

Deve ser respeitado para a vida

Porque é vida, afinal, o que assegura,
*


Mas quando a própria chuva se satura

De enxofres e de azotos, poluída,

Decerto há que encontrar uma saída

Ou essa mesma vida pouco dura...
*


Sem água não há vida, é ponto assente,

E o que é essencial a toda a gente

Tem de, por todos, ser salvaguardado.
*


Poupá-la é importante, mas não basta

E sendo um bem que toda gente gasta,

Justo é que a todos seja assegurado.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 16.06.2021 - 18.20h
***

9.
*

“Justo é que a todos seja assegurado”

Não se deve ceder à economia

A pureza da água na sangria

De ver o monte inteiro esburacado
*


Com tiros e veneno infiltrado

E não termos a água dia a dia

A correr como a gente dantes via

Com o cheiro e sabor purificado
*

O homem deve ser um zelador

Do bem comum, do ar exterior

Da água e dos bens que se consomem
*


Nós somos passageiros nesta vida

Nossos actos que dêem guarida

Ao futuro do bem de todo o homem
*

Custódio Montes

16.6.2021
***

10.
*

"Ao futuro do bem de todo o homem"

Deve esse mesmo Homem estar atento

E deve garantir quanto é sustento

Da pureza da água que consomem
*


Antes que outros int`resses a transformem

Num bem que em vez de puro é virulento

E acabe o pobre por morrer sedento

Das águas que eram suas mas se somem
*


Nas mãos da meia dúzia que as controlam;

Neste mundo há cobiças que desolam

E contra as quais teremos de lutar.
*


Quem poderá ficar indiferente

A esta distorção do meio ambiente

Sem mesmo erguer um dedo pró salvar?
*

 

Maria João Brito de Sousa - 17.06.2021 - 09.30h
***

11.
*

“Sem mesmo erguer um dedo pró salvar”

Ministros há que não deviam ser

Eles sem mais ninguém a escolher

O que em cada local ir minerar
*


Deviam os peritos consultar

O modo, as pessoas, o viver

E o maior cuidado também ter

Com a água e não a conspurcar
*


Potável pouca existe pelos canos

E a salgada vem dos oceanos

Com tantos barcos lá a ir e vir
*


Ora a pouca que temos que é potável

Devia resguardá-la o responsável

E não a conspurcar e poluir
*

Custódio Montes


17.6.2021
***

12.
*

"E não a conspurcar e poluir",

Nem deixá-la à mercê dos insensatos

Peritos nos maiores dos desacatos

Que já vieram e que estão por vir...
*


Da responsab`lidade, não fugir

Tal como dos naufrágios fogem ratos,

Ter a coragem de enfrentar os factos

E a capacidade de assumir
*


A gestão desse bem essencial

Que a todos cabe e deve, por igual,

Por cada um de nós ser partilhada.
*


Sim, há que defender a natureza

Dessa insensata predação burguesa

Que a tenta reduzir a... tudo e nada!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 17.06.2021 - 11.37h
***

13.
*

“Que a tenta reduzir a tudo e nada”

E, claro, aproveitar-se do minério

Por modo esquisito e não sério

Com gente pelos media enganada
*


Com o monte a a serra profanada

A céu aberto la vai o desidério

Por culpa do governo e ministério

Com a água, que é vida, conspurcada
*

Lutemos com a força que pudermos

Por forma a impedir que nestes termos

Se poluam as fontes e os ribeiros
*


A água deve andar no coração

Assim de geração em geração

Porque é nossa e também é dos herdeiros
*

Custódio Montes

17.6.2021
***

14.
*

"Porque é nossa e também é dos herdeiros"

Daquilo que nós fomos construindo,

Deve essa água ser recurso infindo

Que se renova em ciclos de aguaceiros.
*


Se os prepotentes, como arruaceiros,

Tentarem subverter o que é tão lindo,

Saibamos nós mostrar não ser bem-vindo

O disfarce que envergam, de "aguadeiros",
*


Para esconder a pura realidade

Que os torna geradores de insanidade

E predadores furtivos na caçada
*

 

Que roubam, que conspurcam, que nos mentem...

Mas por mais falsidades que eles inventem,

"Sem água não há vida não há nada"!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 17.06.2021 - 13.25h
***

 

*

RESERVADOS OS DIREITOS DE AUTOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08
Out20

COROA DE SONETOS

Maria João Brito de Sousa

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CHAMAR A MUSA
*
- Coroa de Sonetos -
*

Maria João Brito de Sousa e Custódio Montes
*

1
*

Onde estás tu, ó Musa por quem nutro

Tanto respeito e tal cumplicidade?

Não te procuro mais porque, em verdade,

Sei que ressurgirás num verso abrupto,
*

Pois num só verso guardas o produto

Do verbo (in)conjugado que me invade;

Passeias-te nas ruas da cidade

Que em tempos idos foi o meu reduto?
*

Por ti nunca desci da luta ao luto,

Contigo fui poeta sem idade,

Em ti depositei a flor, o fruto,
*

E a semente gestada em castidade;

És aquela que sou, em estado bruto,

E terra e mar e sonho e realidade!
*

Maria João Brito de Sousa - 06.10.2020 - 13.31

**
2
*

“E terra e mar e sonho e realidade”

E tudo é a musa: descuidada

Aérea, flor singela e amizade

Também inspiração orientada
*

A musa não tem mãos e é calada

E, claro, só se sente na verdade

Quando traz ao ouvido a charada

Confusa mas com plena eternidade
*

Poeta só quem tem habilidade

E tem inspiração e alma alada

E tem dentro de si acuidade
*

Escuta-se o acorde e a balada

A musa anda aí pela cidade

E anda nos seus versos espelhada
*

Custódio Montes

(6.10.2020)

**

3

*

"E anda nos seus versos espelhada"

Como se irmã lhe fora... e siamesa!

Juíza sábia, jovem camponesa

Cuidando da colheita ameaçada,
*

Tecedeira imparável, mas cansada,

Dona de casa, mulher da limpeza,

Mãe que chama os seus filhos para a mesa

Se fez um prato que a todos agrada...
*

Ah, quantas musas cabem nesta Musa?

Quantas vidas viveu, por onde andou

Esta que tão dif`rentes capas usa
*

E vai cantando as capas que envergou?

A esta, que hoje assim se me recusa,

Devo mais que a ninguém isto que sou.
*

Maria João Brito de Sousa - 06.10.2020 - 17.35h
**


4
*

"Devo mais que a ninguém isto que sou."

A musa é apenas feminina ?

Então bem arrumado eu estou

Que não posso acorrer a essa mina
*


As tarefas que aí enumerou

Retiram-me a graça bem como a sina

De poder versejar e acabou

Com a inspiração que não atina
*

Talvez não: cada um puxa a seu lado

Aquilo que mais quer e mais deseja

E dizer-se sem musa é engraçado
*

Mas sempre que uma ideia se verseja

Deve ter-se a cautela e o cuidado

De não meter a musa na peleja
*

Custódio Montes

(6.10.2020)

**

5
*

"De não meter a musa na peleja"

Não vejo forma nem encontro jeito

Se tem, a C`roa, título escorreito

E cada verso o título coteja...
*

Posso, porém, fazer como deseja

E passará um muso a ser sujeito

Desta conversa em soneto perfeito;

Agora que está dito, que assim seja!
*

Juíz ou lavrador ou engenheiro

Ou, como Aleixo, génio popular

E grandioso poeta-cauteleiro,
*

Médico, pasteleiro, homem do mar,

Caixeiro-viajante ou empreiteiro...

Não sei que encargos deva ao muso dar!
*


Maria João Brito de Sousa - 06.10.2020 - 19.18h

**

6
*

Não sei que encargos deva ao muso dar

Amiga tem piada neste evento

Fartou-se de sorrir e de gozar

Mostrando a sua garra e talento
*

Mas tenho agora mesmo que lembrar

Que um muso, a existir, neste momento,

Não fica a si sujeito ... que mandar

Manda ele e inspira o pensamento
*

Já vi que ao dizer que não tem musa

Não é verdade é uma imprecisão

Queria antes dizer que a tem reclusa
*

E fazer assim dela mangação

Porque se manda nela ela é obtusa

Que musa é musa mesmo, inspiração
*

Custódio Montes

(6.10.2020)
**

7
*

"Que musa é musa mesmo, inspiração"

Que só inspira aquilo que ela entende,

Que nos sopra ao ouvido e que nos prende

Pois toda ela é pura sedução...
*

Digo, porém, que não tive intenção

De brincar tanto quanto disto impende

E penso que, decerto, compreende

Que foi espontânea a minha reacção

*
E é bem verdade que me tem fugido

A musa, minha eterna companheira,

A guardadora do verso perdido
*

Que desde sempre orbita à minha beira;

Ah, nunca percas, Musa, o teu sentido

Pois sozinha não venço esta quebreira!
*


Maria João Brito de Sousa - 07.10.2020 - 10.53h

**

8
*


"Pois sozinha não venço esta quebreira"

Claro que há-de vencer tenho a certeza

Que a gente quando pensa e quando queira

Acaba por vencer a tibieza
*

É preciso acabar com a tristeza

Que mais não é que uma maluqueira

É.bom pensarmos antes na grandeza

Que nos traz um poema à nossa beira
*

Compõe-se uma quimera a alcançar

Rodeia-se de estrelas luminosas

Envolve-se com flores a ondear
*

Conjunto de harmonias glamorosas

De encanto que nos levam a sonhar

E fica-nos à volta um cheiro a rosas
*

Custódio Montes

(7.10.2020)

**

9
*

"E fica-nos à volta um cheiro a rosas"

E a cravos vermelhos e alfazema

Que sempre emana de qualquer poema

Composto em notas muito harmoniosas
*

Porém, num dia cardos, noutro prosas, (1

Que sempre engendra a vida algum dilema

E bastas vezes disso faz emblema

Criando as situações mais dolorosas...
*

Enquanto o tempo nos não cicatriza

A chaga de uma dor que era escusada,

Foge uma musa à sua poetisa,
*

E fica a poetisa desolada

Ao ver que o verso das mãos lhe desliza

Para cair no chão desfeito em nada.
*


Maria João Brito de Sousa - 07.10.2020 - 17.43h

*

1) Referência a um poema de Miguel Esteves Cardoso cantado por Manuela Moura Guedes

**

10
*

"Para cair no chão desfeito em nada."

Mas isso é do desgosto que se sente

Da vida que parece atribulada

Por coisa que aparece de repente
*


Mas o poema fica e a dor passada

Voltamos a reler e ao vê-lo à frente

Não nos lembra a tristeza acorrentada

Ao desgosto que teve então a gente
*

Escreve-se o que a alma nos aponta

Quer quando haja tristeza ou alegria

O estado bem se nota mas não conta
*

A quem lê ou escreve poesia

Quem a lê vê apenas uma ponta

Quem a escreve anda nela dia a dia
*

Custódio Montes

(7.10.2020)

**

11
*

"Quem a escreve anda nela dia a dia"

Como quem desenrola um fio que finda,

Sem saber quanto tempo falta ainda

Para findar-se o fio de quem o fia...
*

Mas tudo tem seu tempo e a alegria

A seu tempo ressurge... e como é linda,

E com que f`licidade ela nos brinda

Com coisas que só ela engendra e cria!
*

Pra ela há espaço... e também prá tristeza

Que bate à porta de todas as vidas

E, ora de manso, ora com rudeza
*

Nos mostra que apesar de haver saídas,

Há que assumir com toda a singeleza

Todas as emoções por nós sentidas.
*


Maria João Brito de Sousa - 07.10.2020 - 19.49h

**

12
*

"Todas as emoções por nós sentidas"

Boas e más mas sempre diferentes

Originais vivências acrescidas

Que ora nos fazem tristes ou contentes
*

Então vive o poeta várias vidas

E em cada uma delas frequentes

Luzes e emoções que assim vividas

Nos trazem versos lindos e excelentes
*

Que a musa a inspire e lhe dê graça

Ou mesmo com a musa adormecida

Escreva seus poemas e nos faça
*

Sentir as emoções na nossa vida

Esquecendo a amargura que nos passa

E queremos bem longe e esquecida
*

Custódio Montes

(7.10.2020)
**

13
*

"E queremos bem longe e esquecida"

Essa memória ainda tão recente

Que me roubou a Musa, essa eloquente

Guardadora dos versos sem guarida.
*

Voltou, porém, de versos guarnecida

E pronta pra cantar, como é corrente

Que as musas façam quando encontram gente

Disposta a encarar de frente a vida
*

Mas se as tristezas tiver que calar

E me mostrar alegre quando triste,

Sei que traio o que entendo por criar...
*

Garanto; não vos quero amargurar

Mas posso lá esconder que a dor existe

Se a dor nalgum momento me esmagar?

*

Maria João Brito de Sousa - 07.10.2020 - 21.57h
*


14
*

"Se a dor nalgum momento me esmagar"

Eu hei-de resistir que a resistência

É bom remédio, pode-nos salvar

Se nós tivermos garra e paciência
*

A gente pode às vezes fraquejar

Mas se lançarmos mão dessa valência

Que dentro de nós temos a morar

Havemos de encontrar resiliência
*

Nessas alturas vem querida musa

Agarra-te ao meu peito impoluto

Mas que à felicidade se recusa
*

Sê minha conselheira, dá-me o fruto

Para eu te adorar como uma deusa

“Onde estás tu ó musa em quem (me) nutro”?
*
Custódio Montes

(7.10.2020)

28
Jul20

PEÇO DESCULPA; NEM UM VERSO OUVI... - Coroa de Sonetos

Maria João Brito de Sousa

eu na praia ii.jpg

NEM UM VERSO OUVI... - COROA DE SONETOS

Maria João Brito de Sousa e Custódio Montes

*

1
*

Houvesse, hoje, um versito distraído

Que por aqui passasse por acaso

E que algo murmurasse ao meu ouvido,

Pra poder-vos dar conta deste atraso...

*

 

Fosse de pé quebrado ou mal medido,

Quase a desvanecer-se num ocaso,

Gago que fosse ou tão mal construído

Que em tudo semelhasse ângulo raso,
*

 

Que quisesse ser recto e não se erguesse

Um grauzito sequer que graça desse

A quem o visse ou lesse por aí...
*

 

Mas este que encontrei sem voz, nem dono,

Tudo quanto fará é dar-vos sono;

Peço desculpa. Nem um verso ouvi.
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 24.07.2020 - 14.30h
**

2
*

Também eu não ouvi sequer um verso

Pois fui passar uns dias à aldeia

Sem versos, claro, venho de alma cheia

E este estado assim é bem perverso
*

Trazer a alma toda em anverso:

A alma com poesia sem que leia

O ritmo que entre ela se encandeia

E firmem no conjunto um universo
*

É termos o poema cá bem dentro

E a forma arredada do seu centro

E não o publicar nem o fazer
*

Às vezes fica o mundo frio, escuro

Sem vermos o presente e o futuro

E um verso só bastava para o ver.
*

Custódio Montes

**

3
*

"E um verso só bastava para o ver"

Pois bastaria apenas tê-lo ouvido,

Mas... desta vez escondeu-se, emudecido,

Talvez sentindo medo de morrer,

*

Talvez pensando poder-se perder

Quiçá de si, do seu próprio sentido,

Que entre hospitais se sente já perdido

E nunca tem vergonha de o dizer...
*

A Musa foi de súbito tomada

Por um medinho atávico, ancestral,

E escondeu-se debaixo de uma escada
*

Assim que viu, ao longe, o hospital.

Bem a chamei. Não me serviu de nada...

Estou "desmusada" e a sentir-me mal!
*

Maria João Brito de Sousa - 25.07.2020 - 11.25h

**

4
*

"Estou "desmusada" e a sentir-me mal"

Melhoras lhe desejo a si e à musa

Mas mais a si que esta isso escusa

Doente embora é fenomenal
*

Os versos que ela engendra são sinal

De veia que se mostra bem difusa

Reergue-se depressa e não recusa

Andar correr e ser original
*

Por isso não se queixe, minha amiga

Senão olhe que Deus inda a castiga

Nós não o desejamos nem queremos
*

Doenças têm cura e melhora

E mesmo apenas sã uma só hora

São belos os poemas que lhe lemos.
*

Custódio Montes
**

5
*

"São belos os poemas que lhe lemos",

Poeta que ontem foi à sua aldeia

E dela veio com a bela veia

Que hoje frutificou, como aqui vemos!
*

Entrou na Barca Bela e fez-se aos remos

Sem medo do "mar grande" e da sereia,

Nem do rochedo e dos bancos de areia

Nos quais já tantas vezes perecemos...
*

Chegou e dou-lhe agora as boas vindas

Porque assim se recebem bons amigos

Que foram visitar as praias lindas
*

Que já foram seus berços, seus abrigos;

Desejo felicidades sempre infindas

E poucos ou nenhuns dos meus castigos.
*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 08.40h

**

6
*

"E poucos ou nenhuns dos meus castigos"

Os seus castigos são materiais

E não como se vê de outros mais

Pois olha e vê bem longe por postigos
*

Que outros pelo ar e com perigos

Tão só divisam coisas bem normais

Sem luas sois ou tardes outonais

Com sonhos ou quimeras como abrigos
*

Ainda para mais desculpas pede

De não ouvir um verso ou melodia

Quando nada se vê de que se arrede
*

E produz seus poemas dia a dia

De toda a realidade a que acede

E isso porque é toda poesia ....
*

Custódio Montes

(26.7.2020)
**

7
*

"E isso porque é tod(a)o poesia"

E merece o respeito e a amizade

De quem a responder-lhe não se evade

E o faz com muitíssima alegria

*

Haja quem nos secunde com mestria,

Que eu, dos meus olhos, sinto já saudade

E ao lume deixo a açorda que, em verdade,

Por um pouquinho mais se queimaria...
*

Alguma coisa ainda vejo, sim,

Mas a cabeça dói-me, os olhos ardem,

E já nem sei o que será de mim
*

Se for em vão que meus olhos aguardem

As cirurgias... mas, até ao fim,

Vou crer que sim, por muito que elas tardem!
*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 11.29h
**

8
*

"Vou crer que sim, por muito que elas tardem!"

Mas vão chegar depressa isso vão

Aos olhos também fiz operação

E agora vejo bem e já não ardem
*


Que os deuses a protejam e a guardem

E que lhe restituam a visão

Para podermos ter sua lição

Que os médicos se apressem, não aguardem
*

Eu penso que vai tudo correr bem -

Comigo assim foi e eis a prova

Puseram lentes novas e também
*

Se foi a miopia, o que renova

A vista que alcança mais além -

E vai ficar, amiga, como nova.
*

Custódio Montes

(26.7.2020)
**

9
**

"E vai ficar, amiga, como nova",

Diz-me o amigo, muito gentilmente...

Mas eu pergunto quando. É mesmo urgente

E esta quase-cegueira bem o prova.
*

Esforçadamente leio ou escrevo a trova

E tudo faço assim; esforçadamente,

Além do que se exije a toda a gente

E, pior, estando já c`os pés prá cova
*

Já que esperança de vida, pouca tenho

E, se bem que isso encare com bravura,

Melhor fora podarem-me este lenho
*

Que à vida me traz dor e desventura

E darem-me a visão que tive antanho

Pra não andar, das teclas, à procura...

*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 13.21h
**

10

*
"Pra não andar, das teclas, à procura"

Mas vê bem as palavras, isso vê

Pois nota isso a gente que a lê

Que encontra nelas força e candura
*

Arrojo, sentimento com doçura

E criatividade e os porquês

De tão bem escrever em português

De ser muito vernácula e pura
*

Mas não vou parecer adulador

Que o que se diz às vezes tem um custo

Mas ser omisso outras é pior
*

E eu não tenho peias não me assusto

Afirmo sempre aquilo que é melhor

E aqui o que eu afirmo é tudo justo.
*

Custódio Montes

(26.7.2020)
**

11
*

"E aqui o que eu afirmo é tudo justo"

Mas o que não é justo, com certeza,

Foi deixarem-me, há anos, assim presa

A escrever tudo com tão grande custo!
*

Não será facilmente que me assusto,

Conseguirei manter certa frieza

E por vezes até sair ilesa

Do confronto com quem é mais robusto,
*

Se confronto existir, que o não procuro!

Mas conseguindo ser muito objectiva,

Não tenho medo nem sequer do escuro!
*

Ainda que "pitosga", estou bem viva

Mas devo confessar que é muito duro

De tanta "pitosguice" estar cativa!
*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 14.25h
**

12
*

"De tanta "pitosguice" estar cativa",

Atrasos sem desculpa e sem valor

Seria menos mau e até melhor

Ir ter ao hospital e aflitiva
*

Dizer a alma aí caritativa

Que tem sua visão má e pior

Que há só escuridão e sente dor

E ser frontal e bem explicativa
*

Eu sei que a poetisa não faz isso

Mas muitos há decerto que lá vão

Conseguem de certeza compromisso
*

De formas pouco lícitas que são

Escuros, tristes modos e por isso

Pratica só quem age em corrupção.
*

Custódio Montes

(26.7.2020)
**

13
*

"Pratica só quem age em corrupção"

Esses truques e manhas, bem o sei...

Para a minha pensão - pensão de rei! -

Duzentos e setenta; mais não são!
*

Para quem sobrevive a tal pensão,

Sem recorrer ao que antes mencionei,

Não está fácil a vida... lei é lei!

Pra corrupta não trago vocação!
*

E agora que escrevi a bom escrever,

Que lhe falei de (algumas) desventuras

E que aqui me fui dando a conhecer,
*

Vou tomar um café; estou com tonturas

E a tensão está de novo a prometer

Descer de lá do topo das alturas
*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 16.38h
**

14
*

"Descer de lá do topo das alturas"

Mas tem que o fazer bem devagar

Senão pode cair e se aleijar

Perdendo os sentidos com tonturas
*


Beber café é sim uma das curas

Para a tensão poder remediar

Melhor seria não subir/baixar

E não ter de curar essas rupturas
*


Desejo-lhe as melhoras, fique bem

Merece ser feliz e ver vencido

O mal que a rodeia e que contem
*

Estando bem, aposto, convencido

Brincava certamente aqui também,

"Houvesse, hoje, um versito distraído"...
*

Custódio Montes


(26.7.2020)

 

 

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