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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
16
Nov09

A DÚVIDA

Maria João Brito de Sousa

 

Se eu cresci a saber que duvidar

É a mais produtiva ferramenta

- embora dê trabalho e seja lenta… -

Porque me falas tu de acreditar

 

Como se fosse a forma de criar

Que tudo vai gerar, tudo sustenta?

A dúvida é um bem que me acalenta,

Que me ensinou a arte de voar…

 

Sem dúvida que a dúvida é, por vezes,

O ponto de partida de uma fuga,

Mas gera, para nós, sabedoria…

 

Duvidei tanto, ao longo destes meses,

Que vi acrescentada, em cada ruga,

A lavra do que eu não compreendia…

 

 

"The suicide of the pink whale and the dove I borrowed from Magritte" - Maria João Brito de Sousa

03
Jan09

SOBRE A NUDEZ CRUA DO PECADO...

Maria João Brito de Sousa

Sobra-me de alma e falta-me saúde...

São coisas desta idade indefinida,

Quando se passa além da meia-vida

E não mais a pujança nos ilude...

 

São coisas que, pensadas amiúde,

Vos falam da Mulher-Interrompida,

Da que voltou por si (ou foi trazida...)

De um outro espaço doutra latitude...

 

Sobra-me um somatório de ilusões,

De rastos-de-cometa, sensações

De algo que se passou sem ter passado.

 

Sobram-me, de mim mesma, mil pedaços

Que transformei em manchas e em traços

Sobre a crua nudez do meu pecado.

 

 

Imagem retirada da internet

 

Pormenor de: "Sobre a nudez crua da Verdade, o manto diáfano da Fantasia"

 

 

Estátua de Mestre Teixeira Lopes, representando Eça de Queiroz estendendo sobre a Verdade  o ténue manto da Fantasia.

 

 

12
Dez08

INDIFERENÇA

Maria João Brito de Sousa

Quanto direito humano ou que direito

Nos dá, a nós, direito de passar

Por esse mundo fora sem olhar

Pr`a outro como nós, mas imperfeito?

 

E se lhe faltar pão, amor, saúde,

Porque não partilhar o que nos sobra?

De nada irá servir a nossa obra

Se a obra não partilha e nos ilude...

 

Tanto humano direito desprezado...

Tanta miséria e fome e quão cansado

Estará o bicho-homem de se ouvir!

 

Quantos nem nunca ouviram ou souberam

O sentido, a razão porque nasceram

Onde outros nunca querem dividir...

 

 

Imagem retirada da internet

 

11
Dez08

JOGOS DE SEDUÇÃO

Maria João Brito de Sousa

Se teço mil carícias de cetim

No corpo alucinado de um soneto,

Se, nesta tentação, me comprometo

Com esta sedução que surge assim,

 

Eu nunca mais consigo achar-lhe o fim!

São tantos os pecados que cometo

E tantos os poemas que prometo

Que me espanta o ardor que existe em mim!

 

Mas, mesmo que assim brinque, eu sei que sou

Poeta a tempo inteiro - corpo e alma! -

Pois nada do que faço me contenta...

 

Não paro de escrever... eu venho e vou

Entre uma rima breve que me acalma

E outra que me torna mais sedenta...

 

 

Imagem retirada da internet

 

03
Dez08

ANACRONICA(MENTE)

Maria João Brito de Sousa

Quantas vezes abraço o mundo, a vida,

E o Universo e eu somos só um!

Quantas vezes sou tantos e nenhum,

Dispersa, em esparsa névoa diluída?

 

Quantas vezes tão só e acompanhada

Me sinto, mais do que eu, árvore, flor,

Cometa em voo raso, Ursa Maior,

Terra, água, fogo e ar... ou mesmo nada?

 

E, nesta fantasia, que não sei

Se é mesmo fantasia ou se é real,

Me encontro, me defino e justifico.

 

De tudo o que fui dando, o mais que dei

Foi esta elevação do que é banal

À dimensão de um Eu que sacrifico.

 

 

Imagem retirada da internet

 

 

 

09
Set08

O SONHO EM VÃO

Maria João Brito de Sousa

Aqui, onde me vês, não sou ninguém.

Sou átomo de vida, um quase-nada,

Quiçá uma abstracção inacabada

Das coisas irreais que o mundo tem...

 

Aqui, onde me vês, eu nada sou,

Ou sou este teimoso sonho meu...

Eu, Hermes mensageiro, eu, Prometeu

Que Zeus um dia, irado, castigou...

 

E, enquanto ilusão, eu nunca sei

Se sou por existir, se me sonhei,

Se sou realidade, ou invenção

 

De um Ego que a si mesmo se constrói...

O que de mim sobrar (isso é que dói!)

Talvez seja, mais tarde, um sonho em vão...

 

 

Imagem - "A Sonhadora" - Acrílico sobre Canson

                30x20cm

                Maria João Brito de Sousa, 2001

 

 

28
Ago08

(DES)SINCRONIZAÇÃO

Maria João Brito de Sousa

Peço-te mil perdões por ter-te amado,

Porque te amei demais... Eu, a Poeta,

Pintei-te de outra cor, quis-te paleta,

Quis-te só para mim, quis-te encantado...

 

Amar-te tanto assim foi sempre errado.

Tornei-te meio-ser, alma incompleta,

Tentando ir caminhando em linha recta

Num círculo perfeito e pré- traçado...

 

Amei-te em cada gota do meu sangue,

Amei-te até morrer, caindo exangue;

Amei-te além de mim. Tão mais além...

 

Gravei na dimensão dos meus sentidos

Um ideal de humanos desmentidos

Que nos foi condenando. A nós, também...

 

Maria João Brito de Sousa - 2008

 

 

 

Imagem retirada da internet

19
Ago08

A POBREZA

Maria João Brito de Sousa

Sim, sofro como sofrem os magoados,

Mas nunca como sofre o desistente!

Se sofro, é duma dor que, embora urgente,

É deste mundo e não me dá cuidados...

 

Sofro da fome que é dos deserdados

Daquilo que faz falta ao ser vivente,

Daquilo que pensei ser-me indif`rente

Porque não vem nos versos nem nos quadros,

 

Daquilo que não posso dispensar

Por força do meu espírito estar preso

À carne que me rende e que eu desprezo...

 

E esta ambivalência a condenar

Urgências da minh`alma, como um peso

A esmagar no meu corpo o fogo aceso!

 

 

Maria João Brito de Sousa - 19.08.2008

 

 

Imagem - "O Guardador de Almas"

                 Pastel Sépia s/ Canson

                 Maria João Brito de sousa, 1999

15
Ago08

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Maria João Brito de Sousa


*

Eu já morei nos longes de outros tempos,
Já enfrentei dragões, sendo moinhos,
E vi, com meus dois olhos, os caminhos
Que levam das mil glórias aos tormentos.
*

Morei em esconsas celas de conventos,
Conheci mil palácios, provei vinhos,
Travei batalhas, lavrei pergaminhos
Sem me render ao medo, aos desalentos.
*..

Ergui, da areia, as pedras de Gizé,
Morri mil mortes, matei outras tantas...
De tudo o que eu criei, perduram sonhos;
*

A humana condição é como a fé
Na estranha lucidez que nos comanda...
Surdos, mudos e cegos... mas risonhos!
*

Maria João Brito de Sousa - 15.08.2008 - 19.18h

 

Imagem - "Ensaio Sobre a Cegueira" , 103x73cm

                 Técnica mista

                  Maria João Brito de Sousa , 1999

13
Ago08

O CAPITAL

Maria João Brito de Sousa

Capital.jpg

 

 

Poemas que vos dizem quanto sei,

Poemas que vos falam do que penso

E outros, descrevendo o contra-senso

Desta temeridade em que me dei,

 

Descritivo fiscal de quanto herdei,

Livre de selo, imposto, emolumentos,

Ou talento, que paga em sofrimentos

As taxas exigíveis pela lei;

 

Todo este capital vos legarei

E enquanto vo-lo deixo em testamento,

Crescem-me os bens pr`além do que sonhei

 

E a soma dos mil versos que engendrei,

Por fim legalizada em documento,

É todo o capital que acumulei!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 13.08.2008 - 13.20

 

Imagem retirada da Internet

 

Reformulado a 20.10.2015

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