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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Jun18

CONVERSANDO COM ALBERTINO GALVÃO - VALORES

Maria João Brito de Sousa

Picasso - self portrait 1907.jpg

 

FALO DO QUE SINTO

 

(soneto hendecassílabo com rimas encadeadas)

 

 

Já mortos, no tempo, andam os valores

mas nascem “senhores” neste nosso chão

que serão, ou não, por formação doutores...

porém... estupores?!... Isso eu sei que são!

 

Com ou sem razão, a esses tais “senhores”

chamo ditadores e aos que a eles dão,

por bajulação, aplausos e louvores

chamo de impostores! Digam lá que não!?

 

Sempre fiz questão de escrever de falar...

sem medo apontar injustiças que vejo

jamais p’lo desejo de ser aclamado...

 

foi-me já legado! Sem me comparar

a Ary vou gritar, porque nele me revejo,

não sou nem almejo ser vate castrado!

 

 

Abgalvão

 

...*…

 

 

TAMBÉM DO QUE SINTO, FALO!

 

 

Também do que sinto falo sem pudor,

Sem mudar de côr. Sobre essas, não minto,

Nem douro, nem pinto valor que é valor,

Nem que erga o teor à dor que hoje consinto

 

 

E que evito e finto, seja como for...

Sem um só rubor, direi tudo o que sinto

Sem branco nem tinto que altere o sabor,

Melhor ou pior, do que é claro e distinto.

 

Fujo ao tal estrelato que não me seduz,

Que sempre reduz a memória do facto

Ao mero aparato de uns jogos de luz...

 

Isto me conduz e portanto delato

Maldade, mau trato e quanto os traduz

Porque os reproduz sem um termo... e a contrato!

 

 

 

Maria João Brito de Sousa – 18.06.2018 – 12.38h

 

 

Pablo Picasso - Self Portrait, 1907

 

14
Nov17

"UPSIDE DOWN"

Maria João Brito de Sousa

upside down.jpg

 

 

Pequeno poema escrito em contra-mão,

Não te sei compor, mas deixo uma razão;

Sinto-me aturdida, perco-me de ti,

 

Não te oiço pulsando, nada sei senão

Que fugindo ao tom, escapas-me à canção...

Poema, que fazes ao teu “dó-ré-mi”

 

Que escondes, que guardas tão longe de mim?

Peço-te desculpa, pois rude pareço,

Mas bem reconheço; estranha, sou-o sim,

Se te escrevo assim, pondo o fim no começo,

 

Mas nunca te impeço desta forma, assim,

Tornar-te  jardim, jardim em que tropeço

E no qual me empeço muito antes do fim,

Nalguns ramos de alecrim... eis o teu preço!

 

 

Maria João Brito de Sousa – 14.11.2017 – 10.04h

 

 

NOTA – Soneto "excêntrico" escrito no seguimento de um soneto do poeta Albertino Galvão, em verso hendecassilábico e acentuação tónica na sétima sílaba métrica.

 

 

30
Out17

RESPONDENDO A UM SONETO DE ALBERTINO GALVÃO, QUE CONVERSAVA COM UM SONETO DE MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE, QUE, POR SUA VEZ, DIALOGAVA COM UM SONETO DE JOAQUIM SUSTELO

Maria João Brito de Sousa

CONVERSAS.jpg

 

(Soneto em verso hendecassilábico e rima intercalada)

 

 

 

Já estás perdoado, mas sempre te digo

Que amante ou amigo não deixo de lado;

Cometes pecado? Prometo castigo,

Mas esqueço e prossigo... já estás perdoado!



Só peço cuidado, de resto... nem ligo

E apenas consigo dar-te outro recado,

Este, mais pensado, pr`a nunca haver pr`igo

De, estando eu contigo, ser logo olvidado;



Sou, tal como tu, tenho veias com sangue

E se fico exangue partirei de vez...

Depois, não me vês, nem me afagas no mangue,



Pois carne sem sangue nunca aceita arnês,

Tem os seus porquês e tão pronto se zangue,

Esconde-se no mangue, perde a languidez...





Maria João Brito de Sousa -30.10.2017 – 11.35h

 

 

27
Jul17

GLOSANDO ALBERTINO GALVÃO II (?)

Maria João Brito de Sousa

TEMPO II.jpg

 

TEMPO INSENSÍVEL



Soneto em versos de 11 sílabas (os meus preferidos)

 

A noite caíra encobrindo a cidade
E as poças que a chuva da tarde fizera!
Da minha janela soprava-me a espera
Enquanto embalava, no colo, a saudade

 

Inspirei, absorto, a fria humidade
Soltei o soluço que em mim retivera
Pensando que bom, oh meu Deus quem me dera
Ter hoje e agora quinze anos de idade

 

Mas sendo insensível o tempo não trava
A louca corrida que o relógio grava
E segue somando minutos e anos

 

Indif’rente a sonhos desejos e planos
Lá vai me lembrando que ele ao ir passando
De mim vai também minha vida levando.

 

Abgalvão (in Palavras com Alma)





BAIXOS-RELEVOS



(em versos de onze sílabas métricas)



“A noite caíra encobrindo a cidade”

Que em sombras desvenda seus becos, vielas,

Seus prédios mais altos e suas capelas

Que, de alvas, brilhavam sob a claridade.



“Inspirei absorta a fria humidade”,

Chorei sob um céu sem lua, nem estrelas,

Onde nada brilha... nem um rasto delas

No intenso negrume que agora me invade,



“Mas sendo insensível, o tempo não trava”

A lágrima em fuga que escorre e que lava

Memórias doridas, doridos enganos,



“Indif`rente a sonhos, desejos e planos”,

Prossegue incansável nas marcas que grava

E nem se dá conta de ter-me por escrava...





Maria João Brito de Sousa – 26.07.2017 – 14.45h

 

Imagem retirada do Google

 

15
Ago16

GLOSANDO O POETA ALBERTINO GALVÃO

Maria João Brito de Sousa

13373039261.jpg

AFIRMAÇÃO



Afirmo, podem crer, pouco me importa
Que saibam e divulguem meus segredos
Pois se algo há em mim que me conforta
É de saber vencer todos meus medos

 

Aos silêncios que eu quero, abro a porta,
Enquanto embalo versos nos meus dedos...
Cinismo para mim é coisa morta
E próprio de quem vive só de enredos

 

O que me importa, sim, é ter por par
Alguém que eu possa amar e saiba amar
Sem ter de alguma vez, à sociedade,

 

Pagar, por má conduta, algum tributo...
E é manter-me assim firme e resoluto
P’ra me dar à poesia em liberdade

 

Abgalvão (reservado DA)

 

 

 

(CON)FIRMAÇÃO



"Afirmo, podem crer, pouco me importa"

Que engendrem, sobre mim, falsos rumores

E que, mesmo depois de eu estar bem morta,

Me inventem mil amor`s, ou desamores!



"Aos silêncios que eu quero, abro a porta"

Que, depois, logo fecho aos delatores

De tudo o que a minh`alma não suporta;

Bastam-me, a mim, meus próprios dissabores!



"O que me importa, sim, é ter por par"

Aquilo, tudo aquilo que eu criar,

Pois só assim eu vou (sobre)vivendo...



"Pagar, por má conduta, algum tributo",

Perdendo, do que crio, flor e fruto,

Quando são, flor e fruto, o que eu pretendo?



Maria João Brito de Sousa - 05.07.2016 - 15.23h

 

 

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