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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
26
Out22

POEMA/PÃO

Maria João Brito de Sousa

pão.jpg

POEMA/PÃO
*


Escrevo pra ti que vens de olhos pasmados

Matar nestes meus versos fome e sede:

Possam teus sonhos ser alimentados

Por quanto pão meu espanto te concede
*


Se te não são, nem foram dedicados,

Servi-los-ei à fome que mos pede

Mal a pressinta aqui, de olhos poisados:

Que lhe faça proveito o que me excede!
*


E mais razão nenhuma me mantendo,

Não reconheço justa outra razão

Senão a que talvez me vá perdendo
*


Mas à qual nunca irei dizer que não:

Pra que o que sinta fome os vá comendo,

Cozinho versos como quem faz pão.
*


Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

Inédito

***

22
Out22

SORTE

Maria João Brito de Sousa

 

Fortuna.jpg


A Fortuna de Olhos Vendados - Tadeusz Kuntze, 1754

(Wikipédia)
*


A SORTE
*

 

A sorte, amigos meus, quando bafeja

Alguém que não desdenhe a própria vida,

Pode vir como gota que goteja,

Ou irromper de um jorro, decidida
*


E seja ela aquilo que ela seja,

Não faz caso da porta que a convida,

Não quer saber da mesa que a festeja

E vai-se assim que encontra uma saída
*


A sorte não tem cor mas tem poder,

Nunca cuida de qu`rer a quem a quer

E muito raramente é justiceira
*


Pois nada enxerga e não sabe escolher

Quem dela necessite por não ter

Como sobreviver de outra maneira.
*

 

Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

Inédito

***

 

18
Out22

DESENCONTROS

Maria João Brito de Sousa

Eu, na praia com a Mafalda e a Catarina na barriga - 23.07.1976 (3).jpg

DESENCONTROS
*


Dormias nos meus braços fatigados

E, hoje, não me vês, não me conheces,

Não juntas os meus fios aos fios que teces,

Nem há lugar pra mim nos teus cuidados
*


É tarde, eu sei, pra redimir pecados

Ou pra saber se tens quanto mereces

E o que me dirias se pudesses

Relevar preconceitos recalcados
*

 

Mas se te move o mesmo que me move,

Segue em frente, não esperes que te prove

Que me sinto por fim realizada
*

 

Pois também para mim o tempo é pouco

E o mundo, minha filha, anda tão louco

Que tudo diz saber sem saber nada.
*

 


Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

Inédito
***

17
Out22

FOME(S) II

Maria João Brito de Sousa

Diego Rivera II.jpg

Pormenor de mural de Diego Rivera


FOME(S) II
*


Se tens fome do pão que ao rico sobra,

A força da razão está do teu lado

Quando acusas traído o resultado

De tudo o que é produto de mão de obra
*


E se, do que criaste, outrem te cobra

O fruto inteiro ou o maior bocado

E a ti te deixa pobre e esfomeado

Certo de que te cala e que te dobra
*


Mal sabe que te entrega a força toda,

Que essa força em ti cresce e se denoda

Para acender-se em chama renovada
*


Porquanto se agiganta, alastra em roda,

Incendeia-se toda e mais te açoda

Quando do que estuou lhe sobra um nada.
*


Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

Inédito

***

16
Out22

SUSPENSÃO

Maria João Brito de Sousa

orquestra.png


SUSPENSÃO
*


Negaram-me as razões pra ter razão

Sem qualquer atenção ao que não vendo

Não posso deduzir de uma equação

Que me não diz se a tenho, ou se a vou tendo...
*


E tendo mil razões para a tensão

Que essa equação gerar, sempre em crescendo,

Garanto não saber se há solução

Pra tudo quanto tento ir resolvendo...
*


Mas eis que surge um verso em suspensão

Na revolta que engulo e vou retendo

Pra dela desviar toda a atenção
*


E logo desse verso me suspendo

Suspendendo também a frustração,

Já que a um só compasso então me prendo.

*

 

Mª João Brito de Sousa

In A CEIA DO POETA

 

Inédito

***

14
Out22

FUSÃO

Maria João Brito de Sousa

O GATO.jpg

FUSÃO
*


Nas águas do meu rio, no ponto exacto

Em que o mar num abraço o recebeu

Me espelho e nesse amplexo me retrato

E sou muito mais rio do que sou eu
*


Mas sou também pinheiro, erva do mato,

Rochedo, alga marinha, azul do céu,

Vento que rodopia em desacato,

Molécula de ar puro, haste que ardeu...
*

 

Na terra em que nasci, se me relato

No que em mim nasce e no que em mim morreu

Ou no mais que de meu guarde em recato
*


Qual mastro vertical ou qual troféu,

É nessa (con)fusão que emulo o gato

Que morre a defender um chão que é seu.

*

 

Mª João Brito de Sousa

In A Ceia do Poeta

Inédito

23
Jun16

PENAS...

Maria João Brito de Sousa

digitalizar0015.jpg

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)

 

Eu tenho tanta pena de ter pena

Do tanto que vou vendo destruído,

Que chego a deduzir que ser serena,

Se despiu de razões, perdeu sentido,

 

Pois mais sentido faz razão pequena

Que nem sequer conceba haver perdido

Razões que são da pena a razão plena

De nunca as ter sonhado, ou concebido,

 

Mas... pena de mim mesma? Coisa obscena!

Que fútil, ou que inútil terei sido

Durante esta jornada, nunca amena,

 

Pr`a tê-la de mil penas preenchido?

Pergunto, olhando o Nada que hoje acena

A Tudo o que me coube ao ter nascido...

 

Maria João Brito de Sousa - Março, 2016

 

In A CEIA DO POETA - (inédito)

 

06
Jun16

VERSO A VERSO...

Maria João Brito de Sousa

 

agua-gotas.jpg

 

 

(Soneto em decassílabo heróico)



 

Na tenaz destas coxas que te prendem

Conduzo-te, poema imaginário,

Por ondas e marés, doce corsário,

Ao cais onde estas vagas se me rendem...

 

Rotas hábeis que engendro e que te entendem,

Levar-te-ão, poema solitário,

Ao cais urgente, ao porto necessário

À nau que vara as ondas que a suspendem...

 

Afundo-te, poema, verso a verso,

Firmando o leme assim que tu, disperso,

Te desvias da rota e, já perdido,

 

Recusando, talvez, morrer submerso

Na doce embriaguês deste universo,

Te negas ao naufrágio prometido...

 

 

Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2016

 

 

In A CEIA DO POETA (inédito)



 

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