Maria João Brito de Sousa
O TAL VINTE E CINCO *
Aos vinte e cinco foi dia
Quando era de madrugada
E nesse dia a alegria,
Toda a alegria que havia,
Explodiu quando libertada *
Aos vinte e cinco chorou-se
Pelo motivo contrário
Ao que o estado novo trouxe:
Aos vinte e cinco cantou-se,
Sonhou-se um poder operário! *
Tantos mil, fomos vontade,
Que num grito, um grito só,
Saudámos a liberdade,
Todos em pé de igualdade
E a pisar o mesmo pó, *
O pó de todas as ruas
Metro a metro percorridas
Por chaimites, por charruas...
E sonhei, ou vi faluas
Trocar mar por avenidas? *
Aos vinte e cinco, sonhámos,
Aos vinte e cinco sentimos
O sabor do que criámos
E desse dia guardámos
O que hoje não permitimos *
Depois? Depois aprendemos,
Porque, pouquinho a pouquinho,
Percebemos que o que temos
São sobras do que fazemos,
Mas mais ninguém está sozinho, *
Por isso é que sempre urgente
Lutar mais, com mais afinco,
Lutar, tendo bem presente
Que há sempre quem rosne à gente
Que fez o tal vinte e cinco! *
Maria João Brito de Sousa
23.04.2018 – 09.46h ***
publicado às 00:07
Maria João Brito de Sousa
25 DE ABRIL, SEMPRE! *
Chegou enchendo as ruas da cidade E pintou cada casa de vermelho Deixando que um do outro fosse o espelho Que em cada um espelhava a liberdade *
Semeou as sementes de igualdade Nas já cansadas mãos de cada velho E do jovem também, sem um conselho, Que tempo nunca teve, ou mesmo idade... *
A todos pertencia e, por igual, De todos foi repasto e comensal Na grande mesa da libertação *
Fomos nós, Povo, quem o conquistou E cabe-nos lembrar que, se murchou, Reavivá-lo está na nossa mão! *
Maria João Brito de Sousa
24.04.2020 - 10.30h ***
(Reedição)
publicado às 11:26
Maria João Brito de Sousa
RELEMBRO
*
Relembro um rio que em gesto resoluto
Cresce em caudal e soma em quantidade
A mesma urgência com que agora eu luto
E me dá força enquanto houver vontade;
*
Porque um poder perverso e dissoluto
Se nos impõe, esmagando a dignidade,
Sejamos fio de outro qualquer soluto
Que, em nos enchendo, engendre outra vontade!
*
Relembro o sangue em veias indomadas
E esta emergência em nós, sempre crescente,
Que nos transforma as mãos mais desarmadas
*
Em espada erguida sobre o prepotente
Que ensombra as águas vivas, libertadas,
Duma outra força antiga e sempre urgente!
*
Maria João Brito de Sousa – 15.04.2014 – 10.39h
*
Ao povo português que, desobedecendo a uma ordem directa, invadiu as ruas em 25 de Abril de 1974 e transformou um golpe militar numa verdadeira revolução.
publicado às 11:47
Maria João Brito de Sousa
25 DE ABRIL, SEMPRE! *
Chegou enchendo as ruas da cidade, Pintando cada casa de vermelho, Deixando que um do outro fosse o espelho Que em cada um espelhava a liberdade.
*
Semeou as sementes de igualdade Nas já cansadas mãos de cada velho E do jovem também, sem um conselho, Que tempo nunca teve, ou mesmo idade.
*
A todos pertencia e, por igual, De todos foi repasto e comensal Na grande mesa da libertação.
*
Fomos nós, povo, quem o conquistou E a nós cabe lembrar que, se murchou, Reavivá-lo está na nossa mão! *
Maria João Brito de Sousa -24.04.2020 - 10.30h
Imagem carinhosamente roubada do blog Relógio de Pêndulo
publicado às 12:59