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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
08
Abr09

AMANHÃ OU DEPOIS...

Maria João Brito de Sousa

Amanhã, ou depois, vos falarei

Das asas de luar de uma partida,

Da estranha luz da Terra-Prometida,

Do menino de luz que eu encontrei.

 

Amanhã, ou depois, vos contarei

Desses longes de luz da minha vida,

Da longa-curta estrada percorrida

[milénios por minutos, que eu bem sei!]

 

Amanhã, ou depois, descreverei

O tempo já sem tempo que recordo

E a voz sem ter voz que então ouvi.

 

Amanhã ou depois… hoje não sei

Se amanhã, ou depois, ainda acordo,

Se amanhã, ou depois, estou por aqui…

 

 

07
Abr09

TUDO É CONFORME

Maria João Brito de Sousa

Amigo, é sempre assim: - tudo é conforme

Os passos que, na vida, vamos dando.

Umas vezes cansados, arquejando,

Quando a distância nos parece enorme…

 

Outras vezes correndo, descuidados,

Pensando: - É já ali, não tarda nada!

Outras, ainda, a nossa caminhada

É tão serena quanto os passos dados…

 

Tudo é conforme aquilo que soubermos

E aquilo que pensamos já saber.

Tudo é conforme aquilo que pudermos…

 

Tudo não é senão o que fizermos

Ao longo do que está por percorrer

Conforme as poucas coisas que entendermos…

 

06
Abr09

CLANDESTINIDADE

Maria João Brito de Sousa

 

Aqui, neste começo de ninguém,

               Na génese do meu desconhecido,

Nesta implosão do que não faz sentido,

Procuro o dealbar de um novo Além.

 

Aqui, onde me sei, se encontro alguém,

Um outro, como eu, que já perdido,

Procure ainda e esteja convencido

De poder encontrar-se em si, também,

 

Eu reconheço ter valido a pena!

Prossigo a caminhada, mais serena

Por saber que outros há que, como eu,

 

Se negam ao torpor das meias-vidas,

Que arriscam caminhadas proibidas

Em busca dessa luz que Deus lhes deu.

- - - * - - - * - - - * - - - * - - - * - - - * - - -

 

 

Este é o soneto com que eu teria concorrido aos Jogos Florais da Associação Portuguesa de Poetas, caso a memória me não tivesse, mais uma vez, atraiçoado. O mesmo aconteceu com o soneto com que eu quereria ter concorrido aos Jogos Florais de Almeirim e que eu ainda nem sequer consegui encontrar, por estar manuscrito num dos milhares de papéis com poemas que vou guardando muito bem guardadinhos e, depois, não encontro...

Não vou entrar em pânico por causa deste tipo de coisas. Raríssimas vezes entrei em pânico em toda a minha vida e nunca foi uma experiência útil.

Apenas peço desculpa pelo facto.

05
Abr09

O BERÇO

Maria João Brito de Sousa

Sereno e solitário antigo mundo

Do Feto Arbóreo em tramas colossais,

Do tempo em que nem mesmo os animais

Sonhavam existir... mundo fecundo!

 

Sereno antigo mundo em mutação,

Desabrochando em sonhos por sonhar...

Imagino-te - ou ouso recordar? -

Em estranha, absurda, louca comunhão...

 

Cada eclosão, em ti... pura riqueza!

Cada transformação um novo sonho

E cada despertar... um hino à vida!

 

Abarco essa estranhíssima beleza...

Talvez fosses selvático, medonho,

Mas foste tu o berço e a guarida!

 

Imagem retirada da internet - Feto Arbóreo

 

 

03
Abr09

COM CABEÇA, TRONCO E MEMBROS...

Maria João Brito de Sousa

Cabeça, tronco e membros? Coisa pouca!

De que serve a cabeça se a não usas?

E membros para quê se te recusas

A usá-los agora? Estarás louca?

 

Cabeça, se regula ou não regula,

Quer-se pr`a ser usada em cada dia.

O tronco, se te dá essa ousadia,

Também se perde, às vezes, noutra gula…

 

E membros… só se forem sempre usados,

Se não andarem tontos, descuidados,

Sem saberem, sequer, o que fazer!

 

Cabeça, tronco e membros… quanto baste!

Que o resto, que te sobra, se não gaste

Nas mil coisas que tens para aprender…

 

Há um Óscar à vossa espera no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ . Vão buscá-lo porque o pobrezinho ficou esquecido durante tanto tempo que deve estar convencido que nem Óscar é... 

02
Abr09

O ESCULTOR

Maria João Brito de Sousa

Talhou dias a escopro e a martelo,

(às noites, foi a pulso que as ergueu…)

E foi chegando aonde concebeu

Dar muito mais beleza ao que era belo.

 

Hoje é rico, famoso e já faz parte

Dos nomes que ninguém deve esquecer

(eu nunca o vi, mas sei que o hei-de ver…)

Entre os que tudo deram pela Arte.

 

Não sei porque vos falo de um escultor…

Esculpi algumas frases sem saber,

Sequer, de quem vos falo, ou porque o faço…

 

Decerto sabereis dizer melhor

De quem falo, porque eu só sei escrever

Palavras que só esculpo enquanto as traço.

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 02.04.2009 - 13.02h

 

 

 

 

Imagem retirada da internet

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