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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
09
Nov17

SONETO BÁRBARO

Maria João Brito de Sousa

INVASÕES BÁRBARAS.jpg

 

SONETO BÁRBARO

 

Pedem tónicas na sétima? Cá vão elas, cá vão elas,

A dançar, deselegantes, como bandos de elefantes

Que às doze não chegarão, nem estarão perto de tê-las,

Mas vale a pena tentar, mesmo que em versos gigantes

*

 

Solfejando um “dó-de-mim” sobre umas linhas singelas,

Construir algumas delas que nos soem mais cantantes,

Sabendo que não serão, nem de longe, coisas belas,

Antes são, em vez de estrelas, versos muito dissonantes.

*

 

A musiqueta, essa, foi-se desta pauta putativa

Que, para manter-se viva, dá por cada verso, um coice

E - juro! - a gente condói-se, se de harmonia se priva!

*

 

Eis a música cativa, já sem martelo e sem foice,

Dando coice atrás de coice na pobre da comitiva

Que jamais foi punitiva! Mas o soneto constrói-se!

*

 

 

Maria João Brito de Sousa – 09.11.2017 – 10.00h

 

 

NOTA – Chama-se BÁRBARO a todo o soneto composto por versos de mais de doze sílabas métricas. Este é composto, na sua totalidade, por dois hemistíquios (metades de um verso) de sete sílabas métricas, o que, como poderão verificar, nem sempre resulta num verso de catorze sílabas métricas, dadas as palavras proparoxítonas (esdrúxulas) utilizadas na sua construção, bem como à dificuldade em criar um ponto neutro (átono) entre os dois hemistíquios de cada verso.

 

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