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Jul25
SILÊNCIO II - Reedição
Maria João Brito de Sousa
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António de Sousa, o meu avô poeta
fotografado pelo meu pai
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SILÊNCIO II
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Silêncio! Nem protestos nem queixumes
Soltam os versos mortos insepultos:
Perdem-se nos desertos dos ocultos
As aves desgarradas, quando implumes.
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Não há escudos pra espadas de dois gumes
Nem há contra-veneno para insultos
E o meu silêncio nunca paga indultos
Nem serve a desistência em que o presumes
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Arranco um verso ao prazo ultrapassado
De um mísero estertor dos meus sentidos
Que a ferro e fogo foi reconquistado
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E já perdi a conta aos que, perdidos,
Deixei ficar pra trás... Ah, naufragado,
No teu silêncio afogo os meus gemidos!
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Maria João Brito de Sousa
25.07.2021 - 13.22h
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