Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
24
Jun21

ROSA ENJEITADA - Helena Fragoso, Maria João Brito de Sousa, Helena Teresa Ruas Reis e Lourdes Mourinho

Maria João Brito de Sousa

rosa enjeitada.png


ROSA ENJEITADA...
*

Coroa de Sonetos
*

Helena Fragoso, Maria João Brito de Sousa, Helena Teresa Ruas Reis e Lourdes Mourinho Henriques.
***

1.
*

Sinto dentro de mim sempre latente

Tudo o que fui vivendo nesta estrada

Foram altos e baixos e silente

Foi toda essa minha caminhada...
*


Fui rocha, fui pilar, também carente,

Fui a rosa bravia desprezada…

Fui o apoio real de muita gente…

Que nunca o viu assim...nunca viu nada…
*

Serei talvez vulcão,serei semente,

Serei água que escorre lentamente,

Seguindo para a foz já bem cansada…
*

Serei poesia viva que se sente

Desenhada na dor sempre presente…

De me sentir assim...Rosa enjeitada!!!
*

 

Helena Fragoso
***

2.
*

"De me sentir assim... Rosa enjeitada(!!!)"

Já estive também eu, em tempos idos,

Tão farta que mudei o rumo à estrada

E rumei por atalhos não escolhidos.
*


Da vida pouco quis... um quase nada

Que garantisse à mente e aos sentidos

Alguma dignidade; a conquistada

Por trabalhos a custo conseguidos.
*


Ou tenho muito azar... ou muita sorte;

Quatro vezes tentou levar-me a morte

E as mesmas quatro vezes lhe escapei.
*


"Vaso ruim não quebra facilmente"...

Talvez eu seja vaso em vez de gente

Porque, até ao momento, não quebrei!
*

 

Maria João Brito de Sousa - 19.06.2021 - 19.56h
*

3.
*

“Porque, até ao momento, não quebrei!"

Inda que ruim vaso possa ser,

Onde uma velha planta me tornei

Em vez de bela rosa e sem o qu’rer.

*

Também não desejei ser ‘special

Ter “fundos” ou ter “mundos” não almejo

E parecer, sem ser, é-me banal.

Apenas ir vivendo é meu desejo.

*

Na infância, desterrada de meus pais

Regresso ao lar… com ânsias demais,

Sarei longe de irmãos que sempre amei.

*

Adolescente fui. Depois, sem mãe,

Quis Deus me apaixonasse por alguém

E… mais vezes sozinha me encontrei.

*

Helena Teresa Ruas Reis - 19/06/2021
***

4.
*

“E… mais vezes sozinha me encontrei”,

Após longo caminho percorrido

Ao lado do amor que sempre amei

Quando a morte o levou: o meu marido.
*

Sozinha, continuei o meu trilho

Sem nunca me sentir “Rosa Enjeitada”,

Mas eis que a vida me roubou um filho…

Fiquei então de vez amargurada.
*


Sinto a vida virada do avesso

E às vezes, nem eu própria me conheço…

Eu, que sempre vivi intensamente.
*

Sinto que sou uma sombra do passado,

Vivo de coração amargurado

Mas continuo p’la ‘strada… olhando em frente!
*

Lourdes Mourinho Henriques
***
5.

*

"Mas continuo p’la ‘strada… olhando em frente(!)"

sem ter algum carinho, algum alento?

pensei até um dia de repente

que não teria fim esse tormento...

*

Um dia em que tudo isso se consente...

E foi exatamente no momento

em que a poesia em mim se tornou gente

fez-me ganhar um novo sentimento...

*

Com ela, consegui, mudei a mente,

e a ternura minha é a nascente

que deu à minha alma um novo alento...

*

Serei rosa enjeitada, aqui presente...

Mas no meu peito vive bem latente

O amor que tenho e espalho pelo vento....

*

Helena Fragoso
***

6.
*

"O amor que tenho e espalho pelo vento"

É tão intenso quão peculiar;

Pode abarcar milénios num momento,

Ou pode num só sopro terminar...
*


Por vezes manso, noutras turbulento

E sem qualquer tendência pr`abrandar,

Faz o que quer sem ter consentimento

E nem eu mesma o posso comandar.
*


É rebelde, mas lúcido e clemente,

Pode às vezes calar-se, mas não mente

E sabe-se imperfeito, porque humano.
*


Rosa selvagem, sou, mas... enjeitada?

Fosse eu burguesa, fútil e enfeitada...

Mas fútil nunca fui, não vos engano!
*


Maria João Brito de Sousa - 20.06.2021 - 20.26h
*

7.
*

“Mas fútil nunca fui, não vos engano!”

Tudo o que faço, creio, é necessário,

Aceito paciente, “mano a mano”,

O qu’ outros acharão ser perdulário.

*

Assim, que sou levada à exaustão

De achar que faço mais do que prometo,

Mas se me encontro assim em negação

É por não medir bem no que me meto…

*

Receio que eu me torne uma enjeitada,

Já muito gasta, triste, amargurada,

E só a mim dever tais conclusões.

*

“Mas hei-de virar flor, rosa serei,

E com zelo e vigor me cuidarei!”

Estou pensando já “com meus botões”.
*


Helena Teresa Ruas Reis - 20/06/2021 - 23:49h
***

8.
*

“Estou pensando já “com meus botões”

Que a vida nunca é como sonhamos,

Há que agarrar bem as ocasiões,

Os momentos que às vezes desprezamos.
*

Viver é um vendaval de emoções,

Nem sempre sabemos como lidar,

Por vezes renegamos sensações

E fechamos a porta ao verbo Amar.
*

Hoje, resiliente, vou lutando,

Mesmo que às vezes triste e chorando

Continuo a seguir p’la minha estrada.
*

Sou uma rosa selvagem, com espinho,

Quando um dia picar o meu destino

Aí… serei então “Rosa Enjeitada”.
*

Lourdes Mourinho Henriques
***
9.
*

Aí… serei então “Rosa Enjeitada”.
mas mesmo assim irei saber quem sou
aquela que sofreu e que magoada,
na vida não vergou, sempre lutou...
*

Andei, sim, com a tristeza de mão dada,
e nesta solidão a que me dou...
ainda sigo a vida, sigo a estrada.
sabendo de onde vim e onde vou...
*

e nesta vida minha desenhada
apesar de já estar muito cansada
ainda sou eu mesma, sei quem sou...
*

Sou a que terá sido mal amada
a que hoje talvez já não tenha nada,
a quem só a saudade lhe restou...
*


Helena Fragoso
***


10.
*
"A quem só a saudade lhe restou(...)"

Irei pedir que, em si, procure bem

Já que garanto que bem mais ficou;

Esqueceu, talvez, o tanto qu`inda tem,
*

Mas repare na força que a sustém

E nos mais belos versos que criou,

Tão suaves que os não cria mais ninguém,

Mais doces do que o mel que alguém sonhou...
*


Muitos serão plo mundo mal amados,

Os sedentos de amor, os desprezados

E os que vão maldizendo a própria vida,
*


Mas muito poucos são abençoados

Com os talentos que trazes guardados

Dentro do peito, companheira querida!
*


Maria João Brito de Sousa -21.06.2021 - 22.19h

***
11.
*

“Dentro do peito, companheira querida,”

Mal sabe o coração como resiste

A tanta pouca sorte nessa vida

Que teima em te deixar ainda triste.

*

Não sonhes poder ter vida mais bela,

Não penses outra forma de lutar.

Nem há realidade mais singela

Que seres sempre o que és e te aceitar,

*

Conforta-me a poesia que em ti leio,

Aquela com que arrancas do teu seio

Palavras de doçura dolorosa.

*

Ah, vem querida amiga, a este pasto

E lança-me a esperança por arrasto,

Pois não és “enjeitada” mas só rosa!
*

Helena Teresa Ruas Reis - 21/06/2021 - 23,25h
***

12.

*
“Pois não és “enjeitada”, mas só Rosa”

Que espalhas p‘lo jardim o teu perfume,

Deixando tua poesia mimosa

Seja em versos de amor ou de ciúme.
*

 

Jamais serás assim “Rosa enjeitada”

Teus versos ficarão p’ra te lembrar,

E um dia, ao partires, deixas legada

Poesia, que outros irão desfrutar.
*

 

Não te sintas assim, amiga querida,

És uma “Rosa Linda”, não vencida,

Continua teu caminho olhando em frente!
*

 

Este é o nosso caminho da verdade…

Não podemos fugir, e uma saudade

Invade a minha alma eternamente.
*


Lourdes Mourinho Henriques
***

13.
*

"Invade a minha alma eternamente..."
Invade este meu ser, mas com magia...
A força de escrever e ser presente
A força que me vem da poesia
*

Serei Rosa Enjeitada, mas valente,
nas lutas que ainda travo dia a dia...
Mesmo quando o amor se faz ausente..
Mesmo quando eu vivo o que não queria...
*

E tudo o que vivi está tão latente
Embora em tom menor, e bem silente...
Às vezes nem sei bem o que faria...
*

Se a Poesia em mim estivesse ausente,
se não brotasse assim esta nascente
que vibra na minh' alma, esta alquimia...
*

Helena Fragoso
***

14.
*

"Que vibra na minh`alma, esta alquimia (...)",

Este sereno e afável desespero

Que se transforma em bússola e me guia,

Hoje e sempre inda além de quanto quero
*


E este "eu" que de avaria em avaria

Se ergue do nada quando chega ao zero...

Que absurda Morte a si se contraria

Ou se arrepende de algum gesto fero?
*


Foi nesse dia que ousei confrontá-la

E ao vê-la olhar-me dum canto da sala,

Chamei-lhe tola, louca... incoerente!
*


Numa voz perfurante como bala,

Fez soar uma estranha e curta fala:

"- Sinto dentro de mim sempre latente"...
*

 


Maria João Brito de Sousa - 22.06.2021 - 21.13h
***

 

(RESERVADOS OS DIREITOS DE AUTOR)

 

 

 

 

 

 

 

8 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!