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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
27
Mar18

QUINDETO

Maria João Brito de Sousa

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MINHA BARCA

 

Minha âncora num mar de aceso espanto,

Meu sangue e minha carne retalhada,

Minha amurada em tábuas de pau-santo,

Minha palavra acesa, se negada

Na rota do meu traço e do meu canto,

 

Tantos dirão que não te quero nada,

Quando te quero tanto, tanto, tanto,

Que me levanto, mesmo abalroada,

E te dispenso sem ceder ao pranto,

 

Se o mar te chama mais do que eu te chamo,

Ou se a maré reclama o que eu reclamo

E me prende num cais por inventar,

 

Num cais de sonhos que nunca acordaram

Porque no teu convés nunca embarcaram,

 

Quando, sem ti, nem sei se sei sonhar.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 27.03.2018 – 10.11h

 

**********

 

NOTA - O Quindeto é um poema composto por quinze versos distribuídos por cinco esfrofes; uma quintilha, uma quadra, um terceto, um dístico e um monóstico.

 

O esquema rimático é o seguinte;

ABABA BABA CCD EE D

 

Esta fórmula poética que foi criada em 1966 pelo poeta brasileiro Benedito Machado Homem, pode desenvolver-se em versos que vão das oito às doze sílabas métricas.

 

(este "Minha Barca", de minha autoria, foi trabalhado em decassílabo heróico)

 

 

 

 

 

 

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