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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
11
Jul20

OFÍCIO(S) I e II - Em verso operário

Maria João Brito de Sousa

Tarsila-do-Amaral-no-MOMA-em-Nova-York-131.jpg

OFÍCIO(S)
*

Os meus frágeis castelos de papel

Não são mais opulentos que choupanas

Urdidas a tracinhos de pincel

Sobre a nudez de superfícies planas

*

Outros serão gravados a cinzel

Somam-se em letras não menos humanas,

Por vezes numa pressa, num tropel,

Ao longo de horas, dias e semanas...
*

Sou operária das coisas diminutas,

Guerreira desarmada de outras lutas,

Agricultora de estros e cultura
*

Que ora plantando ora colhendo as frutas

Julga contar-se entre as mais resolutas

Das teimosas cultoras da ternura.
*

Maria João Brito de Sousa - 07.07.2020 - 11.47h

 

***

 

OFÍCIO(S) II
*

(Soneto em verso operário)
*

Proponho-me um poema de madeira

De linhas ergonómicas, tão estável

Como uma mesa ou como uma cadeira

Que seja muito sóbria e confortável

*

Se não sei trabalhar senão inteira

E o corpo está num estado deplorável

Mudo os versos em tábuas e à canseira

Transformo-a em qualquer coisa de palpável
*

Que pouco a pouco vai ganhando forma

E em breve este poema escapa à norma

Passando a ser objecto utilitário
*

Se não fossem as rendas com que adorna

A lucidez de cada tarde morna

Teria sido escrito em verso operário.
*

 


Maria João Brito de Sousa - 10.07.2020 - 10.45h
*
IMAGEM - Tela de Tarsila do Amaral

 

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