Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

poetaporkedeusker

poetaporkedeusker

UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Jul20

O NOSSO CANTINHO - Helena Fragoso e Maria João Brito de Sousa

Maria João Brito de Sousa

o nosso cantinho.jpg

O NOSSO CANTINHO 

Coroa de Sonetos

Helena Fragoso e Maria João Brito de Sousa
**


1
*

 

Guardei em minhas mãos o teu carinho

E nas tuas palavras meu amor

E assim vou prosseguindo este caminho

Entre a paz que me dás e alguma dor…
*


Guardei em mim o teu sabor a vinho

O teu toque suave, o teu calor….

Guardei o corpo teu que de mansinho

Ao meu se foi juntando com fervor….
*

Guardei, tudo guardei neste cantinho

Construído por nós devagarinho

Com todo este alicerce de valor…
*

Respeito, liberdade, um bocadinho...

Ternura, amizade e o carinho

E todo, todo o nosso imenso amor…
*

Helena Fragoso

**


2
*

"E todo, todo o nosso imenso amor"

Floresce na casinha que habitamos;

Dela somos escravos, sendo os amos,

Por ela abrimos asas de condor
*

E, sentindo prazer em vez de dor,

Alongamos as asas e voamos

Até ao infinito. Porque amamos

Até ao mais profundo despudor
*

A casa que, habitada, nos habita

Na qual até as tábuas pulsarão

E as portas são um órgão que palpita
*

Ao comando do nosso coração;

Pode essa casa ser, ou não, bonita,

Que é cega, louca e cega, esta paixão.
*

 

Maria João Brito de Sousa - 12.07.2020 - 12.35h
**

 

3

*

“Que é cega, louca e cega esta paixão”

Tão avassaladora de ternura

O que importa é que é boa enquanto dura

Tendo a dor e tristeza em contramão…
*

Tem a sonoridade da canção

O som de uma guitarra que em ternura

Ao dedilhar a melodia pura

Nos transmite uma paz de adoração…
*

Esse trinado suave de candura

Envolve este cantinho com doçura

E faz pulsar latente o coração…
*

Nos faz seguir a estrada com a ventura

Nos banha com carinhos e ternura

Seguimos lado a lado, mão na mão.
*

Helena Fragoso
*

 

4

*

"Seguimos lado a lado, mão na mão"

Abrindo portas a novos caminhos,

Tão convictas da nossa convicção

Quanto da confluência dos cantinhos

*

Onde guardámos, de alma e coração,

A pureza dos nossos brancos linhos;

A cabeça no céu e os pés no chão,

Lúcidas recusamos outros ninhos
*

Que mais forte é o ninho construído

Do que outro que nos seja prometido

Por quem não saiba amá-lo como nós;

*

O nosso, em liberdade concebido,

Não pode ser trocado nem vendido,

Pois nele habita a nossa própria voz.
*


Maria João Brito de Sousa - 17.07.2020 - 15.30h

*
5
*


"Pois nele habita a nossa própria voz"

E a tela que pintamos tu e eu

Em cores matizadas e onde nós

Desenhamos o que a vida nos deu…
*

Aqui estaremos juntos, nunca sós,

Teremos nossos astros, nosso céu.

Um cântico de paz que entre nós

Soará como o cântico de Orpheu…
*

Unidos pela própria nossa voz

Sempre seremos um, seremos nós,

Tudo neste cantinho que é tão meu…
*

Cantinho que será a nossa foz,

Nada o destruirá, pois é feroz,

Esta força que somos, tu e eu.
*
Helena Fragoso.
*

 

6
*

"Esta força que somos, tu e eu"

Neste nosso cantinho de poemas,

Leva-nos a voar da Terra ao céu

Nalguns instantes... segundos, apenas...
*

Outras vezes, porém, finge-se incréu

Rejeita um novo vôo e todo empenas

Cobre-nos com o pesado e denso véu

Das coisas mais pesadas, mais terrenas.
*

Este cantinho é tal e qual a vida

Que volta e meia prega uma partida,

Sem dar conta do susto que pregou
*

Nem eu estou, nem tu estás desprevenida

E em qualquer canto achamos a saída;

Abra-se a porta que o Tempo fechou!
*


Maria João Brito de Sousa - 19.07.2020 - 16.48h
*

 

7
*

Abra-se a porta que o Tempo fechou

Soltem-se sons da paz e da harmonia

E nos momentos aos quais eu me dou

Sempre renovo esta minha energia…
*

Aqui concentro aquilo que sou

Tudo o que sei e o que nem sabia…

Todos os sonhos que alguém já sonhou ..

E tantas coisas que eu nem sequer via…
*

Neste cantinho meu ser acordou

Viu o caminho e aqui se entregou

A suavidade que aqui existia….
*

Abra-se a porta que o Tempo fechou

Soam palavras que o vento cantou…

Nossos poemas feitos dia a dia….
*

Helena Fragoso
**


8
*

"Nossos poemas feitos dia a dia"

De incertezas, de risco e de ternura,

Vão conf`rindo suavíssima harmonia

Ao local deste encontro, na procura,
*

E o espaço da perfeita sintonia,

O centro da harmonia e da loucura

É esta pequenina sinfonia,

Ou esta melodia incauta e pura
*

Que sobre o meu joelho vou esboçando

Enquanto a pauta foge, esvoaçando,

E me deixa ao sabor de um improviso
*

Que me lança um sorriso honesto e brando;

Não sei se isto é real, se estou sonhando,

Mas correspondo, aberta num sorriso.
*


Maria João Brito de Sousa - 22.07.2020 - 15.00h

 

9
*

"Mas correspondo aberta num sorriso"

E te abençoo sempre com o olhar…

És o luar que amo e que preciso

Sempre presente na noite a brilhar…
*

E um poema sai-me de improviso…

Pinto uma tela neste nosso lar

Num tom perfeito, suave, conciso,

Como a ternura sabe desenhar…
*

E se estou triste ou se perco o juizo,

Logo me banhas com o teu sorriso,

E num abraço me vens acalmar…
*

Neste recanto tudo o que preciso

É a doce paz, um beijo, um sorriso,

Assim vivemos neste nosso lar.
*

Helena Fragoso
**

10

*


"E assim vivemos neste nosso lar"

Deveras pobre e, contudo, tão rico

Quanto o manto de prata do luar

E o brilho solar que nunca explico
*

Porquanto me fascina e faz calar

Bem mais que as coisas que nem qualifico

Por tão pouco as saber sequer explicar

Ao transcenderem quanto quantifico...

*


Neste cantinho nosso, muito nosso,

Há abraços à ceia e ao almoço,

Nada nos falta enquanto amor houver...
*

Bem sei que todo o fruto tem caroço

Mas, por enquanto, faço quanto posso

Pra que este (en)canto volte a renascer!

 

*

Maria João Brito de Sousa - 26.07.2020 - 15.46h

 

**
11
*


"Pra que este encanto volte a renascer"

Que tudo siga na forma mais certa

Que este ambiente de luz e prazer

Se não transforme em casa deserta.
*

Sempre sorrindo espelho no teu ser

Os meus desejos quando algo desperta..

E nos teus braços logo sinto ter

A calma , a paz e tudo se acerta.
*

E na essencia que te sinto ter

Posso encontrar a paz e o prazer

Vou caminhando segura, tão certa…
*

E este encanto volta a renascer

Pois é assim nosso jeito de ser,

E este amor será sempre uma oferta.
*

Helena Fragoso.
**

12
*

"E este amor será sempre uma oferta"

Que a este (en)canto trará mais beleza

E a luz que entrar pela janela aberta,

Também há-de sentar-se à nossa mesa
*

Inda que pobremente recoberta

E à meia-luz de uma só vela acesa...

perfaremos, contudo, a conta certa

E disso ambos teremos a certeza.
*

Espelham-se os versos meus nos versos teus,

Mais poemas nos nascem, feitos véus,

Dosséis que o nosso leito enfeitarão...
*

Depois serão os teus chamando o meus

E juntos voarão pr`além dos céus,

E, unidos, simplesmente... voarão!
*

Maria João Brito de Sousa - 28.07.2020 - 11.52h

**

13
*

"E unidos simplesmente voarão (!)"

Abrindo suas asas de condor

Em vôos de uma enorme dimensão

De ternura, de paz, riso e amor….
*

E nesses altos vôos mostrarão

Toda a verdade, todo esse valor…

Deste recanto e sua construção

Que nos abriga em seu doce calor
*

 

E juntos continuamos então

Neste caminho pleno de emoção

Unidos na poesia,no amor…
*

Fortalecendo assim nossa união

Unidos simplesmente voarão

Serão nossos poemas um louvor...
*

Helena Fragoso.
**

14
*

"Serão nossos poemas um louvor(...)"

Ao que em conjunto fomos construindo

E nada, para nós, será maior

Do que o que deste amor nos foi saindo...
*

Se alguém testemunhar, tanto melhor!

Se outro nos visitar, será bem-vindo,

Pois se ganhámos asas de condor

Foi pra, nelas voando, irmos subindo.
*

Haverá quem duvide, porventura,

Quem descreia de nós, desta candura,

Da existência, até, do nosso ninho,
*

Mas quem pode calar tanta ternura

Se para dela ficar bem segura

"Guardei em minhas mãos o teu carinho"?
*

 

 

Maria João Brito de Sousa - 30.07.2020 - 12.17h

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Em livro

Links

O MEU SEBO LITERÁRIO - Portal CEN

OS MEUS OUTROS BLOGS

SONETÁRIO

OUTROS POETAS

AVSPE

OUTROS POETAS II

AJUDAR O FÁBIO

OUTROS POETAS III

GALERIA DE TELAS

QUINTA DO SOL

COISAS DOCES...

AO SERVIÇO DA PAZ E DA ÉTICA, PELO PLANETA

ANIMAL

PRENDINHAS

EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES

ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE POETAS

ESCULTURA

CENTRO PAROQUIAL

NOVA ÁGUIA

CENTRO SOCIAL PAROQUIAL

SABER +

CEM PALAVRAS

TEOLOGIZAR

TEATRO

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D

FÁBRICA DE HISTÓRIAS

Autores Editora

A AUTORA DESTE BLOG NÃO ACEITA, NEM ACEITARÁ NUNCA, O AO90

AO 90? Não, nem obrigada!