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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
05
Fev17

GLOSANDO PATATIVA DO ASSARÉ

Maria João Brito de Sousa

Sancho e burrico.jpg

 

O BURRO

 

 

Vai ele a trote, pelo chão da serra,

Com a vista espantada e penetrante,

E ninguém nota em seu marchar volante,

A estupidez que este animal encerra.

 

Muitas vezes, manhoso, ele se emperra,

Sem dar uma passada para diante,

Outras vezes, pinota, revoltante,

E sacode o seu dono sobre a terra.

 

Mas contudo! Este bruto sem noção,

Que é capaz de fazer uma traição,

A quem quer que lhe venha na defesa,

 

É mais manso e tem mais inteligência

Do que o sábio que trata de ciência

E não crê no Senhor da Natureza.

 

Patativa do Assaré (1909-2002)

 

In "O Secular Soneto"

(osecularsoneto.blogsot.pt)

 

BURRO(S)

 

 

"Vai ele a trote, pelo chão da serra,"

Carregando no lombo a carga alheia,

Porque burro de carga não coxeia,

Nem quando em sujo lodo um casco enterra.

 

"Muitas vezes, manhoso, ele se emperra"

Causando ao dono enorme cefaleia,

Quando, na hora de voltar à aldeia,

Entenda ser demais quanto carrega...

 

"Mas contudo! Este bruto sem noção"

De que quem ganha a teima é o patrão

Que à chicotada o quebra, tarde ou cedo,

 

"É mais manso e tem mais inteligência"

Do que muito "finório" de aparência

Que nunca diz que não porque tem medo.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 02.02.2017 -15.19h

 

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