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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Set23

GLOSANDO NATÁLIA CORREIA - Reedição

Maria João Brito de Sousa

Natália a lápis de Cor (1).jpeg

SOBE O PANO
*

 

Onde se solta o estrangulado grito,

Humaniza-se a vida e sobe o pano.

Chegam aparições dóceis ao rito

Vindas do fosso mais fundo do humano.
*

 

Ilumina-se a cena e é soberano,

No palco, o real oculto no conflito.

É tragédia? É comédia? É, por engano,

O sequestro de um deus num barro aflito?
*

 

É o teatro: a magia que descobre

O rosto que a cara do homem cobre

E reflectidos no teu espelho - o actor -
*

 

Os teus fantasmas levam-te pr`a onde

O tempo puro que te corresponde

Entre as horas ardidas está em flor.
*

 

Natália Correia.
***

DESCE O PANO
*

 

"Onde se solta o estrangulado grito"

Das algemadas mãos do desengano,

Redobra em esforço insano o ser convicto

Que actua, invicto, até que caia o pano.
*

 

"Ilumina-se a cena e é soberano"

O esforço (des)humano. Eu acredito

Porquanto a fundo o fito, em"mano a mano",

Qual de nós mais tirano... ou mais constrito?
*

 

"É o teatro: a magia que descobre"

O primeiro a esvair-se, o que se dobre,

Sobre esse seu reflexo - outro, afinal... -
*

 

"Os teus fantasmas levam-te pra onde"

Nem mesmo o teu reflexo te responde...

Desce o pano. O fantasma era o real.
*

 

Maria João Brito de Sousa

13.11.2016 -19.18h
***

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