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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
13
Nov16

GLOSANDO NATÁLIA CORREIA

Maria João Brito de Sousa

001.jpg

 

SOBE O PANO

 

Onde se solta o estrangulado grito,
Humaniza-se a vida e sobe o pano.
Chegam aparições dóceis ao rito
Vindas do fosso mais fundo do humano.

 

Ilumina-se a cena e é soberano,
No palco, o real oculto no conflito.
É tragédia? É comédia? É, por engano,
O sequestro de um deus num barro aflito?

 

É o teatro: a magia que descobre
O rosto que a cara do homem cobre
E reflectidos no teu espelho - o actor -

 

Os teus fantasmas levam-te pr`a onde
O tempo puro que te corresponde
Entre as horas ardidas está em flor.

 

Natália Correia.

 

DESCE O PANO

 

"Onde se solta o estrangulado grito"
Das algemadas mãos do desengano,
Redobra em esforço insano, o ser constricto,
Que actua, invicto, até que caia o pano.

 

"Ilumina-se a cena e é soberano"
O esforço (des)humano. Eu acredito
Porquanto a fundo o fito, em"mano a mano",
Qual de nós mais tirano... ou mais aflito...

 

"É o teatro: a magia que descobre"
O primeiro a esvair-se, o que se dobre,
Sobre esse seu reflexo - outro, afinal... -

 

"Os teus fantasmas levam-te pr`a onde"
Nem mesmo esse reflexo te responde...
Desce o pano. O fantasma era o real.

 

 

Maria João Brito de Sousa -13.11.2016 -19.18

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