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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
27
Jan17

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXIX

Maria João Brito de Sousa

espaço vazio, tu.jpg

 

REPENSANDO O VAZIO



Entrei no meu vazio escurecido

Por túneis que cavei e construí

E onde guardei oculto meu bramido

Que em abrigos de plumas eu escondi

 

Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido

E ao esvoaçar de mim sei que cresci

E sonhei-me num porto já esquecido

Moldando do mar ondas que vesti

 

Entrancei nos cabelos o luar

Que descendo tirou o sono ao mar

E neles me encontrei em novo eu

 

Raiei de rouxinol e voei calma

Dei ao vazio tons que trago na alma

Dos túneis e ruínas fiz meu céu

 

MEA

25/012017



 

NEGANDO O VAZIO ABSOLUTO



"Entrei no meu vazio escurecido"

E logo o preenchi da claridade

Do verbo, nesse instante pressentido,

E da sua sonora intensidade...



"Dei-lhe voz, dei-lhe asas, num rugido"

Fiz ecoar, nas ruas da cidade,

A canção, muito acima do ruído

E o sonho, muito acima da ansiedade...



"Entrancei nos cabelos o luar",

Com mil cuidados, fi-lo então brilhar

Como um pequeno sol, quanto bastasse;



"Raiei de rouxinol e voei calma"

Porque o vazio tão só levava a palma

Se ao vazio dos vazios me não negasse!





Maria João Brito de Sousa - 26.01.2017 - 09.59h

 

 

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