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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
30
Nov16

GLOSANDO MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXVIII

Maria João Brito de Sousa

VOLTA INCERTA 2.png

 

OS PESCADORES

 

 

Saem para alto mar, os pescadores

Nos barcos levam redes pro pescado.

Esquecem alegrias e até dores

E enfrentam o mar bravo, revoltado

 

Fazem daquela noite os cobertores.

Pla aurora com o barco carregado

vendo já o horizonte doutras cores

Voltam ao areal tão almejado

 

Descarregado, o peixe vai pra lota

E de voo rasante uma gaivota

Junta-se à cerimónia num bailado

 

-Venha cá ver freguês, peixe fresquinho

De boa qualidade. Baratinho!

Chamam quem quer comprar; neste cantado

 

 

MEA

19/11/2016



FAINA INCERTA





"Saem para alto mar os pescadores"

Que a faina é dura, mas a fome aperta

E há que alimentar filhos menores

Que aguardam, dessa faina, a volta incerta.



"Fazem daquela noite os cobertores"

E, do luar, lençóis, quando o alerta

Das vagas a crescer, sempre maiores,

Lhes chicoteia o bote e os desperta.



"Descarregado o peixe vai pr`a lota",

Sonhava um pescador, mas a derrota

Do sonho morre ao som do mar revolto;



"- Venha cá ver, freguês, peixe fresquinho!"

Evoca o pescador, mas foi baixinho

Que apenas murmurou; - "Desta, não volto..."

 



Maria João Brito de Sousa 28.11.2016 - 12.50h



 

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