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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
18
Set16

GLOSANDO LUIZ VAZ DE CAMÕES III

Maria João Brito de Sousa

der Fliegende Holander II.jpg

JURANDO DE NÃO MAIS EM OUTRA VER-ME





Como quando do mar tempestuoso 
O marinheiro todo trabalhado, 
De um naufrágio cruel saindo a nado, 
Só de ouvir falar nele está medroso; 

Firme, jura que o vê-lo bonançoso 
Do seu lar o não tire sossegado; 
Mas esquecido já do horror passado, 
Dele a fiar se torna cobiçoso; 

Assi, Senhora, eu que da tormenta 
De vossa vista fujo, por salvar-me, 
Jurando de não mais em outra ver-me; 

Com alma que de vós nunca se ausenta, 
Me torno, por cobiça de ganhar-me, 
Onde estive tão perto de perder-me. 



Luís Vaz de Camões

In "Sonetos"



BRAVATA(S)



"Como quando do mar tempestuoso"

Que engole inteiro o velho galeão,

Emerge o grande vate e traz na mão

Quanto lhe fora em vida mais precioso,



"Firme, jura que vê-lo bonançoso"

Chegar às mãos de D. Sebastião,

Lhe justificará toda a aflição

Da luta contra um mar fero e rochoso,



"Assi, Senhora, eu que da tormenta"

Medo não tendo, vibro de ousadia,

O mesmo irado mar enfrentaria



"Com alma que de vós nunca se ausenta";

Que tempestade, a mim, me afogaria,

Se vos respiro, etérea Poesia?





Maria João Brito de Sousa -17.09.2016 - 21.11h

poesis-raphael-morghen-.jpg

 

 

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