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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
04
Fev17

GLOSANDO JORGE DE SENA

Maria João Brito de Sousa

A morte do cisne.jpg

 

INDEPENDÊNCIA

 

 

Recuso-me a aceitar o que me derem.
Recuso-me às verdades acabadas;
recuso-me, também, às que tiverem
pousadas no sem-fim as sete espadas.

Recuso-me às espadas que não ferem
e às que ferem por não serem dadas.
Recuso-me aos eus-próprios que vierem
e às almas que já foram conquistadas.

Recuso-me a estar lúcido ou comprado
e a estar sozinho ou estar acompanhado.
Recuso-me a morrer. Recuso a vida.

Recuso-me à inocência e ao pecado
como a ser livre ou ser predestinado.
Recuso tudo, ó Terra dividida!

Jorge de Sena, in 'Coroa da Terra'

 

 

 

 

... OU MORTE.



"Recuso-me a aceitar o que me derem",

Enquanto o não pagar. E pago foi

Por estas mãos que quase nada auferem

Deste trabalho infindo que as corrói.



"Recuso-me às espadas que não ferem"

E à forja em que uma espada se constrói,

Pois, de todos os gumes que me esperem,

Há-de ser sempre o meu que mais me dói.



"Recuso-me a estar lúcido ou comprado"

E recuso-me a ser manipulado

Pelas razões de outra razão qualquer.



"Recuso-me à inocência e ao pecado"

E a viver sorrindo conformado,

Porque aceitá-lo obriga-me a morrer!





Maria João Brito de Sousa - 02.02.201 - 08.23h

 

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