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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
24
Fev16

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (9)

Maria João Brito de Sousa

Bolas de sabão.jpeg

AS MINHAS ILUSÕES





Hora sagrada dum entardecer

D’Outono, à beira-mar, cor de safira.

Soa no ar uma invisível lira...

O sol é um doente a enlanguescer...



A vaga estende os braços a suster,

Numa dor de revolta cheia de ira,

A doirada cabeça que delira

Num último suspiro, a estremecer!



O sol morreu... e veste luto o mar...

E eu vejo a urna d’oiro, a baloiçar,

À flor das ondas, num lençol d’espuma.



As minhas Ilusões, doce tesoiro,

Também as vi levar em urna d’oiro,

No mar da Vida, assim... uma por uma





Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"





... E AS MINHAS...

"Hora sagrada dum anoitecer"

A que a nuvem se esquece que aspergira

Com a bênção da chuva e que suspira

Por ver o dia assim, quase a morrer...



"A vaga estende os braços a suster"

As mil desilusões que já sentira,

Pr`a que a força dos braços lhe sugira

Que, amanhã, há-de o dia amanhecer...



"O sol morreu... e veste luto o mar..."...

De nada serve à vaga sustentar

As razões por que escreve, ou por que fuma...



"As minhas Ilusões, doce tesoiro,"

Quais bolas de sabão, vão ´dando o estoiro`,

Nenhuma tem mais peso que uma pluma...





Maria João Brito de Sousa - 30.01.2016 -21.41h



 

 

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