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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
17
Fev16

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (6)

Maria João Brito de Sousa

VOGAISECONSOANTES.jpg

 

TARDE NO MAR



A tarde é de oiro rútilo: esbraseia,

O horizonte: um cacto purpurino.

E a vaga esbelta que palpita e ondeia,

Com uma frágil graça de menino,



Poisa o manto de arminho na areia

E lá vai, e lá segue ao seu destino!

E o sol, nas casas brancas que incendeia,

Desenha mãos sangrentas de assassino!



Que linda tarde aberta sobre o mar!

Vai deitando do céu molhos de rosas

Que Apolo se entretém a desfolhar...



E, sobre mim, em gestos palpitantes,

As tuas mãos morenas, milagrosas,

São as asas do sol, agonizantes...



Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"



TARDE NO MAR



"A tarde é de oiro rútilo; esbraseia,"

O céu, qual mão pesada em gesto irado,

Emana tal calor que quase ateia

Mil chamas sobre o chão já castigado...



"Poisa o manto de arminho na areia"

E abrasa mais, julgando ter poupado

A terra, o mar e tudo o que o rodeia,

Pois mais parece ter-se incendiado...



"Que linda tarde aberta sobre o mar!"

Mas... quem te soube ler, não acredita

Em descrição tão suave e linear...



"E, sobre mim, em gestos palpitantes",

Desce, de novo, o extâse da escrita,

Abraçam-se as vogais às consoantes...





Maria João Brito de Sousa - 29.01.2016 - 16.42h



 

Imagem via Google





 

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