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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
12
Fev16

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (3)

Maria João Brito de Sousa

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CASTELÃ DA TRISTEZA

 

Altiva e couraçada de desdém,

Vivo sozinha em meu castelo: a Dor!

Passa por ele a luz de todo o amor...

E nunca em meu castelo entrou alguém!

 

Castelã de tristeza, vês?... A quem?!...

– E o meu olhar é interrogador –

Perscruto, ao longe, as sombras do sol-pôr...

Chora o silêncio... nada ... ninguém vem...

 

Castelã da Tristeza, por que choras

Lendo, toda de branco, um livro de horas,

À sombra rendilhada dos vitrais?...

 

À noite, debruçada p’las ameias,

Por que rezas baixinho?... Por que anseias?...

Que sonho afagam tuas mãos reais?...

 

Florbela espanca, in "Livro de Mágoas"

 

NÃO VÊS?

 

"Altiva e couraçada de desdém",

Mas nunca desprovida de valor

E, quase sempre, pronta a pressupor

Que, mesmo nada sendo, eras alguém...

 

"Castelã da Tristeza, vês? ... A quem?!..."

Quando tu, cultivando a própria dor,

A cada qual tornaste um desertor

Da mágoa que, por vezes, te entretém?...

 

"Castelã da Tristeza, por que choras"

E a quem é que, chorando, tanto imploras

A esmola de quem te ame um pouco mais?

 

"À noite, debruçada p`las ameias",

Não vês que a fome alastra nas aldeias

Enquanto, nessa angústia, em vão te esvais?

 

 

Maria João Brito de Sousa - 26.01.2016 - 12.44h

 

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