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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
07
Mar16

GLOSANDO FLORBELA ESPANCA (16)

Maria João Brito de Sousa

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DESEJOS VÃOS



Eu qu’ria ser o Mar d’altivo porte

Que ri e canta, a vastidão imensa!

Eu qu’ria ser a pedra que não pensa,

A Pedra do caminho, rude e forte!



Eu qu’ria ser o Sol, a luz intensa,

O bem do que é humilde e não tem sorte!

Eu qu’ria ser a árvore tosca e densa

Que ri do mundo vão e até da morte!



Mas o Mar também chora de tristeza...

As Árvores também, como quem reza,

Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!



E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia,

Tem lágrimas de sangue na agonia!

E as Pedras... essas... pisa-as toda a gente!..



Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"



REFLEXÕES...



"Eu queria ser o Mar d`altivo porte",

Sentir-me a flutuar na vaga imensa

Que se ergue prepotente, irada, tensa,

Pr`a desfazer-se em espuma, num desnorte...



"Eu queria ser o Sol, a luz intensa",

O brilho luminoso, o raio forte

Que, aceso, nos aquece e recompensa,

Mas nos foge a seguir, tal como a sorte...



"Mas o Mar também chora de tristeza",

Desfaz-se a vaga em espuma e, sem surpresa,

Rende-se à noite escura o astro ardente



"E o Sol altivo e forte, ao fim dum dia",

Vai concedendo à Lua a primazia

De um brilhozinho suave e transparente...





Maria João Brito de Sousa - 09.02.2016 - 14.27h

 

 

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