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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
03
Dez16

GLOSANDO FERNANDO PESSOA

Maria João Brito de Sousa

O enigma da esfinge. 2.jpg

 ADAGAS CUJAS JÓIAS VELHAS GALAS...


Adagas cujas jóias velhas galas
Opalesci amar-me entre mãos raras,
E fluido a febres entre um lembrar de aras,
O convés sem ninguém cheio de malas...

O íntimo silêncio das opalas
Conduz orientes até jóias caras,
E o meu anseio vai nas rotas claras
De um grande sonho cheio de ócio e salas...

Passa o cortejo imperial, e ao longe
O povo só pelo cessar das lanças
Sabe que passa o seu tirano, e estruge

Sua ovação, e erguem as crianças
Mas no teclado as tuas mãos pararam
E indefinidamente repousaram...



Fernando Pessoa



(Soneto retirado do site Pensador.uol.com.br)



DESGASTES...



"Adagas cujas jóias velhas galas"

De um tempo requentado e bolorento,

Encastrando o metálico cinzento,

Dando-me a sensação de ver bengalas,



"O íntimo silêncio das opalas"

E alguma estranha graça a que acrescento

Tudo quanto me ocorra, enquanto tento,

Uma a uma, (re)tê-las, observá-las...



"Passa o cortejo imperial, ao longe",

Evocando invasões, louros, matanças...

Toca, pr`a mim, com placidez de monje



"Sua ovação, e erguem as crianças" ...

Já nada vejo além de adagas gastas;

Nem Édipos me turbam, nem Jocastas.





Maria João Brito de Sousa - 03.12.2016 - 12.57h

 

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