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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) , autora no Portal CEN, e membro da Associação Desenhando Sonhos, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
19
Ago17

GLOSANDO CHICO BUARQUE

Maria João Brito de Sousa

MENINA SENTADA - PORTINARI.jpg

 

SONETO



Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono?

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo?

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída?

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio?



Chico Buarque



SONETO II



Porque vieste assim, louco e sem dono,

Falar-me de mil coisas nunca ouvidas

E me afagaste com mãos decididas,

“Quando eu estava bem, morta de sono?”



Porque bateste à porta, manhã cedo,

E me ofuscaste em luz, na luz que entrava

Por essa mesma porta que eu fechava,

“Quando eu estava bem, morta de medo?”

 

Porque é que me quiseste dividida,

Se inteiro preencheste este meu rio

“E me deixaste só, com que saída?”



Porque foi que sorveste cada fio

Duma água que jamais fora bebida,

“Quando eu estava bem, morta de frio?”





Maria João Brito de Sousa – 18.08.2017 – 19.41h



(Neste segundo soneto, todos os versos que se encontram entre aspas são da autoria de Chico Buarque)

 

"Menina Sentada" - Portinari

 

2 comentários

  • Onde houver destruição,
    Morre um pouquinho de mim,
    Mas dá-se a ressurreição
    Da semente, no jardim

    Nada ressuscita em vão,
    Porque a vida é mesmo assim;
    Sobre o negro do carvão,
    Nasce cor que não tem fim...

    Rastejar, nunca rastejo,
    Mas garanto; já mal vejo
    E mal me movo também

    Mas, por vezes, um gracejo
    Faz-me sorrir... dou-lhe um beijo
    Sem perguntar-lhe ao que vem...

    Maria João

    Cá vai com um grande abraço, Poeta!
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