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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
29
Out16

GLOSANDO CESÁRIO VERDE

Maria João Brito de Sousa

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HEROÍSMOS



Eu temo muito o mar, o mar enorme, 
Solene, enraivecido, turbulento, 
Erguido em vagalhões, rugindo ao vento; 
O mar sublime, o mar que nunca dorme. 

Eu temo o largo mar, rebelde, informe, 
De vítimas famélico, sedento, 
E creio ouvir em cada seu lamento 
Os ruídos dum túmulo disforme. 

Contudo, num barquinho transparente, 
No seu dorso feroz vou blasonar, 
Tufada a vela e n'água quase assente, 

E ouvindo muito ao perto o seu bramar, 
Eu rindo, sem cuidados, simplesmente, 
Escarro, com desdém, no grande mar! 



Cesário Verde, in 'O Livro de Cesário Verde' 

 

 

(DIA)LECTOS

 

"Eu temo muito o mar, o mar enorme"

Que afunda, sob as ondas encrespadas,

Meus versos feitos de ilhas encantadas,

Por muito que os (re)crie e (re)transforme...

 

"Eu temo o largo mar, rebelde, informe",

Mas, de tanto senti-lo e já cansadas

De olhá-lo e de temê-lo, amarguradas,

Gemem-me as rimas, sai verso disforme ...

 

 

"Contudo, num barquinho transparente",

Vencido o medo obtuso... é navegar,

Como vai navegando essoutra gente!



"E ouvindo muito ao perto o seu bramar",

Aprendo-lhe o bramido inteligente,

Tornando-me mais mar que o próprio mar...

 



Maria joão Brito de Sousa -28.10.2016 - 16.47h

 

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