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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
20
Jan17

GLOSANDO ARY DOS SANTOS

Maria João Brito de Sousa

ary_dos_santos76757.jpg

 

SONETO DE MAL AMAR





Invento-te recordo-te distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.

A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciúme atormentada
a provar-me que ainda não estou morto.

E as coisas que eu não disse? Que não digo:
Meu terraço de ausência meu castigo
meu pântano de rosas afogadas.

Por ti me reconheço e contradigo
chão das palavras mágoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.



Ary dos Santos, in 'O Sangue das Palavras'







SONETO DE MAL-LEMBRAR





"Invento-te recordo-te distorço"

Essa velha memória desgastada

Pelo tempo passado, pelo esforço,

Pela estrofe que passa, desgarrada.



"A palavra desejo incendiada";

Erro de paralaxe, ou óbvio escorço

Duma memória em versos recriada

Que é, da figura humana, apenas torso.



"E as coisas que não disse? Que não digo (:)"

Sobre as fomes de um pão que encontra abrigo

Em quadras e sextilhas (en)cantadas?



"Por ti me reconheço e contradigo"

Que andei de verso em verso, qual mendigo

Da esmola das canções que são rimadas.



 



Maria João Brito de Sousa - 18.01.2017 - 11.02

 

No dia do 33º aniversário da sua partida.







 

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