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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
16
Nov16

GLOSANDO ANTÓNIO DE SOUSA

Maria João Brito de Sousa

Avô Sousa, na casa da Luís de Camões em Algés.

EXÍLIO



Cobriu-me de desprezo o dia pardo,

a flor azul do riso das donzelas,

o lento rio de águas amarelas

e o frio, que pesava como um fardo...



Meu sonho - vôo tonto de moscardo

a tentear vidraças de janelas -

zoava de horas túmidas e belas;

morria, seco e duro como um cardo.



Sempre de mim a mim, nos meus caminhos,

pedindo em vão a esmola de vizinhos

e lume certo a um lar que não tem brasas.



(Menino triste que já é demais,

sou de filhos, irmãos, mulher e pais

para esconder do Céu uns cotos de asas.)





António de Sousa



In "Livro de Bordo" (1ª edição),  Editorial Inquérito





O CAIS

 

"Cobriu-me de desprezo o dia pardo"

que violava as frestas das janelas

como a nortada enfuna as rotas velas

da minha barca de pirata... ou bardo...



"Meu sonho - vôo tonto de moscardo"

somando à própria fuga, outras procelas... -

perdidos mastro e leme, embate nelas

e cai pesadamente, como um fardo.



"Sempre de mim a mim, nos meus caminhos",

tecendo, para as velas, novos linhos

e esculpindo-lhes versos que são remos,



"(Menino triste que já é demais",

vá eu por onde for, se aporto ao cais,

direi que um cais nos deu tudo o que temos!)





Maria João Brito de Sousa - 15.11.2016 - 12.10h

 

 

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