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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
04
Out17

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE - Mãos

Maria João Brito de Sousa

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DEI VOZ ÀS MINHAS MÃOS



Dei voz às minhas mãos num fim de tarde

Quando o sol ao cair no azul do mar

Parece que se ateia e depois arde

Nas águas onde prendo o meu olhar

 

Vestiram gestos mansos sem alarde

E falando ao teu corpo devagar

Numa voz calma quase que cobarde

Por ele se deixaram encantar

 

Libertados que foram os seus medos

Sussurraram palavras e segredos

Bailando no silêncio da atmosfera

 

Já no horizonte o céu enegrecia

Porquanto o sol ali se despedia

Calou-se então a voz que às mãos eu dera

 

 

MEA

2/10/2017



A CAMINHO DO INEVITÁVEL FIM DE TARDE



Por muito que adiasse a voz crescente,

por muito que, hoje ainda, eu a resguarde,

a voz do sonho ousou passar-me à frente,

“Dei voz às minhas mãos num fim de tarde”



E nunca mais, de mim, tornada ausente,

que a voz das minhas mãos não mais retarde

palavras mil, que tão precocemente

“Vestiram gestos brandos sem alarde”



Livres do pseudo-sonho que os tolhia

enquanto, passo a passo, eu mal crescia,

“Libertados que foram os seus medos”,



Deixaram de iludir-se. São brinquedos,

ilusões de uma infância. Mal nascia,

“Já no horizonte o céu enegrecia”.





Maria João Brito de Sousa -04.10.2017 – 11.01h

 

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