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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
10
Jan17

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXXVII

Maria João Brito de Sousa

004.jpg

 

SOMBRAS, TREVA E FANTASIA



Hoje tapou-se o sol, foi dia escuro
Polvilhado por névoa branca e fria
Tão húmida e tão densa como um muro
Erguido numa mágica ousadia

 

Não havia horizonte nem futuro
Somente sombras treva e fantasia
Soltas plo nevoeiro branco e puro
Em farrapos aquosos de poesia

 

Houve ao anoitecer sóis que brilharam
Mais forte e de beleza perfuraram
O branco, então já negro nevoeiro

 

A noite pôs um véu alaranjado
De brilho, de fulgor enevoado
E fez-se de mistérios plo carreiro

 

 

MEA
06/01/2017

---* ---

 

CEGUEIRA(S) - (brevíssimo ensaio sobre...)

 

 

"Hoje tapou-se o sol, foi dia escuro"

Muito antes da noite apetecer

E dia que em nascendo é já maduro

Antecipa, da noite, o recolher.

 

"Não havia horizonte nem futuro",

Nem outra alternativa... era viver,

Ou morrer, nesse dia em que, vos juro,

Nem sequer vi o dia acontecer.

 

"Houve ao anoitecer sóis que brilharam",

Estrelas que, extraviadas, orbitaram

Em torno do meu espanto, em estranha dança,

 

"A noite pôs um véu alaranjado"

E veio-se acoitar no meu teclado,

Inda o dia, lá fora, era criança.

 

 

 

 

Maria João Brito de Sousa - 07.01.2017 - 08.59h

 

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