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poetaporkedeusker

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UM BLOG SOBRE SONETO CLÁSSICO

Da autoria de Maria João Brito de Sousa, sócia nº 88 da Associação Portuguesa de Poetas, Membro Efectivo da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores - AVSPE -, Membro da Academia Virtual de Letras (AVL) e autora no Portal CEN, escrito num portátil gentilmente oferecido pelos seus leitores. ...porque os poemas nascem, alimentam-se, crescem, reproduzem-se e (por vezes...) não morrem.
23
Nov16

GLOSANDO A POETISA MARIA DA ENCARNAÇÃO ALEXANDRE XXII

Maria João Brito de Sousa

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FUI BARCO AMARRADO NO CAIS


O dia despertou pardo e cinzento
E, caindo em cascata dos beirais
Inundando o recinto de cimento
Desabam grossos rios verticais

 

Trouxe por companheiro tanto vento!
E eu, fui barco amarrado no meu cais.
Presa, só passeei em pensamento
Ao visitar caminhos e locais

 

Percorri-os, supondo aquela calma
Sabendo não haver neles vivalma
Que me fala infeliz ou ansiosa

 

Sem que do sol tivesse algum aviso
Nem sequer pequeníssimo sorriso
A noite anunciou-se nebulosa

 

MEA
21/11/2016,

 

 

ESTE ÚLTIMO CIGARRO

 

"O dia despertou pardo e cinzento";
Cenário de um grotesco furacão
Que uivasse o seu fantástico lamento
A tão (in)desculpável solidão.

 

"Trouxe por companheiro tanto vento!"
Vergou troncos, mudou a direcção
Da louca dança e, sendo um trapalhão,
Ufanou-se de ter graça e talento...

 

"Percorri-os, supondo aquela calma",
Aos mais fundos abismos da minh`alma
E por lá estacionei meu velho carro.

 

"Sem que do Sol tivesse algum aviso",
Triste me quedo - não perdendo o siso... -,
Assim que acabe este último cigarro.

 

 

Maria João Brito de Sousa - 21.11.2016 - 18.49h

 

 

Rabisco/pincelado de minha autoria - 1999

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